sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Os "Não gosto"


E depois dos Gostos , também posso dizer do que não gosto. 


Sardinhas
Flores artificiais
Gente complicada
Correr
Andar à chuva
Chegar atrasada
Não ter tempo
Mexer em giz
Ventania
Mentiras
Manias
Ambientadores no carro, em casa ou onde quer que seja
TV em alto som
“Diz que disse”
Levar o carro à oficina
Burocracia
Ter o nariz entupido
Falsidade
Intrigas
Horários fixos
Trovoada
Centros comerciais aos fins de semana
Perder coisas
Carros de 3 portas / 5 lugares
Roupa com caras de gente
Ter os pés frios


(Lista com fortes probabilidades de atualização)
Estranhamente esta lista é mais pequena que a dos Gostos.
Ou é bom sinal ou estou mesmo a esquecer-me de muita coisa.....

Assim sou "Yo, Claudia"
Parte II



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Está um bicho na banheira!


Chego a casa.
Olho para o saco com maçãs do quintal da minha avó Cila. A avaliar pela falta de alinhamento das árvores de fruto suponho que terei sido eu e os meus primos que "plantamos" algumas das macieiras, quando atirávamos caroços para o quintal, no jogo de "a ver quem atira os caroços mais longe". Acho que até comíamos mais fruta à custa disso!
Decido tratar das maçãs antes que acusem a falta de corantes e preservantes.
Tarte de maçã.
Não sei do meu caderninho de receitas. Procuro-o em vão. Prestes a desistir, salva-me a internet.
A R ajuda na parte das misturas da farinha. Tudo caseirinho.
Ligo o forno.
Telefonema da I. Mais uma torcidela do pé. Desta vez na dança. Faz gelo.
Faço figas para que não seja nada de especial.
Não a posso ir buscar, a tarte está no forno.
Já quase não doi.
I chega. Vestem-se. Puxos no cabelo. Saem para a ginástica.


Tiro a foto antes que alguém chegue e corte a 1ª fatia!
Ainda sobraram maçãs.
Olho para o relógio:19h25.
Estou na cozinha desde as 18h.
Segue-se doce de maçã.
Pau de canela, açucar amarelo, sumo de lima, e 4 frasquinhos a esterilizar como quem fervia biberons há 12 anos atrás....


O doce já está.
Podia sentar-me. Mas não.
Há que aproveitar que o forno está quente e vai de fazer quiche de frango e legumes, a acompanhar com saladinha de tomate mini mini mini cherry do mesmo quintal. Desta vez sem a R para ajudar nas farinhas.
Jantamos a dois.
Ainda falta o jantar das meninas, já que do acima descrito o mais certo seria não gostarem de nada.

Fui buscá-las. A I não se queixa tanto do pé.
Passa das 21h, mais que horas para jantar.
Cheirava bem! Afinal gostaram da quiche, com legumes e tudo! "Mãe tens que fazer mais vezes!"
Da tarte de maçã foi tratando o pai da casa. E a mãe, vá, diga-se a verdade.
O pior mesmo foi ter-me dado para a culinária intensiva no dia em que tenho a máquina de lavar loiça avariada...
Pronto, não é assim tão grave. Está tudo orientado.
Já quase não ligo a TV.
Fartei-me das notícias de Última Hora, que falam de impostos, cortes, e taxa de desemprego.
Lavo a loiça sem pensar em nada. Gosto do silêncio.

Faltam os banhos. A I despacha-se sozinha. A R está nos mimos, cansada. Pede massagem no pescoço, pomada na mão e curativo com ligadura e ainda pergunta se dá para lhe pintar as unhas. Rosa forte.
Chega a vez do banho dela. "Mãaaaaeeeeee, está um bicho na banheira!!!"

Felizmente nada que se compare a um bicho amazónico!
Já lhes apetece pijamas mais quentes, mantas para estar no sofá, aconchego.
Cheira a outono.
Estou cansada.
Há dias assim. Perfeitos.


de pequenina....

A R arranjou um trabalho.
É ajudante na biblioteca da escola.
Pega às 13h.
Está no 2º turno. 1 dia por semana. 

Há uns dias falou-me nisto mas tinha decidido que não queria porque não sabia se ía conseguir chegar a tempo depois do almoço. Eu não disse nada.
Entretanto lá pensou melhor. Decidiu inscrever-se.  
E foi a título informativo que me disse que a partir de hoje tinha este trabalho...
Anunciou " Sou ajudante da biblioteca" com o mesmo entusiasmo que diria "Sou ajudante do Pai Natal na fábrica dos brinquedos!".
Acrescentou que como ainda havia vagas ofereceu-se.  
Não perguntou sequer o que achavamos, se fez bem, se podia ser. Nada.
Ontem já estava a avisar que tinha que almoçar e ir logo para lá!
E já perguntou se para a semana podia almoçar na escola para não se atrasar!

Aos 8 anos, "Fez a festa, atirou os foguetes e apanhou as canas!"

É assim esta minha R.
Não pensa muito no mesmo.
É muito do "Chuta para canto" ou do "Tô nem aí".
Decidida. Teimosa.
Despachada, apenas para assuntos do seu próprio interesse.

Antevejo muita dor de cabeça.... e tenho definitivamente que trabalhar o meu poder argumentativo....

Pelo menos lá responsabilidade com o trabalho tem!
É de pequenina que se começa....

 







quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Gostos



Gosto de:

Cheiro de terra molhada
Mar
Praia
Sorrisos
Fotografia
Viajar
Planear viagens
Ler
Sardinhadas sem sardinhas
Bonsais
Ervas aromáticas
Natal
Ter planos
Não ter planos
Gatos
Dormir
Ervilhas de cheiro
Cozinhar
Caminhar
Escrever
Reencontros
Tremoços numa esplanada
Sol
Luz de Outono
Castanhas assadas
Rir até doer a barriga
Rir até chorar
Cheiro a maresia
Som de gaivotas
Amores perfeitos
Dias compridos
Dias livres
Pôr do sol na praia
Espaço
Sossego
Abraços
Mimos
Cheiro doce a alfarroba
Chuva quando estou em casa
Chá
Listas

(Lista com fortes probabilidades de atualização)

Assim sou "Yo, Claudia" 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

41-52 Entretida

    entretida
    uns minutos
    enquanto chove
    enquanto decido o almoço
    enquanto a irmã precisa de espaço
    

    Porque é que não havia disto quando eu era pequena?
    Um dia destes fico eu entretida com isto e alguém que pense no almoço!
    


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"Por onde me dão."

Há dias em que me apercebo do que cresceram pelas calças que ficam curtas, pelos sapatos que deixam de servir, pela cobiça pelas minhas roupas, pelo espaço que ocupam na cama, principalmente quando se espreguiçam.
Lá vai o tempo em que cada uma podia estar encostada no seu braço do sofá, sem que os pés se encontrassem ao meio. Agora os pés e parte das pernas passam a linha invisível que separa os dois lados do sofá. O espaço que havia no meio para mim vai encurtando.

Há uma resposta tipíca de mãe (das babadas) para quando nos perguntam pelos filhos, pelo tamanho deles, quando nos dizem "imagino que estejam enormes" e nós dizemos com aquele orgulho que não se mede "Já me dá por aqui" e vamos apontando para as diversas partes do nosso corpo por onde os filhos nos dão.
Passei algum tempo a dizer que a I me dava por aqui, apontando para a base do pescoço.
Nem eu tinha ainda reparado que o "por aqui" já há muito tinha passado a linha do queixo.
Daqui a nada não me dá por lado nenhum. Vai-me ultrapassar.
Sei que hei-de acompanhar a frase "Está uma crescida" com o gesto da mão a passar por cima da minha cabeça, quando me perguntarem por ela.

A R vai subindo mais lentamente. Ela própria mede as suas conquistas em altura pelos armários da casa, pela bancada da cozinha, pelas prateleiras onde já chega sem um banco e por mim.
Gosta de ver por onde me dá, como se eu fosse uma régua daquelas que se penduram nos quartos das crianças, onde se registam etapas, ou das que há no pediatra para a curva do percentil. Encosta-se a mim e já é ela a dizer "Já te dou por aqui!".

E é também neste por onde me dão, que me apercebo do que crescem.
E do que enquanto crescem, eu aprendo.
Penso nas regras, nas que tentei, nas que nunca implementei, nas que deixo cair por terra.
No que gostava de ter feito melhor. No que se pudesse mudava.
No que ainda vou a tempo. Nas certezas que conquisto.

E quando adormecem e deixamos para trás a lufa lufa do dia, naquele instante em que parece que me dão só pela cintura, estas são as certezas que tenho.

- Dá-lhe colo mesmo que ela não peça.
- Deixa-a soprar a espuma do banho para o teu cabelo.
- ACREDITA nela.
- Diz-lhe que chorar às vezes faz bem.
- Limpa-lhe as lágrimas.
- Aperta-a de mimos.
- Abraça-a.
- Acorda-a devagarinho.
- CUMPRE as promessas.
- Dá-lhe a mão para dormir.
- Sorri-lhe.
- Não desvalorizes o que lhe vai na alma.
- Ouve-a.
- Acalma-a.
- Diz NÃO quando for preciso.
- Diz-lhe que gostas dela. Muito. Muitas vezes. 
- Faz-lhe um curativo mesmo que a ferida seja pequena.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Haja pulmões!

Mais um TPC. Estudo do Meio.
Enquanto ela fazia uma ficha sobre as funções digestiva e circulatória, eu dava uma vista de olhos pelo caderno dela, para ver o que era exigido e se as respostas dela estariam completas.

Deparei-me com uns "Sacos sanguíneos", depois de já ter visto há uns dias umas "glândulas salivais".
Perguntei se não seriam "vasos sanguíneos" e ela afirmava como se não existisse margem para dúvida:  "Estava assim no quadro!"
Respiro fundo e acrescento que não podia estar assim no quadro, que ela copiou mal porque mais acima até estava bem escrito, que talvez fosse melhor emendar, etc....
Emendo. Desata a chorar.
Apago. Desata a chorar. Afinal quer emendado.

Depois olho para o título que ela tinha escrito no caderno "A circulação circulatória ou circulação".
Voltamos ao mesmo diálogo.
Posso emendar para "A função respiratória"? Não achas que circulação circulatória não soa nada bem?
"A professora diz sempre assim!"
Emendo. Chora.
Apago. Chora.

Segue-se uma pergunta sobre a Grande e Pequena circulação.
Havia ali algumas confusões sobre isto, até porque no caderno estava diferente do livro.
Começo a duvidar se ela teria copiado bem do quadro....
Começa a ficar chateada comigo por eu duvidar dela. Chora. Com lágrimas e tudo.

Decidi desistir disto e jantar. Chora. Quer acabar antes de jantar.
Jantamos.
Agora com mais calma voltamos à carga.
Explico-lhe por A mais B que no livro é que está bem. Mas ela não está a entender. Acha que no caderno é que está certo.....e não foi assim que ouviu e até se lembra de um esquema e da corrida que fizeram na sala de aula, uns a fingir de coração, outros de oxigénio e nutrientes e outros de resto do corpo....

Insisto. Falo no livro. No livro está bem. Vemos no livro da irmã. O pai explica o mesmo.
Pergunto se quer ver na internet.

"Oh mãe, estão 25 crianças numa sala mais a professora dá 26 e ninguém falou em pulmões!", isto com ar impertigaitado e a gesticular.....(a quem é que ela sairá?!)

Estivemos uma boa meia hora nisto, por entre lágrimas.
Está cansada. Eu também. Aliás, eu já estava.
Não quer escrever como está no livro. "E se depois está mal!?"
Suspiro.
Ela chora.
Desisto. 
Ponho as cartas na mesa.
Só há duas soluções: Ou respondes como está no livro, ou não fazes essa pergunta e amanhã dizes à professora que no caderno estava diferente e não estavas a perceber.
Chora.
Suspiro.
Então como preferes fazer?
"Achas que é uma decisão fácil?" e sai disparada a chorar...

A miúda lá resposta na ponta da língua e pelo na venta tem!

Mas na verdade não é fácil. Entendo-a.
Ela queria que fosse eu a dizer à professora logo de manhãzinha porque é que lhe faltava responder a uma pergunta. Tinha medo que tivesse copiado mal do quadro e ainda levasse raspanete. Não tinha a coragem para dizer que não entendia. Achava que o que tinha no caderno é que estava bem.
E, dizia ela, e "na sala ninguém fingiu que era um pulmão!"
Tive que me rir.
  (Deve ter sido algo deste género....mas sem pulmões)

Começo a achar que é muita coisa para estas cabecinhas de 8 anos....
Para ela o coração ainda é só assim .....não tem lá sacos ou vasos ou circulações.....