quinta-feira, 30 de outubro de 2014

As bruxas nunca viram dias assim!


O ano passado por esta altura, andava em preparativos para o Halloween.
Procurava meias e mangas compridas alusivas ao tema, camisolas pretas para usar por baixo das roupas finas de fatos de bruxa, saias de tule ou lençois.
Não precisei de procurar as botas pretas porque já andavam a uso.
Já estava frio.
Já chovia.
Já apetecia o calorzinho das velas no laranja das abóboras. Fazer doce com o recheio. Acompanhar com nozes. Assar castanhas. Só de pensar já fico com calor!

Como se veste uma bruxa ou outro ser fantasmagórico, supostamente horripilante e assustador, com 30ºC?!
Já estou a ver a verruga a derreter....

Estava numa de ir passar o Halloween mais numa versão Luau, by the beach!
Já me imagino a esculpir umas abóboras em areia!





Dos 0 aos 100.


As notas dos testes.

I - "Mãe já recebi a nota do teste"
Eu - E então?
I - (não falou, acompanhou uma expressão de desalento com o gesto de polegar para baixo)
Eu - (em cerca de meio segundo, acompanhei expressão de surpresa, estranheza porque lhe tinha corrido bem, com "ó pá coitada da miúda", com várias interrogações na minha cabeça, com outro "Então?")
I - Tive 88%...
Eu - Isso é muito bom!
I - Não, é Bom.
Eu - Sim, mas é uma boa nota. Ficaste a 2 pontos do Muito bom!
I - Pois eu sei, mas podia ter tido mais. Estou chateada porque errei em coisas básicas.

É nesta altura que dava jeito ter à mão um livro daqueles da coleção " (...) para Totós".
"Psicologia para pais- edição de bolso"

Possíveis respostas para continuação do diálogo:
          A - Sim, concordo, na verdade podias ter tido mais.
          B - Acho que foi uma boa nota mas podias ter feito melhor.
          C - 88% já é uma grande nota, não te preocupes com isso!
          D - 88% é muito bom e se erraste em coisas básicas no próximo vais ver que consegues subir!
          E - A solução é estudar mais!

Eu optei pela versão D.
Reconheci-me no discurso dela. Percebo-lhe a irritação. Sei que estudou.
Já em testes anteriores fui eu que lhe disse que se não tivesse errado nas coisas mais básicas o resultado teria sido melhor, e ela ficaria mais contente com ela própria por ver que o que estudou deu os seus frutos.

No domingo ouvi-a dizer "Nem que me deite à meia noite mas tenho que acabar de ver a matéria toda!".

Talvez me digam, que sorte a tua, pelo menos ela gosta de estudar, é empenhada e responsável.

Mas preocupa-me esta desilusão com um 88%?!
Talvez. Talvez não.
Falta-me o tal livro para totós. Só tenho o bom senso de mãe. Espero estar a fazer tudo bem. Tudo não, que é impossível, que sei que falho. Mas pelo menos, um bocadinho bem.

Continuo a achar que estas escalas dos 0 aos 100 não medem TANTO do que ela É.
Não refletem TANTO do que os miúdos SÃO! Ou TANTO do que lhes FALTA...

Sei que agora 20% da nota final a uma disciplina é atribuído ao comportamento, mas não gosto desta palavra.
Sei que geralmente é utilizada para avisar que caso o comportamento seja mau a nota pode baixar, ....nunca ouvi dizer se tiveres um comportamento adequado a nota pode subir.
Depois, resta saber como se mede o dito comportamento. Como se quantifica?
Portar bem ou mal......sentadinho, direitinho, não mexe, não vira para trás, não deixa cair a caneta, não sussurra, ....

Lá no mais profundo do meu ser, de mãe, ainda que totó, só quero mesmo é vê-la feliz!









terça-feira, 28 de outubro de 2014

Peso nos ombros

Hoje de manhã à saída para a escola.

R - "Amanhã posso levar a bola?"
Eu - Podes. Até podes levar hoje. Se a mana te deixou levar ontem não se deve importar.
R - "Hoje já levo este telemóvel, se levo a bola também é responsabilidade a mais. É melhor uma coisa de cada vez."
Eu - (...)

Contextualizando...
Nota 1: O telemóvel é a sério mas está partido e não funciona.
Nota 2: Ambas os objetos inanimados são da irmã.
Nota 3: No outro dia a bola acabou no telhado. Julgou-a perdida para sempre.
Nota 4: Tinha havido vários avisos prévios da irmã para que tivesse cuidado com a bola.
Nota 5: Alguém tirou a bola do telhado, mas chegou-lhe para o susto!


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A minha educanda

Há uma altura na vida, em que deixamos de ser conhecidas pelo nosso nome e passamos a ser a Mãe da (ou do) X, Y, Z.
Eu cá transbordo de orgulho por ser conhecida por mãe da I e mãe da R.
É assim até como que uma sensação de conquista por trás de uma aparente perda de identidade. 
A minha lista de contactos no telemóvel tem uma infinidade de números começados por "Mãe de.....".
Sinto que entre mães se partilha este gostinho especial por sermos assim conhecidas. 

Por outro lado não gosto nada de ouvir quando se referem às minhas meninas com um singelo e impessoal "A sua educanda".

 s.f. Aquela que recebe educação em locais próprios e destinados a esse propósito.
(Fem. de educando)


A definição está certa.
Ela está para mim como educanda como eu estou para ela como encarregada de educação....

Mas a minha educanda tem nome!
Eu sei o nome dela e gosto de pensar que alguém na escola também sabe. E até sei que sabe.
Custará assim tanto tratar a minha educanda pelo nome dela quando falam comigo ou quando me escrevem um recado?

Eu nem me considero muito comichosa ou picuinhas, mas este tipo de coisas que tocam na minha condição de mãe da I e da R despertam mais que o meu lado lunar! Até aceito que seja apenas uma questão formal e não intencionada, mas não deixa de ser impessoal.

Não me dou com estes formalismos. A sério!
Onde está o sermos todos pessoas!!???!
E principalmente pessoas diferentes umas das outras?!??!
É por isso que hoje em dia o lado humano parece estar fora de todas as equações.
Somos todos números em páginas excell para fazer contas e entrar em estatísticas de sucessos ou dados de pouco ou muito crescimento do que quer que seja.
Só ouço falar em "casos", "números", "taxas", "episódios"....parecemos farinha do mesmo saco.

Estamos a precisar de forma urgente de humanização!




quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sem sapato de cristal

Foi escolhido como o melhor hotel do mundo para casar.
Passamos por em Abril deste ano.
A R ficou deslumbrada com o espaço.
Sentiu-se princesa por umas horas.
Só lhe faltava o vestido, o sapatinho brilhante e os caracoís em canudo.
Adorou o biscoito que acompanha o café.

Não sou dada a grandes reposteiros, a tapetes pesados e peças de decoração antigas.
Mas reconheço a imponência e beleza do espaço interior e exterior.
Impera o bom gosto e tudo parece encaixar perfeitamente num ambiente palacial.
Respira-se calma. O tempo parece parado noutro século.

Exploramos os vastos jardins, onde correram de meias... (ups)....não levei os sapatos de cristal.

Ficou a vontade de voltar.
Ela espera um dia lá dormir. Acordar. Tomar o pequeno almoço.
Princesa por dia e noite.
Quem sabe um dia....



terça-feira, 21 de outubro de 2014

Desacelerar


Sou moça de dores de cabeça.
Daquelas que quando começam já não arrepiam caminho.
Chegam geralmente com aviso prévio e mais ou menos à mesma hora.
Foi assim a semana passada. Associei-as ao clima tipo capacete.

Ontem foi diferente.
Chegaram já tarde, sem aviso prévio. Ao início da noite. Ao entrar em casa.
E estamos praticamente no verão! Do efeito capacete não será.

Comentei em jeito de desabafo com as meninas: "Doí-me tanto a cabeça. Nem sei bem porquê..."
E a minha I diz-me assim: "Porque és uma grande mãe!"
- Não sou nada.
- "Ai és és! Só as grandes mães é que são assim."

Decidi não teimar mais.
E as minhas duas meninas iniciaram uma sessão de massagens numa tentativa de me livrarem das malditas. Não sei se foram aqueles mãozinhas mágicas, o abraço de grupo ou o comprimido, mas melhorou.

Eu podia ser uma grande mãe sem as dores de cabeça. Não dá?!
O truque talvez esteja no abrandar.
Se não for possível abrandar, pelo menos vale a pena desacelerar.

O poema não é meu. Mas vai bem contra as dores de cabeça.



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Beleza


Há dias que preciso que corram simples.
Simples mas não necessariamente devagar.
Daqueles em que a decisão mais difícil seja do mesmo grau que decidir se lavo primeiro roupa escura ou roupa clara, ou se tomo café em casa ou vou na rua.
Dias que começam com um "Mãe, fazes panquecas?"
E eu faço.

Sou assaltada por frases feitas.
Nada acontece por acaso.
Que é como quem diz, Tudo acontece por uma razão, com um fim.

Custa-me ver as razões de alguns Tudos.
Ou chamar Nada a tanto.
E o acaso parece ter muito que se lhe diga....

Falta-me o ar.
Uns dias de remar contra a maré, outros de não ter força, outros de sentir que perdi os remos.
À deriva.

Nestes dias em que afinal decidi lavar primeiro a roupa suja, avaria-se a máquina.
E no meio do simples, tudo se complica.

Mesmo à deriva chego ao fim do dia, sem no fundo ter chegado a lugar nenhum.
Espero que a casa durma, que não me façam mais perguntas.

- R, vai buscar o teu pijama.
-" Oh mamã mas já me lavei sozinha. Não foi uma beleza?!"

Sim, é isso. Foi mesmo uma beleza!
E são estes momentos de cor, em frações de segundo, que fazem tudo valer a pena!
São os Tudos.