quinta-feira, 10 de julho de 2014

26-52 - Fresh Herbs

Adorava ter um quintal.
Um recanto.
Uma sombra. Calma. Aromática. Fresca.
Teria um alpendre acolhedor, uma cadeira de baloiço, alfazema e verdes.
Serviria para dias quentes, fins de tarde preguiçosos e noites suaves.

Poderia estar só.
Poderia estar acompanhada. 
Poderia estar rodeada de amigos e petiscos, em torno de uma mesa de madeira. Noites de amena cavaqueira.
Poderia estar com as minhas meninas. Pintar. Jogar. Sempre a tal mesa de madeira.

Plantaria ervas aromáticas. Frescas.
Talvez framboesas e morangos.
Faria compotas, tartes e jantares de verão prolongados.

Falta-me o quintal, o alpendre, a mesa de madeira lá fora, a alfazema e a cadeira de baloiço.
Tenho uma porta-janela.
Tenho mangericão; cebolinho; hortelã; tomilho limão (este já teve melhores dias).
Basta-me abrir a porta. Não é o mesmo.
Mas o cheiro do mangericão e da hortelã, levam-me com eles.

A I disse há dias:
"É tão giro abrir a janela e ir assim cortar e usar logo estas ervas!"

Também acho.
É um bocadinho do tal recanto.
Algo fresco. Aromático. Verde.

Uma destas tardes de verão, vou expandir a plantação para a varanda, agora que as pombas a deixaram um bocadinho em paz.

Quem sabe framboesas e morangos?
Talvez uma mesa de madeira... e alfazema.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Manhãs submersas


Acordo mais tarde que o previsto. Ontem não alterei as horas do despertar.
O meu sono anda de tal forma profundo que não acordei com habituais ruídos matinais da casa ou vizinhança.
Continuo em modo alerta apenas para os chamamentos "Mamããããããã".
Esta noite não houve nenhum.
Sinto-me ainda submersa no sono. Misturo o despertar com fragmentos de sonhos.

Acordo-as em modo pressa. Estão submersas em sonos calmos.
Revejo lista de objetos/recomendações necessários para o dia que se segue. Tenho tudo.
Levo uma menina aqui. Levo a outra menina acolá.
Perco-me no caminho do acolá.
Páro na rua. Pergunto. A senhora desconhece o que procuro. E eu não sei explicar melhor. Desisto.
Troco de sentido.
Há-de ser por aqui.
A senhora a quem perguntei quando passei para um lado, aborda-me quando me vê passar novamente.
Ela própria mudou de lado. Parece até estar à minha espera.
- "Já sei o que a menina procura!".

Entretanto já tinha telefonado. Estava encaminhada.
Ouço a explicação.
Nunca é demais, e depois não tinha coragem de dizer à senhora que me tratou por menina que já não era precisa agora...
Valeu por este "menina".

Ainda assim escapa-me o sítio. Não está fácil.
Mais uma inversão de marcha.
Finalmente chegamos!

R diz mal sai do carro: "Tenho frio".
Logo hoje. Ontem tirei TODOS os casacos que tinha no carro. Na mala parecia ainda inverno.
Sei que não tenho lá nenhum. Ainda assim vou ver. Nunca se sabe se aparece um caído no meio dos bancos.
A R lança um olhar esperançado.
Decido rematar com um "Bem filha, só temos braçadeiras, guarda chuvas e guarda sol!"
Podia talvez ir buscar a casa....talvez não. Não. Não sei se tenho gasóleo para isso.
Pode ser que venham os tais 30 e muitos graus previstos pela meteorologia para esta semana.
Afinal pelo menos está sol.

Perguntam-me: "Trouxe lanche?!"
Mas era para trazer?! Só a mim.
Eu sei que não era. Revi a lista. Será que vi mal?! Será que o lanche era para esta filha?!
Pronto. Parece que era preciso mas não tinham dito.
Resolvem.
Do mal o menos.

Não me bastava ser a mãe que não leva casaco, agora era a mãe que não leva lanche?!
Estou submersa nesta manhã de segunda feira....
Abalroada por este(s) soco(s) de rotina matinal.










quarta-feira, 2 de julho de 2014

Ora toma!


Isto dos ensinamentos de mãe tem que se lhe diga....
Há que ter cuidado!
Afinal elas ouvem!
E não é que volta e meia o que digo faz ricochete?!?

Este ano tinha decidido ficar na bancada. 
Ver as meninas e os seus esquemas de ginástica que tanto treinam para saírem na perfeição em dia(s) de Sarau(s).
Apreciar o espetáculo. Fotografar. Filmar.
Sossegada.
Em aparente estado de calma. E quem é mãe sabe que é apenas aparente....
Cá por dentro vai muito mais que sentar e ver.
Há um esperar que lhes corra bem. Que fiquem felizes pela sua prestação. Que se sintam orgulhosas delas próprias. É o coração que parece saltar do peito.

Comentei com a I esta minha decisão de apenas assistir.
"Mas porquê, mamã?!"

Nem sei bem. Talvez as razões sejam só uma desculpa.
Talvez a verdade seja que começo a achar que estou velha demais para isto...
Que a festa é delas. Penso no que os outros possam pensar, dizer, criticar....

E é então que lá vem o ensinamento em versão ricochete:
"Mãe, queres participar?
Então, o que interessa o que pensam os outros?
O importante é fazeres o que gostas!"

Ali fiquei a olhar para a I.
Orgulhosa.
Ouviu-me.
Reconheci-me naquelas palavras.
Ouvi-a.

E pronto lá fui eu....com este subtil "Ora toma!".


Voluntária para a bilheteira.
A correr nos bastidores para mudar de roupa.
Marchei.
Fui mágica.
Dancei.
Sorri.
Diverti-me.
Consegui vê-las, inundada de um orgulho imenso e de um nervoso miudinho.
E ainda fotografei qualquer coisita.
Fiz de tudo, menos estar sossegada na bancada.

Elas gostam.
E afinal ....eu também.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Um brilhozinho nos olhos...


Em preparativos para os dias de Sarau de Ginástica da AAC, para além das roupas, e da saga dos penteados, temos também as pinturas!!!!

Dos bigodes brancos do velho Geppetto, passamos a uma sombra discreta, depois a um brilhozinho ligeiro.
O brilhozinho nos olhos aumentou.


Por estes dias ouvi:

"Mãe, tens lápis preto? 

(Acho que nem percebi logo que tipo de lápis era....)

"E rimel?"
"Posso levar as tuas sombras?


E lá levou.
Rimel
Sombras
Lápis preto
Base
Gloss
E partilhou com as amigas.
E ficaram lindas para a grande festa!





E é com um brilhozinho nos olhos que olho para ela.
Para a menina que não gostava de folhos, nem de brilhantes e muito menos de lantejoulas.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Palpitações em coração de mãe atarefada!


Semana em que se respira Sarau de Ginástica.
Treinos extra. Ensaio geral.
Além disso gostam de andar por lá a ver os esquemas das outras classes.
É o acontecimento do ano!
A bem da verdade, em dia de sarau nunca conseguem ver nada na azafama dos bastidores....

Preciso de uma agenda só para horários de treinos desfasados e listas de roupas!


Em véspera de mais um treino extra:

R - "Mãe é para levar amanhã os suspensórios!"
Eu - Suspensórios?!?! Mas o teu fato não tem suspensórios! Não tenho nada disso na lista!
(Palpitações)
R - Mas a treinadora disse que era para levar!
Eu - Tens a certeza?!? Mas o teu é cartola e capa de grilo! Os suspensórios são dos pinóquios!
(Mais palpitações) 
R - Pois também não sei mãe......
Eu - Não serão os acessórios?!
(O que vale é que as mães têm este traquejo de pensar a mil à hora, mesmo durante as palpitações!)

R - Ah sim, é isso!

Suspensórios, acessórios.....sempre rima.

Sei que depois deste episódio a R adoptou a palavra "Adereços". A treinadora também.
Palpita-me que não terá sido a única a falar em suspensórios....

E é já hoje! A 1ª sessão!
Sem suspensórios, mas com muitos adereços!
E amanhã há mais!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Por esta não estava à espera.....

Da série
"De outro século!"

Gostam elas que eu conte coisas da minha infância.
Que diga o que fazia, a que brincava, peripécias, coisas da escola, etc
Gostam também que ponha músicas no youtube que eu costumava ouvir.
Cada uma vai pondo as suas músicas preferidas. Vez à vez.

Numa destas noites comecei por Lloyd Cole. Jennifer she said.
Não me pareceram muito convencidas....
Mais estranham eu trautear a letra.

Passei para Tracy Chapman e o seu "Fast car" que eu adorava.
Então enquanto ouvíamos disse-lhes que foi das primeiras cassetes que tive e que costumava ouvir no meu walkman.

????????????
Dispara a mais nova: "O que é um walkman?"
Estava para abrir a boca quando a mais velha diz para a irmã:
"Eu depois mostro-te. Está no meu livro de história."

E por esta não estava à espera! Como?!
No livro de história?!?!?
Foi buscar o livro.
Lá estava numa página intituada "Objetos do quotidiano no séc XX"....
Uma lista de objetos, acompanhados de fotografia (claro) que qualquer quarentão identifica na hora!

Nos meus livros de história não havia walkmans....só cânforas e artigos da era romana, e máquinas fotográficas de fole e uns projetores de cinema velhinhos....
Estou velha!






terça-feira, 24 de junho de 2014

25-52 - Brincar na rua


Brincar na rua.
Nas traseiras de casa.

Em fins de tarde de Verão juntam-se vizinhas em brincadeiras de rua.
Ensaiam danças.
Inventam coreografias.
Pintam o chão com giz.
Estendem mantas e brincam às escolas.
Saltam à corda.
Jogam à bola.
Andam de bicicleta.
Jogam às escondidas...

Coisas simples.

A diferença, para o nosso tempo, é que não havia adultos de plantão. 
Brincávamos na rua sem ninguém a vigiar.
Corríamos riscos.
Ninguém nos conseguia contactar para saber onde estávamos.
Não havia muitas recomendações...

Agora este Brincar na rua é mais difícil....
Quer pelas próprias ruas, mais movimentadas.
Quer pelos poucos quintais, pelas poucas traseiras, pelo menor número de crianças e porque tantas vezes nem se conhecem bem os vizinhos...
Se para nós ir à mercearia da esquina era normal, agora parece quase uma aventura!
A sociedade mudou e com ela mudamos nós e nós mudamos as crianças.
Os pais foram ficando de plantão, à espreita, de olhar cada vez mais atento.

Abrir a mão e deixá-las ir....
 É preciso uma dose de coragem.

Estar por conta delas.
Usar a cabeça.
Medir riscos.
Ponderar consequências.
Ganhar confiança. Elas e nós.
Nada simples.

Eu deixo. 
Há mais recomendações.
Fica o meu coração de plantão...
Fica o meu ouvido tísico, atento a um "Mamaaaaã!"
Podia ser mais simples...
Afinal, é brincar na rua.