Pediram para as acordar às 7h30, mas não se deitaram muito mais cedo que o costume.
Também não iria adiantar, a não ser para mais voltas na cama, a embrulhar o nervoso miudinho.
O sono, nestas vésperas tarda em chegar.
O entusiasmo do 1º dia faz milagres. As mochilas estão mais que prontas.
Sei que daqui a uma semana não será assim.
A vontade de ficar no quentinho mais uns minutos vai instalar-se em breve.
Vai ser preciso perguntar se a mochila está pronta.
A R queria ter tempo para fazer trancinhas de manhã e para escolher a roupa. Estava curiosa para conhecer a nova professora, os novos colegas. Tinha saudades das amigas, do recreio, das rotinas.
Antes de sair disse-me: "Então mãe, a foto?!"
A I já tinha decidido a roupa no dia anterior. Acrescentou um casaco porque o orvalho da manhã, nem fazia acreditar nos 30ºC de ontem.
A vontade de regressar à escola já se instalara.
Saiu demasiado rápido para uma foto. Quase tão rápido como chegou aos 12 anos.
Eu?
O meu sono não tardou em chegar. Acordei a pensar nas tranças e nos lanches.
7h30 pareceu-me muito cedo, mas concordei.
Já não fiquei de coração apertado.
Sei que a ansiedade delas é das boas.
Das que trazem friozinho na barriga mas porque nunca mais chega o dia.
Das que querem pôr as conversas em dia.
Das que trazem a pressa na dose certa.
Hoje a I foi meia hora mais cedo.
Hoje foi a R que me disse "Despacha-te!".
Eu?
Fico por aqui, a vê-las crescer.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
domingo, 20 de setembro de 2015
Mais parecem só 10 minutos.
Deito-me já a passar da meia noite ao lado da minha filha pré adolescente. Seguro a botija de água quente junto ao pescoço dela. A culpa é de uma contratura muscular. Adormeço neste processo ou a fazer-lhe massagens. Já nem sei bem. Acordo às 6h33 da manhã quase na mesma posição. Ela acorda também e diz:"Já podes tirar a botija. Já não está quente".
Pois pudera....6 horas depois....é natural.
Mais parecem só 10 minutos.
Levanto-me para mudar de cama. Antes disso ainda a tapo porque as noites já arrefecem.
Espreito a mais nova. Puxo-lhe o edredon para cima. Deito-me.
Acordo, com a mais nova a chamar, já quase às 10h.
Mais parecem só 10 minutos.
Entro na cozinha e ligo a máquina do café. Ponho uma torrada a fazer.
Ainda antes dela saltar, decido mudar a areia da gata.
A torrada já saltou, mas agora estou a varrer, a levar o lixo lá fora, a cortar legumes para o porquinho da Índia.
A fatia do pão ainda espera. Volto a ligar a torradeira. Finalmente tiro o café. Sento-me à mesa. Praticamente no mesmo instante a gata decide experimentar a caixa de areia limpa....levanto-me.
Vou outra vez ao lixo. Volto.
Acabo por comer o resto da torrada fria, já de pé, com a chávena de café na mão.
A mais nova acha estranho que eu demore tanto tempo a beber um café de manhã...
Mais parecem só 10 minutos.
É como os dias de folga.
Andamos sempre à espera de um...e depois...
...mais parecem só 10 minutos.
Pois pudera....6 horas depois....é natural.
Mais parecem só 10 minutos.
Levanto-me para mudar de cama. Antes disso ainda a tapo porque as noites já arrefecem.
Espreito a mais nova. Puxo-lhe o edredon para cima. Deito-me.
Acordo, com a mais nova a chamar, já quase às 10h.
Mais parecem só 10 minutos.
Entro na cozinha e ligo a máquina do café. Ponho uma torrada a fazer.
Ainda antes dela saltar, decido mudar a areia da gata.
A torrada já saltou, mas agora estou a varrer, a levar o lixo lá fora, a cortar legumes para o porquinho da Índia.
A fatia do pão ainda espera. Volto a ligar a torradeira. Finalmente tiro o café. Sento-me à mesa. Praticamente no mesmo instante a gata decide experimentar a caixa de areia limpa....levanto-me.
Vou outra vez ao lixo. Volto.
Acabo por comer o resto da torrada fria, já de pé, com a chávena de café na mão.
A mais nova acha estranho que eu demore tanto tempo a beber um café de manhã...
Mais parecem só 10 minutos.
É como os dias de folga.
Andamos sempre à espera de um...e depois...
...mais parecem só 10 minutos.
sábado, 19 de setembro de 2015
É para toda a família!
Seis dias. Disneyland Paris + Paris.
A única estreante neste pack era a R.
1ª ida para fora do País. 1ª viagem de avião. Tudo surpresa.
A irmã tornou-se nossa cúmplice apenas quando acordou. A I sabia que tínhamos qualquer coisa na manga mas não imaginava que fosse isto.
Nos curtos Km que nos separavam do aeroporto foi ajudando a manter a história de que o avô nos ía levar ao Porto para um passeio no Douro.
A R estranhou estarmos a chegar ao aeroporto mas estava tão longe de imaginar que achou que só íamos parar para ver os aviões...
Num click, percebeu e entre sorrisos de nervoso miudinho atirou "Vamos à Disney!?!".
"Ainda não estou a acreditar!" foi a frase mais dita pela R nesse e nos dias seguintes.
Por momentos vivi um flashback.
Há 6 anos a I teve a mesma surpresa. Na altura já sabia ler mas mesmo assim nem reparou nas placas a anunciar a proximidade do aeroporto. Achava que era um hotel estranho. Foi tudo igual. O avô levou-nos de madrugada. Adivinhou que íamos a Paris, mas só já dentro do avião é que fez a associação com a Eurodisney.
Passe o tempo que passar à entrada, miúdos e graúdos rendem-se ao mundo da fantasia.
Entra-se em modo Mr. Walt Disney,"Um dia aprendi que sonhos existem para que se tornem realidade".
É o único sítio onde arriscamos perder a cabeça, mesmo com avisos. Onde podemos ir ao espaço numa fração de segundos, voar, pensar em coisas felizes, fazer chover e dançar à chuva, cantar, ser princesa e pedir autógrafos a desenhos animados. E até conduzir sem carta!

Todos os anos, ou por épocas, o parque encerra algumas das atrações para remodelação ou reparações de segurança. Desta vez estava fechado o "It´s a small world", uma das atrações mais giras do parque para quem tem miúdos pequenos. Felizmente estava em funcionamento "O voo do Peter Pan" que nos tinha escapado antes. Acho que compensou!
De facto a sensação que se vive é a de "Belisquem-me, estou mesmo na Disney!"
Está enganado quem pensa que isto é só para miúdos.
Adrenalina também há! Eu que o diga que me atrevi pela Twilight zone, e depois de muitos gritos, estou aqui para contar como foi!
A parte da comida é mesmo o pior...Já que estamos em França podia ser tudo mais gourmet, mais Ratatouille, mais para a baguette....mas é tudo igual como na terra do Tio Sam (suponho). Apesar de algumas variações restam hamburgueres, nuggets, batatas fritas e cachorros...
Sendo um sítio à pinha de crianças seria bom começar por aqui a mostrar o que é comida saudável.
Que falta faz uma banca de fruta, de sopa, de snacks normais, de fromage....
As opções que existem são pipocas, algodão doce, gomas, maçãs caramelizadas, maçãs de chocolate, palitos de marshmallows revestidos a chocolate, crepes....todo um mundo gastronómico doce e gorduroso. Quase jurava que metade das birras e neuras que se vêm por lá são de excesso de açucar!
Ainda assim a magia acontece.
Ninguém fica indiferente ao Castelo das Princesas, a qualquer hora do dia.
E vale a pena ficar até as portas fecharem, nem que seja só uma vez.
Na primeira noite não tivemos energia para isso. Foram muitas horas de novidades que nos levaram a um recolher quase obrigatório.
A única estreante neste pack era a R.
1ª ida para fora do País. 1ª viagem de avião. Tudo surpresa.
A irmã tornou-se nossa cúmplice apenas quando acordou. A I sabia que tínhamos qualquer coisa na manga mas não imaginava que fosse isto.
Nos curtos Km que nos separavam do aeroporto foi ajudando a manter a história de que o avô nos ía levar ao Porto para um passeio no Douro.
A R estranhou estarmos a chegar ao aeroporto mas estava tão longe de imaginar que achou que só íamos parar para ver os aviões...
Num click, percebeu e entre sorrisos de nervoso miudinho atirou "Vamos à Disney!?!".
"Ainda não estou a acreditar!" foi a frase mais dita pela R nesse e nos dias seguintes.
Por momentos vivi um flashback.
Há 6 anos a I teve a mesma surpresa. Na altura já sabia ler mas mesmo assim nem reparou nas placas a anunciar a proximidade do aeroporto. Achava que era um hotel estranho. Foi tudo igual. O avô levou-nos de madrugada. Adivinhou que íamos a Paris, mas só já dentro do avião é que fez a associação com a Eurodisney.
Passe o tempo que passar à entrada, miúdos e graúdos rendem-se ao mundo da fantasia.
Entra-se em modo Mr. Walt Disney,"Um dia aprendi que sonhos existem para que se tornem realidade".
É o único sítio onde arriscamos perder a cabeça, mesmo com avisos. Onde podemos ir ao espaço numa fração de segundos, voar, pensar em coisas felizes, fazer chover e dançar à chuva, cantar, ser princesa e pedir autógrafos a desenhos animados. E até conduzir sem carta!

Todos os anos, ou por épocas, o parque encerra algumas das atrações para remodelação ou reparações de segurança. Desta vez estava fechado o "It´s a small world", uma das atrações mais giras do parque para quem tem miúdos pequenos. Felizmente estava em funcionamento "O voo do Peter Pan" que nos tinha escapado antes. Acho que compensou!
De facto a sensação que se vive é a de "Belisquem-me, estou mesmo na Disney!"
Está enganado quem pensa que isto é só para miúdos.
Adrenalina também há! Eu que o diga que me atrevi pela Twilight zone, e depois de muitos gritos, estou aqui para contar como foi!
A parte da comida é mesmo o pior...Já que estamos em França podia ser tudo mais gourmet, mais Ratatouille, mais para a baguette....mas é tudo igual como na terra do Tio Sam (suponho). Apesar de algumas variações restam hamburgueres, nuggets, batatas fritas e cachorros...
Sendo um sítio à pinha de crianças seria bom começar por aqui a mostrar o que é comida saudável.
Que falta faz uma banca de fruta, de sopa, de snacks normais, de fromage....
As opções que existem são pipocas, algodão doce, gomas, maçãs caramelizadas, maçãs de chocolate, palitos de marshmallows revestidos a chocolate, crepes....todo um mundo gastronómico doce e gorduroso. Quase jurava que metade das birras e neuras que se vêm por lá são de excesso de açucar!
Ainda assim a magia acontece.
Ninguém fica indiferente ao Castelo das Princesas, a qualquer hora do dia.
E vale a pena ficar até as portas fecharem, nem que seja só uma vez.
Na primeira noite não tivemos energia para isso. Foram muitas horas de novidades que nos levaram a um recolher quase obrigatório.
Para finalizar, descobrimos numa zona nova (nova para quem lá esteve a última vez há 6 anos) um Restaurante Barbecue, assim ao jeito Country.
Frango e entrecosto!
(Claro, que tivemos de pedir sem molho, porque à moda americana o molho Barbecue cobre todo o prato)
Confesso que cheirava bem na zona.
Atraía qualquer um....
Na Disney é tudo tão real que até vimos o verdadeiro Ratatouille!!!
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Frases que ouço por aí...muito perto de mim.
8) "Essa camisola faz-te elegante"
A constatação inquietante. Isto significará?A) Uma forma de dizer estás gira.
B) Que as roupas que tens vestido ultimamente não te favorecem nada....
C) Já foste mais magra.
Pena que entretanto a dita da camisola ficou desconchavada após uma lavagem e que já não a posso usar, correndo o risco de passar de elegante a mal-azada.
domingo, 13 de setembro de 2015
Já cá estamos
Quando tudo começa a voltar às rotinas é quando costumamos fugir às nossas.
O meu não querido mês de agosto já lá vai.
Setembro é tempo de férias. Sempre o vi assim, como mês de férias.
Em tempos mês inteiro, depois apenas uma semana. Mas férias.
Para as miúdas são os últimos cartuchos, para nós o resto dos dias que calha aos crescidos. Já nem dá para guardar 2 ou 3 para o Natal...
Só se fala no balanço das férias, nos regressos, do recomeço das aulas, saem as turmas, anda tudo de listas de material escolar na mão. As montras enfeitam-se de novas coleções, a cor das árvores começa a mudar e o chão já acusa o outono. As conversas nos reencontros começam inevitavelmente por "Então, essas férias?!"...
Há dias levei as pantufas e botas de inverno para a garagem.
Ainda arriscamos a colocar umas t´shirts na mala de férias.
Geralmente descemos Portugal, para mergulhos e chinelos nos pés.
Desta feita subimos. Um pouco mais para cima e por cima. Com mais uns casacos.
Decididamente IR é o meu verbo. Quase um vício. Tomara que IR fosse mais acessível.
Não foi um sítio novo, mas há sempre algo de novo em cada sítio.
Arrancamos as miúdas da cama às 3h45. Nunca madrugaram tanto.Só sabiam que íamos de férias. Não sabiam o destino nem o meio de transporte para lá chegar. Foi surpresa total.
Amanhã regresso ao trabalho.
Hoje chove.
Talvez tenha que ir buscar as botas e guardar as sandálias.
Para já descarrego as memórias para o computador, enquanto decido se a roupa das férias fica no estendal....tinha esperança que esta chuva fosse passageira...
Já cá estamos.
Prontos ou não aí vem um ano novo!
O meu não querido mês de agosto já lá vai.
Setembro é tempo de férias. Sempre o vi assim, como mês de férias.
Em tempos mês inteiro, depois apenas uma semana. Mas férias.
Para as miúdas são os últimos cartuchos, para nós o resto dos dias que calha aos crescidos. Já nem dá para guardar 2 ou 3 para o Natal...
Só se fala no balanço das férias, nos regressos, do recomeço das aulas, saem as turmas, anda tudo de listas de material escolar na mão. As montras enfeitam-se de novas coleções, a cor das árvores começa a mudar e o chão já acusa o outono. As conversas nos reencontros começam inevitavelmente por "Então, essas férias?!"...
Há dias levei as pantufas e botas de inverno para a garagem.
Ainda arriscamos a colocar umas t´shirts na mala de férias.
Geralmente descemos Portugal, para mergulhos e chinelos nos pés.
Desta feita subimos. Um pouco mais para cima e por cima. Com mais uns casacos.
Decididamente IR é o meu verbo. Quase um vício. Tomara que IR fosse mais acessível.
Não foi um sítio novo, mas há sempre algo de novo em cada sítio.
Arrancamos as miúdas da cama às 3h45. Nunca madrugaram tanto.Só sabiam que íamos de férias. Não sabiam o destino nem o meio de transporte para lá chegar. Foi surpresa total.
Amanhã regresso ao trabalho.
Hoje chove.
Talvez tenha que ir buscar as botas e guardar as sandálias.
Para já descarrego as memórias para o computador, enquanto decido se a roupa das férias fica no estendal....tinha esperança que esta chuva fosse passageira...
Já cá estamos.
Prontos ou não aí vem um ano novo!
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Nostalgia 2
E outro momento muito aguardado na minha infância, logo a seguir ao Festival da Canção, era.....
Dicas:
- Este senhor era o apresentador.
(Se não souberem quem é, ou não se lembrarem do nome, não vale a pena ler o resto.)
- Havia equipas de vários países da Europa.
- Era apresentado em estrangeiro e cada apresentador traduzia em simultâneo.
- Mostravam sempre imagens da cidade de cada equipa.
- Era constituído por vários jogos, uns na água, outros com esponjas, materais escorregadios, tudo muito colorido.
- E antes do início de cada prova ouvia-se o inesquecível:
Attention! Prêts? Piiiiiiii - O mais famoso apito da TV.
E finalmente a música do genérico!!
Quem adivinhou?!
JSF!
Isso, os Jogos sem Fronteiras!
E quem me veio falar disto ontem?!? A R.
Chegou a casa e perguntou se eu conhecia uns jogos em italiano que davam na TV em 1996...Não cheguei lá.
E depois mostrou-me na RTP memória.
Mas eu não os via em 1996. Nesse ano acabei o curso na faculdade. Mas lembro-me de os ver nos anos 80 e até de num ano ter sido filmado no Algarve e haver vestígios de esferovite nas férias de verão em Vilamoura.
Ficávamos ali em frente à TV a torcer por Portugal e eu ficava sempre com vontade de participar ou de dar mergulhos numa piscina.
Agora ao olhar para a RTP memória achei tudo muito estranho....
Ouvia-se o Eládio Clímaco a falar e sempre o italiano como voz de fundo. A R nem conseguiu acompanhar a tradução. O júri apitava em francês. A confusão completa. Depois a memória que tenho é de muita cor e achei tudo muito descorado. Elas não vibraram nada com o meu entusiasmo a recordar os júris e as regras do jogo e a parte das imagens das cidades dos diferentes países.
Lembro-me de me divertir imenso. De achar os jogos animados, uns até bem difíceis!
Mas ao vê-los agora foi assim um pouco desenxabido.
Elas estavam a achar um bocadinho seca. Principalmente a mais velha....
Verdade verdadinha....até eu já não achei a mesma piada.
Mas foi bom recordar! Ainda me lembrava da música!
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Das tripas coração
Tenho saudades de mim.
De me ouvir rir com vontade.
De estar comigo.
De respirar fundo.
Do silêncio que vem de dentro e traz a paz com ele.
De pôr os pensamentos em dia ou de passar um dia sem pensar.
Até me fartar de mim.
Cansei-me de ver vir ao de cima o pior que há em mim, direcionado a quem merecia o melhor.
É como se constantemente fosse posta à prova mas não passe no teste...ou nem sequer tente fazê-lo.
Falho.Todos os dias.
Falho porque já não tento. Não com todas as forças.
Ouço conversas nas mesas do lado.
De outras vidas que passam ao lado da minha.
Vários assuntos ...mestrados, empregos, arborismo, relações, recordações de infância, tatuagens, receitas de saladas.... alguns palavrões à mistura...
Estas decorrem à sombra.
Ao sol, estão turistas a beber copos de vinho verde fresco e canecas de cerveja. Não os ouço.
Nunca estamos bem.... quando chove queremos sol.....mas procuramos a sombra quando ele chega.
Ouço-as rir nas brincadeiras na água.
Arrependo-me do meu cansaço, da minha falta de paciência, da irritabilidade na voz e no olhar.
Do que digo todos os dias e me satura ainda antes de abrir a boca...."Está quieta; Senta-te direita; Tira os dedos da boca; Fala mais baixo; Apanha as coisas do chão; Baixa o som da TV; Cala-te um bocadinho"...
Do pouco esforço para o dizer de outra forma, já que ficar só calada não é ser mãe.
Imagino que elas também se cansem. Que percam a paciência. Que se irritem.
A primeira vez que ouvi um "chata!" quando virei costas, estremeci. Caiu-me o coração aos pés.
Em tempos ouvi que mãe que é verdadeiramente mãe é chata. Mas ser A chata custa.
Custa porque cansa. Seria mais fácil fingir que não vejo. Fingir que não oiço.
Mas aí sim, falharia.
É nesta bipolaridade que assenta uma mãe.
Respirar fundo por falta de paciência, para logo a seguir respirar fundo de culpa.
Precisar de espaço e logo a seguir de abraços apertados.
Num dia encher o fogão de amor em forma de tachos e panelas de sopa e noutro dia nem sequer querer cozinhar.
Talvez seja por fazer das tripas coração que há dias de não poder com uma gata pelo rabo.
São precisas tragédias fora de nós para pensarmos na sorte que temos.
No que tem valor. No que vale a pena ser dito. No tempo que voa e se perde.
Para que se instale a certeza que o todo esforço vale a pena.
Que o cansaço talvez seja bom sinal. Sinal desse esforço.
Para me lembrar que elas merecem sempre o melhor de mim. Ainda que tente e falhe.
Para não esquecer que eu também preciso do melhor de mim. Sem falhar.
De me ouvir rir com vontade.
De estar comigo.
De respirar fundo.
Do silêncio que vem de dentro e traz a paz com ele.
De pôr os pensamentos em dia ou de passar um dia sem pensar.
Até me fartar de mim.
Cansei-me de ver vir ao de cima o pior que há em mim, direcionado a quem merecia o melhor.
É como se constantemente fosse posta à prova mas não passe no teste...ou nem sequer tente fazê-lo.
Falho.Todos os dias.
Falho porque já não tento. Não com todas as forças.
Ouço conversas nas mesas do lado.
De outras vidas que passam ao lado da minha.
Vários assuntos ...mestrados, empregos, arborismo, relações, recordações de infância, tatuagens, receitas de saladas.... alguns palavrões à mistura...
Estas decorrem à sombra.
Ao sol, estão turistas a beber copos de vinho verde fresco e canecas de cerveja. Não os ouço.
Nunca estamos bem.... quando chove queremos sol.....mas procuramos a sombra quando ele chega.
Ouço-as rir nas brincadeiras na água.
Arrependo-me do meu cansaço, da minha falta de paciência, da irritabilidade na voz e no olhar.
Do que digo todos os dias e me satura ainda antes de abrir a boca...."Está quieta; Senta-te direita; Tira os dedos da boca; Fala mais baixo; Apanha as coisas do chão; Baixa o som da TV; Cala-te um bocadinho"...
Do pouco esforço para o dizer de outra forma, já que ficar só calada não é ser mãe.
Imagino que elas também se cansem. Que percam a paciência. Que se irritem.
A primeira vez que ouvi um "chata!" quando virei costas, estremeci. Caiu-me o coração aos pés.
Em tempos ouvi que mãe que é verdadeiramente mãe é chata. Mas ser A chata custa.
Custa porque cansa. Seria mais fácil fingir que não vejo. Fingir que não oiço.
Mas aí sim, falharia.
É nesta bipolaridade que assenta uma mãe.
Respirar fundo por falta de paciência, para logo a seguir respirar fundo de culpa.
Precisar de espaço e logo a seguir de abraços apertados.
Num dia encher o fogão de amor em forma de tachos e panelas de sopa e noutro dia nem sequer querer cozinhar.
Talvez seja por fazer das tripas coração que há dias de não poder com uma gata pelo rabo.
São precisas tragédias fora de nós para pensarmos na sorte que temos.
No que tem valor. No que vale a pena ser dito. No tempo que voa e se perde.
Para que se instale a certeza que o todo esforço vale a pena.
Que o cansaço talvez seja bom sinal. Sinal desse esforço.
Para me lembrar que elas merecem sempre o melhor de mim. Ainda que tente e falhe.
Para não esquecer que eu também preciso do melhor de mim. Sem falhar.
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