quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Prioridade


Sei que há quem não compreenda. E sei que há quem me entenda perfeitamente.

Na minha carreira de mãe, que já conta com quase 12 anos, já ouvi de tudo.
Os palpites, os conselhos, as recomendações, os suspiros, os abanares de cabeça, os olhares de lado e outras manifestações de incompreensão.
As frases começadas por "Se fosse comigo..." ou "Se fosse meu filho...", estas vindas geralmente de quem não os tem...e que anos mais tarde bate na boca...
O "Faz assim" ou "faz assado", quando o nosso instinto afinal basta.

Fui criticada por explicar demais. Por estar demais.
Por achar que um "não" não chega. Que com "porquês" as crianças entendem melhor.
Já discordaram comigo para mais tarde afinal me darem razão.
Já tive dissabores. Já fiquei calada com amargos de boca. Já respondi.
E sim, também já recebi alguns elogios. Raros.

Acho que já tenho experiência para fazer um balanço.

Não há uma fórmula para isto.
Cada mãe sabe o que é melhor para o seu filho. E cada filho é diferente. O que resulta com um pode não resultar com outro. Tenho disso na minha casa. E quando não funciona, mudar de estratégia é ainda mais difícil.

Às vezes sinto que me perdi pelo caminho. Deixei de explicar tanto. Perdi parte da paciência.
Dou mais respostas "É assim porque sim".
E não gosto.
Uns dias quero que cresçam depressa outros queria que me coubessem no colo.
Uns dias sinto a liberdade de almoçar sozinha, outros tenho saudades delas logo de manhã.
Uns dia apetece-me que durmam cedo, outros gosto que conversem comigo.

Pô-las em 1º lugar não significa ser super protetora.
Significa Estar presente na vida delas, no que querem partilhar comigo. Sempre que elas quiserem. Porque, para mim, faz sentido.

Nunca ouvi dizer que era uma má mãe.
Mas questiono-me. Muito.
Estou longe de ser perfeita. De ser a mãe que queria ser.
Talvez tenha ouvido que dou demais de mim.
Que devia pensar também no meu umbigo.
Também sei que preciso de tempo para mim. Para o que gosto de fazer.
Que me sinto muitas vezes absorvida, como que sugada numa espiral sem fim.

Mas quem é mãe, mãe de coração, sabe que elas são a prioridade.
Dê lá por onde der. Esta é minha melhor carreira.
Posso estar errada. Posso até ver ameaçada a minha sanidade mental.
Mas daqui a uns anos sou eu que vou deixar de estar em primeiro lugar....
Para já aproveito até ao tutano elas quererem que eu esteja por perto!
Que as vá ver às provas de ginástica, peças de teatro, festas da escola.
Que me procurem na plateia, que me pisquem o olho, que me acenem, que partilhem vitórias, que chorem e riam.

É a única carreira onde o investimento compensa mesmo.
Onde a maior recompensa é ouvir "Se eu tivesse que escolher uma mãe era a ti que escolhia!"

É simples assim!
Eu acho.
Não me importo se não me entenderem.



 

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