quarta-feira, 18 de junho de 2014

24-52 - Mimos




E se alguém um dia te fizer o almoço.... isso é?

Uma filha linda!

Receber uma mensagem a meio da manhã a dizer:
"Mãe queres que faça o almoço? Vá lá, vá lá, deixa-me fazer o almoço!"

Bem, dito assim tinha que deixar!
Não sou assim tão intransigente....lá vou dizendo que sim a alguns pedidos das minhas filhas em tom implorativo!
(Fico depois a pensar nos perigos do fogão, da água a ferver, das facas....ou não fosse eu... mãe! Quase me arrependo do meu sim...mas afinal uma mini chef tem que praticar para não desmotivar...)

Chegar a casa após uma manhã de trabalho, e ter uma Carbonara a fumegar pronta a empratar e comer....
Só sentar.

Filha I, podes fazer o almoço e/ou o jantar sempre que quiseres, ok?
Vais-me estragar com mimos!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Vidas ao vivo!

Ir às compras pode ser por vezes uma verdadeira aventura emocional e cultural....

Secção da fruta:
Funcionárias do estabelecimento falam sobre bananas.
Uma refere que até conhece uma música e começa a cantarolar.
Letra alusiva às vantagens das mesmas, ao estilo subtil do Quim Barreiros.

Secção da carne:
4 figuras sui generis debatem-se sobre escolher espetadas de perú com ananás ou de porco com pimentos. Ambas muito boas na brasa, dizem. Até aqui nada de especial, mas olham-me com ar interrogador quando pego numa cuvete de canja e inspeciono as de carne picada.

Secção de peixe:
Vejo pessoas a comprar peixe fresco. Pronto, esta gente não é de cidade de mar....não sabe que NUNCA se compra peixe à segunda feira.....não há pescadores ao Domingo.....chego a ficar com vontade de as avisar....

Secção de bebidas:
Compram-se packs de minis. Sinal de jogo. Ainda iriam a tempo de as pôr fresquinhas?!

Caixa:
Algum tempo de espera, nada de anormal. Começo a ficar nervosa com a funcionária da caixa, que se abana, a bater com o pé no chão em jeito de tique nervoso ou aparente estado de quem está com pressa...respira fundo, bufa, ...confunde-me....ela está no local de trabalho, a cumprir horário....o que a deixará tão esbaforida?! Um cliente tem um artigo cujo código não passa, é preciso chamar outro funcionário e buscar embalagem igual. Senhora da caixa fica à espera.....E agora sim, atinge o pico do seu estado ao ponto de eu ficar assim também. Aquilo pega-se!

Saída do estabelecimento comercial:
As mesmas 4 figuras dirigem-se ao tractor...sim, tractor com atrelado caixa aberta, estacionado à porta. Senhores à frente, senhoras atrás. Qual cinto qual quê?! Nem bancos! Haja alegria! E ali havia e muita!

E em dia de muito vento, em semelhança aos dias de chuva, vejo uma senhora que tapa a cabeça com saco de plástico para não estragar a noite de rolos na cabeça.

Dá-me assim para reparar noutras vidas quando ando sozinha às compras.

O que eu perdia se fizesse compras on line....



23-52 - "Descobrir a brincar"


A R chegou a casa com um kit.
Pronta a arregaçar as mangas a qualquer momento e desatar a trabalhar!
O problema é que o timing dela não corresponde inteiramente ao nosso.

O kit ciência do Jardim Botânico, para descobrir tudo sobre o mundo das plantas parece-me perfeito!

Mas não às 22h30, mesmo antes de ir dormir, nem mesmo à hora de jantar....
Tivemos várias vezes que dizer "Agora não". Para despachar não valia a pena.
A ciência exige tempo, concentração, disponibilidade, paciência....não combina com pressas!
Tinha que ser quando houvesse mais um bocadinho livre, talvez no fim de semana....
Mas os fins de semana foram de preparação para provas dos mais diversos tipos, pelo que o kit ía esperando....e a R também.

Lá chegou uma manhã de fim de semana livre!
Arranjar espaço - mesa da cozinha, serve!
Preparação do material - aqui bastante facilitado, já que vem tudo no kit menos a água.
Seguir o procedimento direitinho - afinal sou de ciências, ossos do ofício.

Tudo à cientista, como manda o figurino!
E como que em jeito de compensação pelo tempo de espera fizemos 3 experiências!
Apontamos num bloquinho quando e como era preciso ir ver resultados, regar, vigiar, etc

Temos 3 experiências em curso.
Estamos prestes a tirar as primeiras conclusões.

Um kit perfeito para descobrir enquanto brincam, para pensarem, para aprenderem a esperar, para criar momentos de família, para ter o quarto enfeitado com molas de roupa, sementes à janela, e vasos pequenos a decorar o parapeito.

Como qualquer cientista preocupado com o desenrolar das suas experiências, a R colou logo um aviso na janela para que se visse bem "Não mexer!".

Agora esperam-nos mais algumas até ganhar o autocolante "Eu sei semear"!



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Isto dos 40....


Gosto de ficar um bocadinho com as meninas nestas voltas dos adormeceres.
E suponho que as meninas também gostem de ficar comigo.
Somos da mesma espécie, mas é um tipo de mutualismo mãe - filha.

Se há dias em que caio redonda primeiro que elas, há dias em que me levanto e saio sorrateiramente, quando o som da respiração anuncia que o sono chegou.
E nestes últimos, em que estou prestes a sair do quarto das miúdas numa tentativa de pé ante pé....ouço

"Mamã, onde vais?!"

Pois que é assim....aos 40, as articulações já fazem creck.....e são motivo para interromper sonos ainda pouco profundos.

Isto dos 40 tem que se lhe diga....não entendo onde anda a tal da ternura!
O pé ante pé já não se aplica...


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Toujours Paris

Não fui eu!
Não contribui para a queda de parte da estrutura da Pont des Arts, em Paris.
E tão pouco para a poluição no fundo do Sena, dado que não lancei qualquer chave das 700 mil que lá se encontram e que correspondem ao amor eterno de igual número de casais.

Quando quase todas as minhas amigas na adolescência suspiravam por Paris eu sonhava com Londres.
Estranhamente, fui primeiro a Paris, e depois voltei e voltei e voltei.
Sempre com pessoas diferentes.
Nunca só a dois.
Tenho no meu CV de viagens, Paris 4 - Londres 1.

Nestas 4 visitas nunca vi os cadeados....aliás nem sei se cheguei a pisar a tal ponte!
Andava intrigada sempre que ouvia falar desta tradição...

Hoje fiquei curiosa.... Fui investigar.

Consta que foi construída em 1804, perto do Louvre.
Ora estive lá depois dessa data e das 4 vezes passei junto ao Louvre!

Consta também que a tradição começou em 2008.
Pronto! Aqui está a explicação.

2009 foi a última vez que lá estive....há 5 anos! 
Exatamente em junho, exatamente dia 9...
E exatamente hoje é que fui ver as fotos e tentar perceber em que ponte tínhamos estado.....
E não é que foi dia 9 de junho de 2009?!


Acho que nós deambulamos noutra ponte junto ao Museu D´Orsay e que pelos vistos de chama Passerelle Léopold- Sédar-Senghor, e que não estava lá das vezes anteriores.
E não é que só agora ao ver as fotografias vi aquela dúzia de cadeados!!???


Também consta que há as falsas pontes do amor.
Acho que esta era uma dessas.
Mas sinto que, falsa ou não, podia ter passado ali horas...


Paris ficou-me entranhado. Conquistou-me em cada visita.
Conquistou também a I, nem que seja pelos frascos de Nutella de 5 kg!

Sei que vou voltar.
A I quer relembrar. A R sonha ir.
Havemos de voltar. De meninas a tira colo.
E nessa altura talvez tenham removido todos os cadeados. Não importa.
Paris é Paris!
Não se explica. Sente-se.

Uns anitos depois

Há quase 23 anos (sim, está mal de certeza este número!), quando fui caloira na UC, num curso que acolheu apenas 34 miúdos vindos de cada canto deste Portugal Continental e Ilhas, não imaginava nunca que um dia teríamos filhos que brincariam juntos....

Durante alguns anos cada um foi seguindo as suas vidas, uns para Norte outros para Sul. Fiquei pelo Centro. Casamos, tivemos filhos, mudamos de empregos, de casas.
Havia tentativas de encontros para um jantar anual (pelo menos), mas juntavam-se 6 ou 7...se tantos!

Íamos sabendo uns dos outros, uns pelos outros.

É sempre estranho ver um colega de curso que não via há anos à porta do mesmo Jardim Infantil onde andava a minha filha. Estava a matricular a dele. Ele tinha duas meninas, eu também. Ficaram na mesma sala.

Anos depois reencontrei outra amiga via facebook. Já a julgava "perdida".
Combinamos um churrasco. Soube pela vida. Ela com um rapaz e uma rapariga. É impressionante ver como as crianças reagem como se conhecessem desde sempre.

Outros partilham experiências de viagens feitas e de outras por fazer.

Em todos os casos, nos reencontros parece não ter passado tempo nenhum desde a última vez que nos vimos. Temos sempre o que conversar.

Uns vivem na mesma cidade, embora nem pareça!
Usamos vezes demais a frase "Temos que combinar um café..."

Outros reencontrei apenas neste mundo virtual, mas sei que nos havemos de ver!

Alguns do mesmo curso mas de outros anos foram-se cruzando e atravessando na nossa vida anos depois de desencontros. Filhos dos amigos tornaram-se colegas de turma. 

Nestas voltas, a vida aproximou-me mais de uma amiga daquela colheita.
Ela tem duas meninas gémeas e mais pequeninas. As suas cerejinhas.
Conheci-as 1 dia depois de nascerem. Já lá vão 3 anos....

Gosto tanto de as ver juntas...


Felicidade às colheres

Nos filmes resolvem-se problemas, dilemas, desilusões, desamores, stresses, indecisões, palpitações, com um balde de gelado e um sofá.
O balde, aparentemente quanto maior melhor. Sem taça. De colher diretamente no balde.

É o gelado nos filmes e o famoso copo de água nas novelas brasileiras, para as maleitas já referidas.
Ambos resolvem tudo, com a vantagem do copo de água ser efetivamente mais rápido e menos calórico.

Há dias em que precisava da magia de um copo de água daqueles...
Ou de ter o sofá para me encafuar munida de um balde de gelado de kilo!

Ter o sofá é desde já tarefa difícil.
Só para mim então, e de gelado na mão, está perto de ser missão impossível.

Num destes dias, o sofá olhou para mim. Estava sozinha. Não lhe resisti.
E havia gelado!!
Não se pode negar à partida algo que se desconhece...
Nem se desperdiçam oportunidades....

Agarrei num mini balde - 250 g  de gelado.
Prescindi da taça como me parecia ser requisito obrigatório. Ataquei o mini balde de colher.
O sofá era só meu (pelo menos por alguns instantes).
E até tinha uma irritação derivada de planos que saem gorados.
Estava tudo reunido.

Estranhamente não me senti melhor.
Talvez nisto seja preciso ser mais rigoroso e atacar um balde no mínimo de 1Kilo.
Cada colher deve conter uma certa dose de felicidade.
250g de gelado não dá para o número de colheres necessárias.
Ou isso ou existe um tempo mínimo de sofá....a rondar aí as 3-4 horas.....condição esta não reunida.


Bem, confesso que não tentei o copo de água....
Fica para a próxima.

Há dias assim. Dias não.
Este Domingo foi desses. De impaciências. Sem sofá com gelado.

Pode ser só falta de mar. Saudades de praia.
A minha dificuldade de gerir domingos.
Pode não haver explicação nenhuma.
Pode ser patológico.
Pode mesmo ser mau feitio.
Tenho esperança que seja só falta de férias.

Parece-me que para mim resulta mais o gelado fora de casa, com companhia, conversa e gargalhadas.
Com colher, mas numa taça. Sem baldes.
Quanto ao copo de água, não duvido da sua eficácia.
Afinal água nunca fez mal a ninguém!