sábado, 22 de agosto de 2015

Como se fosse ali

Falta-me...
O ar seco e o cheiro doce da alfarroba.
Os passeios pela marginal sem pressa. Sem objetivos. Só ir para lá e voltar para cá.
Decidir entre cone ou copo.
As bancas de colares e pulseiras, iluminadas por petromax. Ouvir o mar sem o ver.
A areia fina.
A terra laranja.
Mergulhar.
Os chinelos nos pés e o sal na pele.
Perder a noção dos dias.
Estender a toalha.
Desligar o despertador.
Tirar o relógio.

Rumar a sul.

Queria respirar Lagos.
Ir à Meia Praia, junto ao forte.
Mergulhar na Batata.
Calcorrear as ruas que conheço quase de cor.
Como se ali fosse a minha casa.



terça-feira, 18 de agosto de 2015

E há domingos de trepar paredes

Há domingos só assim. Caseiros. Entediantes. Diria também necessários.

Depois há o oposto.
Domingos de trepar paredes. Literalmente
Uma alternativa à praia ou piscina em dias em que ameaça chover.
A mais velha já tinha experimentado e foi repetir.
À segunda vez até já dá para arriscar uma espargata.



A mais nova achava que não ía ser capaz. Queria experimentar mas numa parede mais pequena.
Afinal atirou-se logo à parede maior que ela umas 10 vezes.
Tomou-lhe o gosto e subiu, e desceu, 5 vezes!





E eu a vê-las passar. O desafio era encontrar arestas, buracos, frinchas, para apoiar pés e mãos e ir trepando. O pai fazia a segurança.




Seguiu-se tirolesa, slide e mergulhos.
Afinal havia zona de praia de rio e a água não estava assim tão fria e até só choveu ao fim da tarde apesar dos céus ameaçadores. Qual sofá qual quê?!
A aventureira mais nova só foi ao colo para não ter que se descalçar....privilégios dos seus vinte e poucos kilos.




Difícil? Até dá para relaxar!





E eu?
Eu, fui de chinelos.
Fiquei de fotógrafa.
Ainda deu para perceber que já há amoras e uvas e que o outono não tarda está aí...(isto nos poucos momentos de acalmia e quando não havia ninguém pendurado por cordas).



Além disso, já perdi alguma coragem que me assistia há uns anos, quer para alturas, quer para água fria.
Não trepei paredes, nem desci de rappel. Não atravessei as duas margens de tirolesa ou slide.

Ao deitar, dizia à R que para a próxima também fazia, que em tempos também já me tinha aventurado assim.
Ela abanou a cabeça. Disse que não me deixava fazer. Não queria ver-me lá em cima pendurada. Ía ficar preocupada comigo.
Ah pois....
E eu?!
A vê-las passar...
Mãe sofre!!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Coisas que são para ficar

É um bocadinho difícil para a R despegar-se de alguns dos seus pertences.
Não gosta de se separar de livros que já não lê, de calçado ou roupa que já não lhe serve. Pelo menos daquelas que como ela diz "Tem boas lembranças".

Na arrumação do quarto dela, tento que ela se desfaça de alguns bens materiais, numa esperança de destralhar. É uma tarefa sempre complicada...ou ela não gostava mesmo das coisas e aí não há problema, o que é raro....ou então quer guardar tudo para mais tarde recordar....e recordar...e recordar.
No top das coisas que ela quer guardar para todo o sempre está um fato de banho de elásticos peganhentos com a lycra a desfazer cujo destino seria lixo....mas ela descobriu a tempo e lá ficou em standby porque "tinha muito boas recordações dele".

Nesta tarefa de negociação que desgasta qualquer mãe sugeri que ela desse a outras crianças uma mala da Hello Kitty que ela já não usava muito até porque já nem é muito fã desta personagem.
Respondeu: "Oh mãe, essa não..."
Mas porquê R? Mais uma coisa a ocupar espaço....(e mais meia dúzia de rebéu béu beus numa tentativa de argumentação que eu sabia iria cair a qualquer momento).

R - "Essa não queria dar porque foi a Mia que me ofereceu."

Ela costuma lembrar-se quem lhe ofereceu as coisas, mas costuma ser ou a avó, ou a tia, ou o primo, ou amigos... e costuma ser também motivo para não as querer dar, porque acha sempre que a pessoa iria ficar triste se soubesse.
Não sei como a R se lembra de ter sido a Mia a oferecer-lhe aquela mala, no dia que fez 4 anos.
A Mia, é uma amiga minha. Era, talvez seja a palavra certa. Deixou-nos 1 ano e uns meses depois desse dia.

À R não consegui responder. Apanhou-me de surpresa. Esperava qualquer resposta, menos esta.
Estava preparada para argumentar...mas calei-me.
Sorri-lhe e disse que então só ía lavar a mala e guardar.
Fui ver as fotografias dos 4 anos da R. Eu achava que não tinha fotografias da Mia.
Afinal há coisas que eu também quero guardar.


sábado, 15 de agosto de 2015

15 agosto - Arrumar o quarto ou 20km de fila na Marateca?

Há quem vá de férias.
Há quem venha de férias.
Ouvi dizer que havia 20k de fila na Marateca no sentido Norte - Sul.

Eu cá nem vou para baixo, nem para cima.
E como escapei à fila dos 20Km achei por bem meter-me noutra empreitada.
Vai de arrumar o quarto de uma das filhas. Desta vez calhou o da mais nova.
O pior é que decidi fazer isso com ela em casa....Onde é que tinha a cabeça.....

Passei lá talvez mais tempo do que os da Marateca e pior é que não terminei o dia com um mergulho na praia nem com um passeio na marginal para comer um gelado. Fechei a porta por hoje para bem das minhas costas. A boa notícia é que a miúda pode lá dormir hoje. A má (para mim) é que o que ficou do lado de fora do quarto não sei para onde vai entrar...Isto porque o pai já nem pode ouvir a frase "Há espaço na garagem?"...

Precisava de um sotão, ou de um "Quarto dos brinquedos" ou apenas dum grande armário daqueles onde se enfia tudo e de repente a casa está um brinco!


E falta ainda vasculhar as caixas onde se vai pondo tudo o que vai aparecendo e não tem sítio definido. A minha empregada chega a utilizar tupperwares para este fim. Bem, posso dizer que até já taças de cristal, daquelas que nos oferecem de prenda de casamento servem... Cabe lá de tudo...ele é peças de puzzles, ganchos, canetas, brinquedos do MAc, puxos do cabelo, botas de mini bonecas, peças de Lego, tampas de marcadores, papelinhos, rebuçados, óculos de sol, cartas, cromos, autocolantes....é tipo uma caça ao tesouro!
É daqueles momentos em que se colocasse tudo num saco preto grande ficava com as caixas vazias num instante e duvido que algum dia sentisse (ela e eu) a falta de alguma das coisas...



Mas não.
Vou-me sentar e dividir por secções o conteúdo de tupperwares, caixas, e taças de cristal.
Para concluir que metade é lixo, e a outra metade eu preferia que fosse porque se for para guardar já não me sobra espaço nem ideias.
E é geralmente nesta caça ao tesouro sem mapa e sem pistas que ouço "Ah....olha era aqui que estava esta peça!" acompanhado de outros ares de espanto e admiração. É também nesta altura que percebo para onde vão todas as borrachas que compro ao longo do ano para a escola e duram 3 dias até desaparecerem. Acontece o mesmo a algumas afias e lápis.

Não sei mesmo o que será pior....se isto, se a empreitada da roupa, se os 20km de fila na Marateca!
Pelo menos fico indiferente ao tempo e à temperatura da água do mar!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Go go go!

Um dia aprendemos a largar as rodinhas da bicicleta.
Percebemos o que é o equilíbrio. Conquistamos confiança.
Ainda hoje me lembro do dia em que aprendi a andar de bicicleta.
É coisa para recordar toda a vida.

Um dia temos coragem para deixar a margem e levantar os pés do chão.
O medo vai ficando para trás, vencido pela sensação de vitória.
Ainda nos agarrámos a bóias de segurança durante um tempo.
Se calhar até sabemos que já nem precisamos delas, mas estão ali, pelo sim pelo não, porque a confiança não chega, porque se torna mais fácil, porque não nos deixam afundar.
Arriscar é sempre um SE...é uma decisão nossa. Vai-se adiando. Temos medo.
Até ao dia em que as bóias de segurança ficam para trás.
Nesse dia arriscámos zonas sem pé. Nesse dia percebemos que afinal conseguimos.
E então vamos deixando a margem cada vez mais longe.
Ainda hoje me lembro da sensação de ter conseguido nadar.

A R achava que nadar era difícil, que lhe parecia que nunca iria conseguir...
Mas esse dia chegou.
Afinal acreditou que era capaz.
Mais uma conquista!
A terminar com saltos para a água na zona de 2m!





quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Deixa-me aclarar-te a mente amigo

Eu ía.
Eu até te levava lá. A sério.
Íamos hoje ver os "Deixa-me aclarar-te a mente amigo", mais conhecidos por D.A.M.A.
Até porque eu também gosto e até já sei letras de cor.

Até fica perto.
Apesar de serem lugares em pé, parecia-me um sítio menos confuso que uma Expofacic ou uma Queima das Fitas, ou um Festival de Verão para os teus 1,25m.
Sim, eu sei que já fui a um Rock in Rio quando a I tinha apenas uma meia dúzia de anos...mas ou ela me parecia maior ou eu era mais doida. Não, não era isso. É que sendo estes moços portugueses haverá mais oportunidades de os ver por aí. A Miley Cirus (que se esperava que fosse mais Hannah Montana) era quase um acontecimento. E a I nem era das mais novas no concerto.

Mas tens só 9 anos e pico, e as leis do jogo não me deixam levar-te a uma sala de espetáculos dum casino. Precisavas de ter 10 anos. Ela diz que não dá. Mesmo!
Hoje disseste porque é que eu não tinha engravidado antes e assim já tinhas 10 anos agora...pois....na altura estava longe de me imaginar a fazer contas com este objetivo de te levar a um casino em 2015 para ver os D.A.M.A! Desculpa-me essa falha de logística no planeamento.

Também temos a hipótese de 15 agosto na Praça de Touros...mas 15 de agosto, que coincide com a festa da Nª Srª Assunção, não me parece ser o melhor dos dias.

Esperamos pelos lugares sentados dum Coliseu, ok?
Ou pelos concertos mais intimistas num Mac perto de nós.


Caros "Deixa-me aclarar-te a mente amigo", toca a agendar isso para eu levar a miúda de 9 anos e pico. Também pode ser num cineteatro, por exemplo no TAGV... Já agora arranjem lá forma de lhe dar um autógrafo e tirar uma fotografia com ela. Combinado? 
Uma mãe agradecida.









quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Um livro a meias

Geralmente é em férias sem elas que consigo ler um livro. Quem sabe até dois.

Em viagens com elas, nem que sejam férias cá dentro, costumo carregar um livro, nunca dois, e raramente o abro. Elas já estão mais crescidas, mas ainda assim não consigo descansar os olhos nas páginas de um livro e deixar-me absorver. Foram muitos anos a tê-las sempre debaixo de olho, ao perto e mais ao longe....ver quando vão molhar os pés, quando vão encher o balde, quando fazem castelos de areia, quando mergulham na piscina a ainda nadam mal, quando vão comprar um gelado....Além disso há as constantes conquistas que querem mostrar e o "mamã olha!...o pino, o mergulho de cabeça, o cabelo na frente da cara"... torna-se uma constante tão presente que às vezes já nem são elas a chamar e eu olho na mesma!
São anos de vícios que uma mãe não abandona facilmente. Depois finalmente quando elas se deitam, o sono vence e o livro fica adiado, pousado na mesa da cabeceira, isto se chegar a sair da mala.

Desta vez, além do livro que cada uma de nós levou para Veneza, o best seller deste verão foi também na bagagem. O êxito de vendas mais rápido de sempre dizem os especialistas.
Comprei a 1ª edição em junho. Vai na 8ª!

Começamos a ler em conjunto. A designação de "thriller arrepiante" cativou-a. A mim também.
Acompanhou-nos nas viagens de comboio, ao deitar e no avião.
Líamos em conjunto e em silêncio nas viagens, e em voz alta, vez à vez, quando estávamos só as duas. A mim dava-me o sono mais vezes. Ela continuava a leitura sozinha e depois não conseguia conter o desenrolar do enredo e queria adiantar partes da história.

"A rapariga no comboio" foi também uma companhia de viagem.
Ao abrir descobrimos que a rapariga se chamava Rachel. Achamos curioso. Sorrimos.
Começamos a lê-lo no comboio Bolonha-Veneza.
O mais giro era partilhar com ela a vontade de passar ao capítulo seguinte, o trocar de olhares quando o enredo dava uma volta, as conjeturas sobre o que iria acontecer, ou a quem, ou como....
Acho que nunca tinha lido um livro de crescidos a meias.

Talvez seja algo que nunca esqueceremos.