quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Só porque sim.


As minhas miúdas nunca foram de ter muitas ideias do que fazer por casa sozinhas.
Talvez por isso desde sempre as tire de casa só porque sim.
Sem grandes planos na manga.

À medida que cresciam fui achando que não precisava de fazer isso....que elas já se iriam entreter mais, que gostariam de fazer outras coisas, de estar por casa, de terem a liberdade de escolherem como, ou com quem, querem ocupar o tempo.
Se sim por um lado, por outro não se passa assim.

Apesar de lhes saber bem algum dolce fare niente, que é como quem diz sofá e TV, o mais certo é cansarem-se facilmente disso ao ponto de se tornar aborrecido.
Continuam a ser mais do "O que vamos fazer hoje?", "Onde vamos?"...e de pensar no que poderemos fazer de tarde quando ainda só acabamos de acordar.
Chegava a casa cansada ao fim dum dia de fim de semana com passeios e atividades e por vezes ainda ouvia "E agora, já vamos para casa?!". Sei que suspirava e que já não podia com uma gata pelo rabo, mas sentia-me secretamente feliz.
Nestes 12 anos de vida como mãe, contam-se pelos dedos da mão os dias que teremos passado de pijama, mesmo com chuva.

A verdade é que às vezes até dá jeito que se entretenham na TV, no computador, no ipad..
A verdade é que nem sempre a paciência acorda connosco.
A verdade é que queremos que cresçam mas depois achamos que crescem depressa demais.
A verdade é que até é bom quando têm uma festa de aniversário e nós ficamos mais folgados.
A verdade é que do aborrecimento nasce a imaginação.

Esta semana, num jardim muito perto de nós, paramos junto a um lago de peixes vermelhos.
"Uma vez viemos para aqui pintar", disse a R. Foi em Setembro 2011. E ela lembrava-se.
E eu fiquei a pensar que a culpa dessa lembrança era minha.
Secretamente feliz, por esta memória lhe ter ficado plantada.

Deveria eu tê-las deixado aborrecerem-se mais?!
Terei eu travado a imaginação por lhes faltar aborrecimento?!
Ou da falta do aborrecimento, meu e delas, nasceram estes momentos?!

E fiquei com pena de as arrastar menos para onde quer que seja. Só porque sim....


Irracional

R: O que quer dizer "irracional"?

Eu: Alguém que não pensa bem... (ao mesmo tempo que pensava qual seria a razão da pergunta e se no contexto dela seria a melhor resposta)


R: Então aquele filme é bom para o pai! - e apontou para o lado.

(Eu juro que foi ela que disse!)



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Não dá mais!

Ligaram-me por causa da inscrição da R nos almoços da escola.
Era para confirmar a data de nascimento. Ou melhor, o ano.
Ao que consta preenchi num formulário que ela tinha nascido em 2002...que é o ano da irmã....
A senhora estranhou que uma menina tão crescida estivesse no 4º ano...
Pois....era mais 2006.
"Deixe lá, também me acontece...", disse a senhora em jeito de solidariedade entre mães.


O Lidl tem uma campanha sobre os peluches fruto-legumes, que eu pessoalmente acho um bocado roubalheira, mas isso são outros quinhentos. Não escapei a darem-me umas saquetas com uns cromos para colecionar e os pontos para colar num panfleto. Ainda me perguntaram se queria a caderneta mas consegui sair de lá sem ela.
Num destes almoços a R achou bem irmos a casa porque queria ir buscar os cromos do Lidl. Logo a seguir acrescentou " A professora ontem deu-me a caderneta mas esqueci-me de te dizer"
Fiquei algo surpreendida mas perguntei  - "Do Lidl?!
R - "Não mãe!! A da escola!!! "

Tive que me desatar a rir! De mim própria!
Não puxem mais por esta minha cabecinha!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ginger Ale

Num dia quente deste verão pedi um Ginger Ale.
Acho que não bebia isto há anos.
Perguntaram, "Com limão e gelo?"
Lembrei-me de repente que era examente assim que se bebia um Ginger ale. Com limão e gelo.
Lembrei-me que o pedíamos pelo nome de "pneu". E se o tratássemos assim já incluía o gelo e o limão.
Talvez fosse só lá na minha terra.

Isto do quase outono da vida, dá-nos para pensar e questionar algumas coisas.
É tipo uma segunda idade dos porquês.

E então deu-me naquele momento para pensar de que será feito um ginger ale?
O guaraná ten extrato de guaraná. E o ginger ale vinha do quê?!
Fui ler o rótulo.

E foi, em passos largos a caminho dos 42, que descobri que é de ...gengibre.
O gengibre. Aquele que está agora mais na moda.
Na comida, nos chás, na água...pelos seus benefícios para a saúde e outras propriedades.
E que eu até gosto bastante.

Afinal já andava por aí há uns anos, disfarçado na forma açucarada e provavelmente menos saudável, dentro duma garrafa.
Ginger ale?! De gengibre?!
A sério nunca pensei....

sábado, 26 de setembro de 2015

Paris Toujours Paris


Não deixa de ser caricato que quando era miúda sonhava com Londres, e afinal foi a Paris que fui primeiro e fui voltando, voltando e voltando....
Podia começar pelo tanto que Paris tem.
Pelo óbvio.
Pelo menos turístico.
Pelos sítios que conseguiram ser novos.

Fico-me pelo que sei que vou lembrar desta vez, a única em que estivemos os quatro.

       O apartamento acolhedor que alugamos, mesmo ali ao lado do Sacré-Coeur.

       O pai da casa comprava baguette para o pequeno almoço na Bolangerie- Patisserie mais próxima, enquanto dormíamos.

       Os pormenores da vida dos parisienses que me conquistam e me deixam um bocadinho invejosa: Os almoços no jardim. As cadeiras dispostas sem qualquer ordem.  Os pés descalços. Uma conversa, uma sesta. "Alagartar" ao sol. A aparente ausência de stress. Livros, em papel. Pausa de almoço junto ao Sena.

       Os telhados típicos ao pôr do sol, a lembrar os "Aristogatos" ou o "Ratatouille".

       As cores da Place du Tertre, e as pinturas dos artistas de rua.

       A luz de um Outono que já ía mais avançado que cá.

       A Torre Eiffel. Nem que seja pela 5ª vez. Desta vez fiquei-me pelo 2º piso com a R, que não é muito dada a alturas...ainda assim experimentamos pisar o chão de vidro do 1º piso....arrepiante e para corajosos! Mas conseguimos!

      Um tour de Bus Hop On e Hop Off como verdadeiros turistas, com phones e tradutor em brasileiro, onde a R decidiu fazer uma sesta ao chegar à Ópera.

      O interesse que lhes despertou o Metro e as suas linhas coloridas e tanto que andar debaixo do chão.

      O passeio de Bateux-Mouche pelo Sena.

      A visita a LaFayette para ver o teto. Acabamos no telhado a ver as vistas.

      O famoso pote de Nutella no Trocadero ainda lá estava....era o que a R mais queria ver, depois da história da I, quando lá esteve a 1ª vez ter reparado primeiro nele do que na Torre ali ao lado!

      Apesar do mal que fazem e de terem sido retirados da ponte, continuam a existir milhares de cadeados em diversos locais. Variam as formas, cores, tamanhos, talvez de acordo com o amor.

      O bairro Marais, onde estava capaz de me perder um dia inteiro.


Não sei dizer porquê...mas acho que ainda não foi a minha última visita.














Miúdas no Parque

Mais um momento de Paris com crianças.
No Jardin du Luxembourg alugam-se barquinhos à vela, por 30 minutos.
Empurram-se com uma cana e se pararem lá no meio do lago, é só esperar que o vento os traga para a margem. Nada mais simples. Li algures que é também um ótimo exercício para ensinar a ter paciência.

Quando lá estive a primeira vez nunca imaginei que voltaria anos depois com as minhas meninas...

Pelo resto do jardim e mesmo ali à volta há cadeiras para relaxar!
Ideal para toda a família!

Qualquer semelhança com a "Anita (agora Martine) no Parque", não é pura coincidência.
O jardim parece parado no tempo.
Os 30 minutos voaram.