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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Elas crescem e o Mundo também.

Ser mãe de adolescente no séc XXI é, não só mas também:

- Achar que umas Stan Smith são maças verdes (Granny Smith).
- Ouvir falar em New Balance e pensar que é uma nova série da TV.
- Pedir-lhe ajuda para saber como se faz alguma coisa no telemóvel.
- Lidar com preocupações do tipo "Não sei se vou ficar bem sem aparelho nos dentes".
- Ficar intrigada por saber que na escola foi escoltada à casa de banho, porque a professora referiu que havia casos de alunos que íam e depois não voltavam mais.
- Aceitar que filmes de vampiros são românticos.
- Perceber que estar ligado à rede é vital.
- Entender que entre adolescentes partilham 30 mil imagens totós a cada 2 segundos, mas se eu  partilhar UMA única foto dela, arrisco-me a ouvir: "Oh Mãe, essa foto está horrível!".

- É saber que já não tenho corpinho para a levar ao colo para a cama quando adormece no sofá. Quando muito acordo-a e ainda a levo apoiada num braço, vá.


É todo um mundo novo!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Real Life?

O jogo da vida.
Um jogo de tabuleiro que nos leva pelas várias escolhas da vida, ao ritmo da sorte.
Numa fase inicial temos que escolher ir para a Universidade ou ter uma carreira profissional logo de imediato. Na primeira o salário chega mais tarde, na segunda começamos logo a ganhar dinheiro. Em ambos os caminhos podemos escolher a profissão, mas o leque de opções varia conforme a decisão inicial de frequentar ou não o ensino superior.
Chegam as oportunidades de comprar casa, e há que ponderar qual comprar face aos empréstimos contraídos ou ao dinheiro que temos amealhado. Surgem as opções de fazer seguros, de saúde, para a casa, para o carro.
Pelo meio vão entrando despesas extra ....aniversários dos amigos, despesas com a saúde, reparações de avarias, inundações da casa, obras, festas dos filhos...ou vamos tendo recompensas, por reciclar, por ajudar os sem abrigo, por fazer voluntariado....
À medida que se avança no jogo é possível casar, ter filhos, sendo eles gémeos, rapaz ou rapariga, ou adoptar.
Pelo meio o jogo vai oferecendo alternativas, podem-se escolher caminhos mais rápidos, frequentar a escola à noite, investir em negócios, embora se perceba que nem tudo é controlado por nós.

Descobrimos este jogo numa casa de férias alugada a uns ingleses e como tal está em Inglês. Na altura as miúdas tinham uns 6 e 10 anos e depois dumas explicações iniciais e de várias jogadas em família lá íam jogando sozinhas a dominar o inglês, nem que fosse pela repetição das instruções ou com a ajuda das imagens. Achavam piada à semelhança com a vida.
Mais tarde procurei na net e acabei por lhes oferecer o "Life", também em inglês.

Há dias estivemos a jogar.
Ambas escolheram o caminho da Universidade. É engraçado ver que tipo de casa escolhem, a profissão, se dão valor ao ordenado, se escolhem ter seguros ou arriscam, se preferem ter meninas ou meninos. No jogo fui optando por coisas diferentes do que é a minha vida. Fui logo trabalhar, escolhi uma vivenda, decidi ter filhos rapazes.
Quando chegou a minha vez de casar, elas perguntaram-me "E queres casar com um homem ou com uma mulher?"
Rimos.
Mas na verdade a pergunta nem teria surgido se os tempos não fossem outros.

O jogo termina com a idade da reforma a chegar e a entrada num lar, embora se possa escolher qual. Ganha o jogo quem tiver mais dinheiro amealhado, somando o valor das propriedades e descontando os empréstimos e as dívidas.

A I concluiu que assim não tinha piada: Independentemente da vida que escolhemos todos no jogo têm o mesmo fim. E quando chegamos ao fim, o que interessa o que temos?

Real life?!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Ainda dizem que não há imaginação...


Segunda feira a I fez o jantar.
Eu dormitei (dormi profundamente!!!) uns minutos (uma boa hora e meia!!!), e acordei com um cheirinho a frango assado vindo da cozinha. Mesmo "comfort food". Depois de alguma preguiça deixei-me levar pelo olfato e encontrei-a a saltear batata doce com cenoura cortada em tirinhas, que iria servir de acompanhamento. O frango estava quase pronto. Mimos destes não se explicam.

"Mãe, arranjei um truque para não chorar enquanto descasco cebolas!"
Ai sim? Então qual é?
"Uso óculos de piscina!"

Saída do meu estado de sonolência nem tinha estranhado o que fariam os óculos de piscina ali na tábua...


domingo, 17 de janeiro de 2016

Que mundo este...

A R tem 9 e já faz pequenas tarefas, como ir à mercearia ou à padaria sozinha.
Fica tudo a 2 passos de casa.
Ela gosta de se sentir crescida, destes momentos de autonomia e da confiança que lhe é dada.
Claro que, apesar da curta distância e da conhecida vizinhança, sabe que não deve parar para falar com estranhos. Que mundo este.... Com a idade dela ía sozinha para a escola. Mas isso foi noutro século.


Hoje fez um destes rápidos recados. Quando entrou em casa disse:

"Mamã, estava ali um senhor perto do jardim que deixou cair o pão todo. Eu perguntei se podia ajudar. E apanhei o pão do chão, sacudi um bocadinho a terra e pus no saco. Nem estava muito sujo. Agora estou cheia de pena do senhor...coitado..."

Quando ela começou a conversa fiquei logo mais atenta mal ouvi "estava ali um senhor"..
Perguntei se o senhor era velhinho. Ela disse que sim.

Deve ter percebido porque perguntei aquilo. Passado uns minutos disse:
"Achas que fiz mal em ajudar o senhor?"
Respondi que não.

E fiquei a pensar....Mas que mundo é este em que o simples facto de ajudar alguém pode
estar contaminado com dúvidas e incertezas?!

A R fez bem. Ajudou quando acho que era preciso. Agiu por instinto.
Algo que nos é natural ainda....felizmente!
Mas depois lembrou-se....era um estranho...e hesitou. Ficou a pensar.

E eu? Duvidei também. Mesmo sem ter visto.
Sim, nuns segundos passou-me pela cabeça que um estranho poderia deixar cair o pão do saco para atrair uma criança...
Não gostei deste pensamento. De ter duvidado. De ter sequer hesitado na resposta que dei.
Mas sou mãe.
Tenho medos. Alguns deles novos.
Estou contaminada por demasiadas histórias.

Ficou-me a martelar a frase "Achas que fiz mal em ajudar o senhor?!"....
Mas pior de tudo foi o ter respondido que não mas ter ficado a pensar num "e se?"...
Que mundo este...que nos transforma, que nos perturba os instintos naturais de ser humano e de ser.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ainda são 206

Ontem ouvi dizer que alguns ossos mudaram de nome.
São ainda 206, salvo raras exceções. Também nisto da quantidade não há muito a fazer...
Agora ninguém fratura o perónio mas sim a fíbula.
As falanges, falanginhas, falangetas são afinal, só falanges, embora proximais, médias e distais.
A rótula é afinal uma patela, uma simples omoplata passou a escápula e o cúbito é afinal uma ulna.

Não sei há quanto tempo isto aconteceu. Fui pesquisar e reparei que continuam a existir as duas opções para o nome, embora as designações que conhecíamos serem as "antigas".
Também não sei como está isto implementado na comunidade médica. Será usada efetivamete a nova nomenclatura ou a bem do entendimento geral usam-se os nomes velhinhos?

Mas então porque no meio de tanta mudança de conteúdos programáticos no 1º ciclo não se atualiza o que de facto vai mudando em vez de os tornar exaustivos ou desadequados à idade?!
Para quem está a aprender o nome dos ossos pela primeira vez, tanto faz ter que memorizar fíbula como peróneo....
Há que chamar as coisas pelos nomes então.
Mas não. No 1º ciclo continua tudo com caneladas na tíbia (este não mudou!).
Nunca ouvirão falar da fíbula formerly known as perónio.

Se ontem uma mãe enfermeira não me tivesse informado disto, e ouvisse o nome destes ossos "novos" até poderia pensar que se tinham descoberto mais alguns e que já nem eram 206!
Nunca fiando!

Umas coisas evoluem à velocidade da luz outras nem por isso.
Vá-se lá entender...


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Nostalgia 2


E outro momento muito aguardado na minha infância, logo a seguir ao Festival da Canção, era.....

Dicas:
 - Este senhor era o apresentador.
(Se não souberem quem é, ou não se lembrarem do nome, não vale a pena ler o resto.)


 - Havia equipas de vários países da Europa.
 - Era apresentado em estrangeiro e cada apresentador traduzia em simultâneo.
 - Mostravam sempre imagens da cidade de cada equipa.
 - Era constituído por vários jogos, uns na água, outros com esponjas, materais escorregadios, tudo muito colorido.
- E antes do início de cada prova ouvia-se o inesquecível:
 Attention! Prêts? Piiiiiiii - O mais famoso apito da TV.


E finalmente a música do genérico!!
Quem adivinhou?!


JSF!
Isso, os Jogos sem Fronteiras!

E quem me veio falar disto ontem?!? A R.
Chegou a casa e perguntou se eu conhecia uns jogos em italiano que davam na TV em 1996...Não cheguei lá.
E depois mostrou-me na RTP memória.

Mas eu não os via em 1996. Nesse ano acabei o curso na faculdade. Mas lembro-me de os ver nos anos 80 e até de num ano ter sido filmado no Algarve e haver vestígios de esferovite nas férias de verão em Vilamoura.
Ficávamos ali em frente à TV a torcer por Portugal e eu ficava sempre com vontade de participar ou de dar mergulhos numa piscina.
Agora ao olhar para a RTP memória achei tudo muito estranho....
Ouvia-se o Eládio Clímaco a falar e sempre o italiano como voz de fundo. A R nem conseguiu acompanhar a tradução. O júri apitava em francês. A confusão completa. Depois a memória que tenho é de muita cor e achei tudo muito descorado. Elas não vibraram nada com o meu entusiasmo a recordar os júris e as regras do jogo e a parte das imagens das cidades dos diferentes países.
Lembro-me de me divertir imenso. De achar os jogos animados, uns até bem difíceis!
Mas ao vê-los agora foi assim um pouco desenxabido.
Elas estavam a achar um bocadinho seca. Principalmente a mais velha....

Verdade verdadinha....até eu já não achei a mesma piada.
Mas foi bom recordar! Ainda me lembrava da música!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Avanços tecnológicos


Sai mais uma pérola a juntar à coleção "elas são mesmo de outro século!"...

Quem imaginaria há uns anos (mais de uma dezena) que um telefone teria imagem?!??!

A resposta da R estava errada...mas para este século talvez esteja correta....

A Professora ainda alertou para o facto de se referir a telefones antigos mas afinal a R nunca viu telefones sem imagem.

Ela ainda nem tem 10 anos. Para ela até os antigos já não têm só som...

                (PS: Pedi autorização à Professora para tirar a foto desta pergunta do teste)

terça-feira, 10 de março de 2015

Antiguidades


"Uma Aventura  na Serra da Estrela", o livro que está a viciar a R desde ontem. Não o larga.
Vai no 3º capítulo e até a jantar o esteve a ler (pronto, ok, deixamos...há quem veja televisão, certo?!)


"Este livro está escrito num português muito estranho!"....é a tal história do acordo.

Agora tenho uma filha que não sabe o que fazem os C´s que não se lêem lá no meio das palavras!
É assim que ela vê (e lê) as palavras:

FraCção
ObjeCto
ACtividades

Faz-me sentir quando os antigos diziam que no tempo deles Farmácia se escrevia com PH....

Será que a Isabel Alçada e a Ana Maria Magalhães alguma vez imaginaram que esta famosa coleCção ficasse desatualizada no português?!

Sinto-me assim um bocado pró antiga....







sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Outros tempos, novas árvores


As árvores genealógicas representam ligações de parentesco, laços de sangue e descendência.
Estabelecem conexões e relações familiares, que mostram laços de ligação com o passado.

Trata-se de matéria do Estudo do meio do 3ºano.
Os graus de parentesco, para além dos básicos pais, avós e tios, sempre foi algo complicado de explicar....Há os cunhados, sogros, noras, genros, tios paternos, maternos, tias avós....

Para a R, responder à pergunta "A irmã da tua mãe é tua___________?" é complicado até porque eu não tenho irmãs! Ela tem que imaginar...daí que uma árvore até ajuda a visualizar estes diferentes e variados graus de parentesco.

O que eu não estava a contar era que eu própria tivesse dificuldade em interpretar uma árvore!

A evolução dos tempos trouxe novidades até às árvores genealógicas. Ou isso ou eu andei distraída e nunca me apercebi!

Estava a ajudar a R nos TPC´s e a tentar perceber alguns graus de parentesco como o do João em relação à Cátia e à Rita (ver foto) e acabou por ser a R a explicar-me....

"Oh mãe, o João era casado com a Rita por isso é que está a tracejado! Agora é casado com a Cátia! Teve um filho com a Rita e dois com a Cátia!"

Pronto. Sabia lá eu que as anteriores relações figuravam na árvore e que havia linhas a tracejado?!?

(E cá para mim, a professora simplificou o assunto. Andei a pesquisar. Relação extramarital é representada a tracejado, o divórcio é representado com um traço na diagonal a cruzar a linha de ligação normal....por isso o Joao não era casado com a Rita, mas percebo a professora...)


domingo, 5 de outubro de 2014

Crescendo e aprendendo


TPC.
Português. 3º ano.
Separar as palavras por sílabas e classificar quanto à acentuação, depois de identificar a sílaba tónica.
Coisa de meninos.

Ora aqui está algo que nunca consegui fixar.
Tenho sempre que parar para pensar quais são as agudas, as graves e as esdrúxulas.

Com a I estudei de novo esta matéria como no meu tempo.
Decorando as regras. Última, penúltima e antepenúltima sílaba.
E acabava por baralhar sempre umas com as outras.
Todos temos um ponto fraco.

Foi preciso chegar aos 40 anos de idade (quase 41 vá!) para descobrir com a R um truque para nunca mais esquecer quais são quais!

Perguntava-lhe eu se ela conseguia fazer bem o TPC e vai daí ela fala-me na EGA.
Falou nisso como se estivesse a falar do pão com nutella para o lanche. Coisa simples.
Como se a EGA sempre tivesse existido.

EGA?!
Quem é essa?
E lá começa ela a fazer os seus exercícios, sem qualquer dificuldade, com a ajuda da EGA.
Perante o meu espanto por nunca ter ouvido falar numa EGA saca da ardósia, e põe-se a explicar...
Já vi este filme antes.


Desconhecia esta mnemónica (acho que lhe podemos chamar assim)!!
O estranho é que a I, que teve a mesma professora, nunca me falou nisto!

Onde andava a EGA no meu tempo de escola? Tinha-me dado um jeitão!

E não é que há slideshows e tudo?!
E também há na versão masculina: O EGA chega à escola. Assim como se nada fosse!
Até conheço alguns EGAS, agora A EGA ou O EGA...

Bem aqui fica o que encontrei. Pode ser que ajude alguém que partilhe deste ponto fraco.











quinta-feira, 26 de junho de 2014

Por esta não estava à espera.....

Da série
"De outro século!"

Gostam elas que eu conte coisas da minha infância.
Que diga o que fazia, a que brincava, peripécias, coisas da escola, etc
Gostam também que ponha músicas no youtube que eu costumava ouvir.
Cada uma vai pondo as suas músicas preferidas. Vez à vez.

Numa destas noites comecei por Lloyd Cole. Jennifer she said.
Não me pareceram muito convencidas....
Mais estranham eu trautear a letra.

Passei para Tracy Chapman e o seu "Fast car" que eu adorava.
Então enquanto ouvíamos disse-lhes que foi das primeiras cassetes que tive e que costumava ouvir no meu walkman.

????????????
Dispara a mais nova: "O que é um walkman?"
Estava para abrir a boca quando a mais velha diz para a irmã:
"Eu depois mostro-te. Está no meu livro de história."

E por esta não estava à espera! Como?!
No livro de história?!?!?
Foi buscar o livro.
Lá estava numa página intituada "Objetos do quotidiano no séc XX"....
Uma lista de objetos, acompanhados de fotografia (claro) que qualquer quarentão identifica na hora!

Nos meus livros de história não havia walkmans....só cânforas e artigos da era romana, e máquinas fotográficas de fole e uns projetores de cinema velhinhos....
Estou velha!






sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

As voltas das contas



A história do "e vai um" acabou.
Mas era assim que eu fazia contas de matemática, antes de fazer contas à vida.
E não sinto que fosse a única.

Na época do 1º ciclo da mais velha o "e vai um" foi logo encarado como algo desconhecido, lá está, de outro século.... E fui informada que se chamavam "Contas de transporte", ou adição de números com transporte para ser mais correta.

Sim de facto em vez de o "um" ir a algum lado sem nexo, é transportado.
Daí para a frente, nunca mais disse "e vai um" sob pena de ouvir Dahhhh....

Agora com a mais nova descobri que o transporte acabou.....Passou a "Contas de empréstimo", ou algoritmo da subtração por empréstimo.

Ponho-me a pensar "Será da crise?!" esta coisa do empréstimo, supostamente de caráter provisório?!
O "um" só ali fica um bocadinho, como que emprestado ao outro número, ou aliás como pedido em empréstimo ao número do lado.....muito complicado para mim!

Ainda na última reunião escolar de 2º ano do 1º ciclo sugeri uma aula de matemática para Pais.
A ver se nos atualizamos....que isto de parecer velho e pouco sábio aos olhos duns pirralhos tem que se lhe diga....

Quem faz contas à vida devia saber como se fazem destas contas, isto aos olhos dos filhos, não vão eles pensar que são educados por seres irresponsáveis na gestão familiar.

Ainda assim fico feliz que de quando em vez troquem o ipad por quadros portáteis de giz.
(este foi o estudo da R em véspera de teste e lá estão os uns emprestados pequeninos)




sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

De outro século!


Ainda não ouvi a frase "Oh mãe tu és de outro século!"...mas deve estar para breve.....
Se entre gerações há sempre o dito conflito, então o que diremos de gerações que nasceram em séculos diferentes?!?!
As minhas filhas nasceram ambas no século seguinte ao dos pais.

Não sabem o que é um negativo de fotografia;
Desconhecem as cassetes de ouvir música e a estratégia de enrolar a fita com uma caneta;
Cassetes de vídeo, são peças de museu.
Já para não falar em discos de vinil e nos giradiscos!
TV a preto e branco?! Isso terá algum dia existido?!
A R ficou espantada por saber que apenas existiam 2 canais na TV!E que tinha começado apenas com um! "Então tu não vias o Disneychannel?!?!??!", perguntou-me com um ar semi incrédulo semi pânico...

De facto a evolução da tecnologia é gritante! Isto já para não me adiantar sobre mudanças noutras áreas!

Na minha cozinha de infância não havia eletrodomésticos com luzinhas ou botões que fazem "plim".
Agora temos a cozinha apetrechada e somos dependentes de aparelhos acionados por botões, programáveis, cheios das luzinhas e dos plins.

E chegou o dia em que a luz do fogão apagou-se. Isto depois da do exaustor.
E agora como vejo o andamento dos meus preparados culinários?!?! Chegou a vez do microondas....este estranhamente mantém a luz mas deu o berro, e aí percebemos a nossa dependência deste ser inanimado...

Anunciei: Vou aquecer o leite para a R.
Resposta da I:"Mas o microondas não funciona"

Pois.....é um facto! Ela nunca viu aquecer o leite no fogão.
E como se fazia antes de haver microondas?!?!

Nunca sentiram o cheiro do leite aquecido no fervedor. Até eu hoje tive um flahsback, com aquele cheiro levemente torrado. Não sabem que é preciso estar atentas ao processo de aquecimento porque o leite quando ferve vai parar ao fogão. Nem sabem que se forma a "nata"! A nata que tantas vezes tinha que tirar antes de beber porque não gostava. No microondas não se chega a formar a nata....

Ai o que esta geração anda a perder....
Mas pelo menos sabem o que é um bolo da caneca feito em 3 minutos no tal do microondas....aliás foram elas que me ensinaram!

Cá por casa andamos na onda do "quando avaria um eletrodoméstico avariam logo dois ou três"! Apre!
E a culpa deve ser minha....Muita carga energética!

Balanço do ano:

Para abate:
1 secador de cabelo
1 carro (sim, um carro!)

Com esperança que ainda recupere:
1 Microondas
1 Luz do forno

Para reparação ou então esperar que fique sol:
1 Carro (outro) que mete água na porta do condutor, que volta e meia acende a luz "service" mas só quando está inclinado. Que nem sempre gosta de abrir as portas quando me aproximo, e anda seletivo quanto à porta que abre primeiro. Deu-lhe para achar que tem um sistema elétrico independente!
Nos dias de chuva intensa, cada vez que travo ouço barulho de água como se estivesse num barco, chegando mesmo a ter um nível de ondulação de vários cm na porta...

Espero que pare por aqui a bem da sanidade mental e do orçamento familiar!

E este fim de semana não há bolos da caneca.....antes funcionasse às escuras!


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Acordos à parte

Pais e filhos com acordos ortográficos diferentes.....

Sim, somos de outra geração e sei que daqui a nada estou a ouvir:" Oh mãe não percebes nada, tu até nasceste noutro século!"

Não é uma questão de falta de adaptação, ou de resistência à mudança, apesar de achar este novo acordo uma treta....mas quando dou comigo a tentar corrigir TPC´s de escola primária e me sinto doutro mundo o caso muda de figura. Ainda não ouvi a parte de ser doutro século, mas já ouvi "Oh mãe não vês que agora não é assim!" e pronto envelheço 10 anos por cada frase destas!

Há coisas que me fazem confusão:
....ele é os meses em minusculas, as letras que fugiram, os hifens que já não se usam, os hifens que afinal se usam, formas de escrita opcionais, acentos que já não existem.....

Primeiro foi a mais crescida que aprendeu pelo antigo e passou depois para o novo. Era vê-la, no 2º ano, a tapar a lápis as letras que já não se usam. O livro parecia uma caixa de brindes de chocolates Regina toda cheia de bolinhas furadas a caneta, mas neste caso pintado a lápis.

A mais nova cresceu no mundo das letras no Novo acordo.


E agora dou conta que parecemos ainda mais antigos, dou conta do que mudou de facto.....

Ela não reconhece palavras como "Factor"; "Acção", pelo menos da forma como nós as vemos.

Pergunta o que lá está a fazer o "c" a mais.....e não consegue deixar de o ler....então ao domingo à noite olha para a TV e diz "Porque é que escrevem FaCtor X"? Ou "Porque é que se diz filme de aCção?"

Eu só espero que agora não mudem tudo outra vez, ainda me desorientam a miúda!