sábado, 12 de dezembro de 2015

Como fazer a árvore de Natal com um gato em casa - Passo 4

Mais uma prova de fogo.
Os enfeites.
Bolas, estrelas, laços. Basicamente tudo que se pendure.
As fitas.
Muita cor, muito brilho. Enroladas em espiral ou feitas de muitos fios pequeninos.
Suponho que seja como um parque temático para um gato!

O primeiro contacto teve que ser fora da árvore antes que o instinto felino a fizesse voar diretamente para um ramo!







Ele há coisas difíceis de entender...

....e o tempo e para onde ele vai é uma delas.

É Dezembro.
Ontem escrevi postais de Natal.
Fui aos correios.
Tomei um café sem pressa na esplanada.
Está sol e não há frio que chegue para nos empurrar para o interior.

Organizei uns cupões de desconto.
Tirei papelada da carteira.
Fiz listas.
Tratei de assuntos daqueles que de tão pendentes se tornam esquecidos. Quase para sempre.
Fui à farmácia levar receitas.

Deixei a mais velha na ginástica.
Tratei dos bilhetes para o sarau.
E ainda tinha tempo.

Queria ir só comprar umas pizzas para o jantar mas tinha tempo e não estava exausta, nem a rebentar de dores de cabeça nem com sono.
Tempo e condições físicas. Um conjunto raro.

Muitas vezes perco-me nas desculpas.
Não tive tempo. Estou cansada.
Deixo passar prazos. Deixo acabar o leite ou o papel higiénico ou outros na categoria dos essenciais.
Desta vez estava decidida.

Comecei pelos bens alimentares.
Um cupão de 15% em toda a compra levou-me a dar uma vista de olhos mais geral e menos dirigida aos corredores habituais.
Andei pelos livros, pelos brinquedos, pela perfumaria, pela secção lar.
Consulto mentalmente as minhas listas para ver quem ainda não tem prenda de Natal.
Além do jantar, trago mais umas quantas refeições. Afinal vem lá o fim de semana.
Verifico as validades mais longas da carne e de outros frescos.
Lembro-me de mais umas quantas coisas mas nem levei carrinho.
Achei que só para pizzas e meia dúzia de coisas o cesto de rodinhas chegaria.
Engano-me sempre.
E estas são as vezes em que nunca levo sacos.

Sobrava algum tempo até à hora em que chegaria a casa a mais nova.
Finalmente ía comprar cremes de rosto e pastas de dentes para deixar de dizer "quando for às compras trato disso".
Além do desconto do cupão, reparei numa outra promoção da própria marca do creme.
Um 2=3. Era de aproveitar.
Perguntei à menina do balcão se era mesmo assim, não fosse estar a perder tempo desnecessário...
Ela não sabia de nada.
E aqui uma pessoa percebe porque ir às compras e usufruir de descontos, entre dúvidas e decisões leva o seu tempo.
Sugeri que tentasse procurar ajuda para me esclarecer.
A menina foi perguntar. Seguiu-se a consulta a um dossier. Nova pergunta. Achou melhor chamar a colega para me atender.Telefonema ao fornecedor do creme para confirmar a promoção. Retirar os códigos de barras. Fotocopiar o creme que não tinha embalagem. Recortar o código.
Houve simpatia, mas é um processo moroso!
Se eu não estivesse com tempo e com alguma paciência tinha desistido. Antes disso tinha-me saltado a tampa aí pela altura em que me falaram que era preciso fotocopiar as embalagens dos cremes....

Nesta altura começo a pensar que está o salmão a descongelar no cesto, que entretanto enchi até cima.
A paciência começa a esfumar-se enquanto olho para o relógio e ainda tenho que ir para uma fila pagar as compras dos 15% de desconto.

É por isto que o "ir ás compras" nunca será igual para homens e mulheres.
Dar uma vista de olhos para ver o que há?
Listas mentais de prendas de Natal?
Cupões de desconto com prazos?
Promoções 2=3?
Nãaa....

Cheguei a casa mesmo a tempo de pousar tudo na mesa e começar o jantar.
Em 5 minutos entrou a mais nova porta adentro esfomeada.
A mais velha havia de chegar mais minuto menos minuto.

Afinal decidi não fazer as pizzas. As tais destinadas especificamente para o jantar.
Atirei-me aos cogumelos que andei a borrifar a semana inteira.
Estavam no ponto.

É por tantas destas coisas que os dias desaparecem à nossa frente.
Quase tão rápido como cresceram os cogumelos.

Ele há coisas que os homens nunca entenderão.
Porque passam elas a dizer que não têm tempo?
Comprar uma coisa para o jantar e fazer outra?
Borrifar cogumelos uma semana inteira?!
Nãaaa....


Como fazer a árvore de Natal com um gato em casa - Passo 3

O primeiro grande desafio.
As luzes!
E... decidi acrescentar a saia da árvore por achar que passava despercebida.
Estava enganada. Redondamente.
A gata ficou de tal forma deslumbrada com a saia e as diferentes abordagens à mesma que as luzes até ficaram em segundo plano. Ou quase.
Até uma simples parede quase branca que sempre ali esteve passa a ter o seu interesse!
O maravilhoso mundo dos gatos. Só para quem entende.





Estilo pinguim.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Como fazer a árvore de Natal com um gato em casa - Passo 2

Passo 2
Ao 2º dia a árvore foi colocada no seu local habitual: canto direito da sala.
E para novidade basta.
A gata cheirou, mordeu, inspecionou, fitou seriamente, mexeu, mediu-lhe a altura e fitou-me com um ar de "não sei o que isto está aqui a fazer mas apanhaste-me!"
Estou convencida que vamos no bom caminho!










Como fazer a árvore de Natal com uma gata em casa - Uma lição por passos

Passo 1
Deixar a árvore na porta de casa.
Não mexer mais.
Deixar a gata interagir e descobrir do que se trata.
Assim com plástico e tudo!




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Grandes lições de gente pequena por fora


Gosto que ela o trate pelo nome quando me conta como foi o dia.
Partilham a mesma inicial.

- "O R é tão fofinho!"
- Quem é o R?!
- "Aquele menino que viste no 1º dia que tinha uns óculos azuis."
- Do 1º ano?
- "Sim, aquele menino que tem um problema."

Já sabia quem era.
O R tem Trissomia XXI.
Eu, como adulta, se me referisse ao R talvez tivesse começado por aqui para o identificar.
Ela não. Começou pelo nome. Depois pelos óculos azuis. Pelo facto de o termos visto no 1º de aulas.
Segui-lhe o exemplo e perguntei se era do 1º ano.

Os olhos das crianças vêm sem filtros, sem rótulos, de forma pura e diretamente do coração.
Sabem escolher as palavras.

"Sabes mamã, o R não percebe bem as campainhas...às vezes fica sentado no recreio...depois vão buscá-lo e levam-no por um braço. Mas não precisavam de levá-lo assim....Era mais justo se ele pudesse brincar. Ele às vezes vem a correr ter connosco e abraça-nos. Costumo dar-lhe bolachas das minhas."

Hoje é Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.
Ouviram a história do Elmer, o elefante xadrez.
Amanhã vão pintar um Elmer. Cada um o seu. Com as cores que escolherem. Todas diferentes.

Quero acreditar que a R e outras meninas e meninos de grande coração farão deste mundo um lugar melhor para o R e todos os meninos e meninas com outra iniciais, portadores de grandes lições de vida.




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A estranheza da simpatia...


"Até foi simpático..." ouço.
Ouço e digo.
E estranho.
E mais estranho acho quando a frase vem da boca delas, crianças, que também já reparam...
Como se ser simpático fosse algo que não esperávamos...que não era suposto encontrar em certos sítios, ou certas profissões.

Somos, ainda que sem querer uma sociedade de sobrolhos franzidos, semblantes carregados.
O esperado é o carrancudo, a cara de frete, a falta de um sorriso.
Estranhamos os dois dedos de conversa entre pessoas que não se conhecem.

Se nos oferecem alguma coisa então ficamos logo de pé atrás. Voltamos a estranhar.

Crescemos na desconfiança do provérbio "Quando a esmola é grande o pobre desconfia" mas inclinados a aceitar o que nos oferecem "A cavalo dado não se olha ao dente".

Estranhamos a simpatia.
"Até foi simpático..." dizemos.

Quando é que: 

Sorrir se tornou um sinal de fraqueza?
A simpatia deixou de ser inata?
A desconfiança se instalou?

Na noite do concerto dos D.A.M.A. ficamos no Typical Lisbon Guest House.
Na cozinha, tinham esta mensagem numa terrina de peças de fruta. 
A primeira reação foi surpresa. Foi achar que não é normal, que nesta sociedade ninguém dá nada a ninguém....
"Free" - outra palavra que causa estranheza....
"Feel at home" ...
 Lá veio o "Até são simpáticos..."