quarta-feira, 21 de maio de 2014

Exames Nacionais - 4º passo, a máquina de calcular

"Mãe, achas que a minha máquina de calcular faz barulho?!"

Esta era uma das preocupações ontem à noite.
Preocupação aliás natural, já que a lista de informações refere sobre as condições a que a calculadora deve satisfazer, entre outras....

"ser silenciosa"

Estará neste "ser silenciosa" considerado o facto de fazer o barulhinho de teclar?!
Bem, por cá assumimos que se aplicará apenas a barulhinhos eletrónicos.....Espero estar certa!
Além do silenciosa, "deve ter funções básicas +, -, x, ; não deve necessitar de alimentação exterior localizada; não ter fitas; nem rolos de papel ou outro meio de impressão; nem cálculo simbólico."

Quanto ao aluno ser portador do material listado, surgem dúvidas, talvez das existenciais:
Poderá o mesmo levar todo o material numa capinha plástica transparente?!
Tem que levar todo o material na mão?

Bem, eu quando leio que as mochilas/carteiras (já sem o telemóvel, claro!)  ficam à porta da sala, depreendo que seja do lado de dentro da sala.....parece que não.....é do lado de fora....

Pelos vistos assumi mal! Ao que consta quem levou algo mais que a caneta e a garrafa de água sem rótulo, teve que deixar tudo do lado de fora da sala, à chuva....

Hoje pelo sim pelo não a I leva uma borracha novinha a estrear.....
"Oh mãe, a minha tem aqui  uns rabiscos, ainda vão pensar que estou a tentar copiar!"

Ontem uma menina ía ficando com um jeito no pescoço só com a frase "Se alguém for apanhado a olhar para o lado tem a prova anulada!"....cumpriu de tal forma à risca a instrução que nem sabia quem era o colega do lado!

Chegaremos ao ponto das talas à volta da cabeça, para não olhar de lado?!
Já só falta isso!






Que fiques feliz!


Podia ser tudo simples.
Ou podemos tornar tudo mais simples.
O que parece complicado, pode ser incrivelmente simples....
Pensar positivo.

É normal ter nervoso miudinho, ter nervos dos grandes, doer a barriga, ter o coração prestes a saltar pela boca.
Faz parte. Os crescidos também têm disso!
Reconheço o teu empenho, esforço e persistência.
Nunca deixaste de acreditar. Não tornaste a matemática numa inimiga. Ganhaste tu!
Sei que cresceste muito este ano.
Sei que confias mais em ti.

Vai correr bem!
Trabalhaste muito!
Se correr menos bem, estamos cá para mimos e abraços apertados. Como sempre.

Afinal a nota de um exame é só a nota de um exame.
Sabemos quem és.
Sabemos o valor que tens!
Acredita!
É só uma etapa.

Espero que no fim do dia estejas feliz! E se tu estás feliz, eu estou feliz!



terça-feira, 20 de maio de 2014

Primos


Primos, lembram-me...

Férias
Infância
A casa dos avós
Cumplicidades
Palhaçadas
Gargalhadas
Brincadeiras
Companhia
Segredos

Talvez sejam os nossos primeiros amigos na infância.

Depois chegam os nossos filhos e os filhos dos primos.
E esse grau de parentesco que me baralha....2ºs primos?!
Não sei. Parece que sim. Partilham a mesma bisavó.


Mas ao vê-los assim lembro-me da minha infância e dos meus primos que se tornaram pais.


E o que vejo é isso.... primos!
Laços que se criam.
Memórias que se partilham.
Histórias de família.

Podemos não estar juntos muitas vezes.
Temos tendência de pôr as voltas da vida como desculpa para desencontros.

Desta vez transformamos o "um dia havemos de...", em algo concreto!



Um grande fim de semana!
Um fim de semana de primos.
Espero que o primeiro de muitos!











Segredos de mãe


Quando fiquei grávida a primeira vez, fui comprando livros e revistas, para futuras mães, com dicas, conselhos, partilhas, etc...

Comecei por um que já não tenho. Talvez o tenha emprestado a alguém que estava à espera.
"O que se espera enquanto se está à espera".

Depois da fase de espera, e da fase de ler sobre o choro, cólicas, sopas e papas,  passei a outros títulos.

Sentia-me sozinha neste meu papel de mãe.
Achava que só eu me sentia "devorada", "desleixada", em tentativas de ser "mãe responsável", de ter filhas " positivas", filhas de "bem com a vida", com "autoestima"....

Era atraída por livros com títulos sugestivos que me davam a certeza que eu não seria a única.
Os títulos foram mudando, talvez acompanhando o meu estado de espírito e a idade das meninas.

Acho que não li nenhum deles até ao fim.
Aliás li o primeiro, afinal se ainda estava à espera tinha todo o tempo do mundo.....

Nas férias com miúdas desisti de levar livros.
Só lia nas horas da sesta, isto se não dormisse também!
Quando deixaram as sestas eu deixei os livros. 7 olhos não bastam! Não dá para desviar a atenção e ler mais que duas linhas seguidas, principalmente na praia ou na piscina.

Depois, convenhamos, não vamos ler livros com estes títulos à frente das crianças.
Não queremos que pensem que afinal andamos à deriva, à procura de instruções em algum lado.



Quando comprei o "Transforme o seu filho até sexta", havia o similar "Transforme o seu marido até sexta". Na altura, ainda fui desafiada pelo marido a comprar esse...Se resultasse com ele, eu sabia que estava no bom caminho com as crianças. Preferi não tentar....
Dica: Não comprar o livro a uma quinta!

Agora quando penso "Porque não fazem o que eu digo?!" "Porque não me ouvem?!", está na altura de voltar ao livro "Como falar para as crianças ouvirem ....." .....e passar do capítulo I.  Este livro sugere a leitura de um capítulo, fase de testes e ir avançando aos poucos, apontando os resultados verificados. Eu chego a testar uma ou duas vezes, e dou-lhe até o mérito da aplicabilidade prática.
Como não o posso ter na mesinha de cabeceira, senão ainda as cobaias meninas me descobrem os truques, nunca passo ao capítulo seguinte!

Estou quase a adquirir um novo volume, que até agora me passava ao lado nas prateleiras
"Como lidar com o seu adolescente" ou similar.
Pensava eu que estes tempos estavam longe....

Não tenho ainda nenhuma adolescente, mas estou mais perto do que pensava....
Por experiência o melhor é começar já!
Antes que a dolescência passe e eu não avance do capítulo 1!








segunda-feira, 19 de maio de 2014

Exames nacionais - 3º passo, a contar palavras!


A Parte Escrita

"Orientações para tipologia textual, tema e extensão"

Traduzindo quanto à extensão: "O texto tem que ter 140 a 200 palavras."

Lembrar-se-à a iluminada mente que desenvolve estas orientações que as crianças não têm contador automático?
Que escrevem à mão?
Que a contagem das palavras é manual? (ou será que a caneta preta indelével já as conta de forma automática?!)
Que depois de escreverem o texto, têm que ir contar quantas palavras escreveram e reajustar o pensamento ao número de palavras permitido por lei nas orientações?
Que fazem esta contagem N vezes?

Qual era o mal de limitar o texto a uma página A4, meia página, ou o que fosse em termos espaciais!?
Sim, eu sei que havia uns truques, ora letra pequena ora letra maior, para ocupar o espaço, mas e então?!
Pelo menos tempo não perdiam, nem partes importantes da história, nem o fio à meada!

Gosto também muito das margens de erro a aplicar na correcção do exame:
"Extensão de 116 a 139 ou 221 a 224 palavras - desvaloriza um ponto"
"Extensão <116 ou > 224 palavras - desvaloriza dois pontos"
"Extensão < 1/3 do limite mínimo (47 palavras) - desvalorização total"

O que quer dizer que os professores ao corrigir também as vão contar.....será que há um método automático para isto?! Tipo leitura óptica? É que cada professor corrige quantos exames!
Talvez perdessem menos tento a ler um texto 3 linhas mais comprido que a contar quantas palavras tem!

Contar palavras....
Que seria do Eça de Queirós quando escreveu os Maias?! Só a parte da descrição do Ramalhete e a atribuição de ajectivos a cada personagem que vai sendo introduzida na história, levaria uma"desvalorização total"  por algum limite máximo!....
E se tivessem dito ao Eça que ele tinha que poupar nas palavras? Pior, que tinha que as contar!?
Lá ía o Ramalhete ser poupado a tamanha descrição.
E nunca teríamos conhecido tão bem o drama e enredo desta história.....

Já li histórias da I, bem escritas, mas que à custa da limitação 140 a 200 , tem que repensar, retirar personagens, cortar em diálogos, em adjetivos, reformular.....e com isto perde a sua essência....perde-se o que queriam contar....perdem-se elas, cortam na imaginação...

Talvez me esteja a escapar alguma coisa nisto!
Mas também lá está sou de outro século!


Exames Nacionais - 2º passo, os nervos!


Passou-se um ano letivo a falar do tema "Exames Nacionais". Sobretudo na escola!
Tipo um fantasminha a pairar, mas do tipo pouco brincalhão.

De repente a 3 dias do 1º exame, dizem aos pais que é suposto desmistificar...encarar tudo como um teste normal...
Ai, agora?!?!??!

Aqui em casa andamos a desmistificar os ditos exames desde o início do ano!
Alguém lúcido a pôr pesos do outro lado da balança!

Não tenho nada contra os exames.
Acho que devem ser encarados com naturalidade no processo educativo, assim como apresentações de trabalhos, situações que os habitue a sair da zona de conforto. E as mães também precisam de se habituar....

Mas diga-se que uma coisa é incutir sentido de responsabilidade, organização, lidar com stress, concentração, outra é transformar os exames num bicho papão!
E eu que sempre disse que não havia bichos desses!
Lá estão a pôr o meu papel de mãe em causa!

Aqui noto uma enorme diferença com a ginástica. Há provas individuais, de equipa, torneios, exibições com centenas de pessoas a assistir. Saem tantas vezes da zona de conforto. Treinam muito para isso. Mas o que muda é a confiança neles próprios que lhes é incutida pelos treinadores. Um "Tu és capaz" , "Tu vais conseguir!" "Estás quase lá!".
Esta postura, muda tudo....ou muda muito!
Não tira os nervos, mas transforma-os num salutar nervoso miudinho.

É o oposto de "Só falta um mês!";"E sai muita matéria"!; "E não vamos ter tempo para dar tudo!"; "Se continuas assim vais chumbar!"
E nos tais pesos que equilibram a balança, estes pesam mais do que os nossos de mãe....estes de mãe "Acredito em ti e sei que és capas" soa a "Oh dizes isso porque és minha mãe!"

Lá apareceram umas dores ao respirar, e uns respirares fundo de falta de ar....
(Até a mim!)

Ao ligar para o pediatra, ouço do outro lado, "Ela é do 4º ou do 6º?"
Confesso que nem percebi o porquê da pergunta.....4º ou 6º?? O que interessa isso agora...pois interessava a final e muito! Era um mal geral.
E as faltas de ar não são das alergias da primavera.

Há nisto algo assustador.
O fantasminha nesta idade é suposto ser brincalhão.
As faltas de ar devem ser só do polen, e de primeiros amores!

Até me mim isto me dá faltas de ar!




domingo, 18 de maio de 2014

Exames Nacionais - 1º passo, as instruções!


Só a lista de instruções/informações aproxima-se mais a um regulamento de um qualquer estabelecimento prisional!
Atrevo-me a dizer, aliás, garanto, que nem quando fiz provas de acesso à universidade havia tantas linhas restritivas orientativas....

Começa por haver uma lista de material para cada exame. Aliás, para cada exame, conforme o ano !
Temos 4 listas: Testes Intermédios 2º ano - 2; Exames Nacionais 6º ano -2.
Caneta preta indelével (isto tem truque?!);
Uma lista leva borracha, régua, máquina de calcular (recolhida a meio);
Outra lista só a caneta.
Não era mais fácil um estojo transparente?!?!

O aluno deverá procurar nas pautas afixadas a sala que lhe calha na rifa, e fica metade da turma em cada sala. As mochilas não entram na sala (apenas neste ponto reconheço alguma semelhança com o meu tempo de escola.....estou mesmo fora destes assuntos!)

Depois entramos na parte do ninguém sabe, mas opina, e pelo sim pelo não, ou faz-se assim ou assado.....território por explorar portanto!

Temos para lenços de papel um sim, podem levar!
Temos para uma garrafa de água, um não! (?!??!?!) Após consulta adicional então a garrafa de água entra, mas ATENÇÃO: sem copo e sem rótulo!!!!

Eu não digo?!!? Visitar um preso deve ser mais fácil!

Depois vêm as decisões difíceis: "Se optarem por ficar no período de tolerância depois não podem sair mais cedo!"....eu acho que isto não se faz a uma criança. Tenho em mim que não passa de uma estratégia para ninguém utilizar a tolerância, só com o medo de lá ficar a apanhar seca!

Quanto a telemóveis não entram na sala, nem desligados - e é caso de anulação da prova!
Sim, com crianças de 12 anos nunca se sabe, eles talvez se lembrassem de ligar para casa ou pedir a ajuda do público!

O papel de rascunho é fornecido pela escola e carimbado e não pode ser entregue ao examinado antes do enunciado.

E há mais que eu fui até espreitar ao Guia Geral de Exames não fosse ter-me escapado qualquer coisa.....mas parei quando só para máquinas de calcular havia 3 páginas !

UFA!!!

Estes miúdos de 11/12 anos não dominam, aliás, nem lhes ocorre, a técnica do copianço.....não estarão estas regras a dar-lhes ideias que eles ainda não tinham tido!!!???
Telemóveis?
Rótulos de garrafas?
Folhas de rascunho?
(e nos lenços de papel?!) - o que leva um pacote de lenços de papel a ficar impune?! Talvez sejam inspecionados antes do uso. Para o ano reformulam as instruções e colocam, lenços só de pano e para alunos em evidente estado de resfriado e com uma % definida de nariz entupido, validade em atestado médico!

E onde está o companheirismo?! "Nem pensem em emprestar material uns aos outros!"
Anos de ensinamentos sobre partilha caiem por terra!

Daqui a uns anos podem mesmo chegar a proibir o uso do cérebro!
É que pode influenciar imenso nos resultados!