Não páro de olhar para o aviso
"Limpeza em curso; Atenção Piso molhado"
São 4 da manhã.
Este abril não tem sido só de águas mil mas de várias idas ao pediátrico. Todas à noite.
Preferia ver os avisos de Piso molhado devido às mil chuvas de abril, noutros pisos mais agradáveis.
Ando de olhos pesados mas não é das alergias.
Cá estou mais uma vez.
A R dorme na maca de dinossauro. Eu tenho a roupa ensopada em vomitado. Parte da cadeira onde me sento também, assim como as pernas do ser pré-histórico de pástico verde. A limpeza está em curso.
Amavelmente deram-me uns toalhetes para remediar o estado. Deixei de ter toalhetes na carteira há uns anitos. Penso que noutros tempos sairia de casa munida de toalhetes, mudas de roupa e até com uns sapatos extra.
Bem, não teria ajudado muito. As mudas de roupa eram sempre para as crianças.
A R conseguiu vomitar sem se sujar a ela, mas eu por outro lado, tenho uma dose qb. Ela já tem uns anos de experiência nestes jatos direcionados.
Isto hoje está estranhamente calmo.
A última entrada foi a nossa, à 1 da manhã.
Estou farta deste dinossauro que me olha de lado.
Não arranjo posição confortável.
Ela dorme. Já não grita. Já não se queixa. Antes assim.
Eu arranjo-me no resto que sobra da cadeira. Descubro que gostava de cruzar as pernas mas não me atrevo a pensar que o vomitado seria transferido para mais zonas das calças.
Não há senhas.
Não há mais crianças.
Não há quase ninguém.
São agora 5 da manhã.
Adensa-se o silêncio, o sono e o cheiro a vomitado.
Segundo consta o reboliço é no internamento.
Noite atípica.
Pairamos entre as toxinas, as viroses, as gastroenterites, as cólicas.
Esperamos.
Falo em surdina com a médica, com as senhoras da limpeza.
Acho que conheço uma de vista. Mas talvez seja só deste abril.
Conclusões:
- Nunca estaremos preparadas para ouvir "Mamã não aguento mais", sem nos sentirmos de mãos atadas, sem querermos agarrar naquela dor e absorvê-la com todas as forças.
- Conhecemos bem os nossos filhos. Sim, sabemos distinguir uma birra, manha, de uma dor verdadeira. Sabemos desvalorizar e valorizar no momento certo. Isto as mães entendem como ninguém. Os médicos duvidam que as mães saibam.
- Tenho que acreditar que a R afinal come bem! A avaliar pela quantidade de massa que saiu.... Ou isso ou ainda era a do almoço!
- E por último, porque não haverá uma maca dinossauro para mães?
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Promessas
Custa-me lidar com a mentira.
Neste "custa-me" leia-se "não tolero".
A forma que tenho de mostrar que não tolero é não mentir...
Nunca lhes disse que íamos ao parque infantil ou outro local apetecível e depois afinal o destino era o centro de saúde.
Nunca lhes disse que uma vacina não doía nada.
Nunca lhes disse que o xarope sabia bem.
Nunca lhes disse que vinha lá o bicho papão.
Estas mentiras têm o sabor do engano.
Sabem que não lhes minto. Não as engano.
Mas já tive que dizer que há a mentira piedosa.
Pois e como se distingue da mentira mentira?
E como ocultar a verdade pode ser diferente de mentir?
Complica-se tudo nestes meios termos.
Como quando a I pergunta depois de um lanche a duas: "E se a R perguntar onde fomos o que lhe dizemos?!"....aqui entra talvez a mentira piedosa. O inventar alguma coisa para que a R não fique triste. Mas então estou a mostrar que sim, que se pode
Aqui o ocultar seria "Se ela não perguntar não falamos nisso..."
Mas nestes meios termos, elas distinguem a mentira mentira.
Sabem que dizer a verdade sempre é melhor. Para a verdade há sempre uma conversa. Para a mentira a tolerância é pouca.
Mas o que mais me custa é quando eu falho.
Não porque tenha mentido, mas por ter feito uma promessa que não cumpri.
É quase como mentir....
Mentir-lhes...
É um fardo que me pesa...
Tenho sempre muito cuidado com as promessas feitas.
Talvez as faça para mim e raramente as verbalize. Uso-as com muita conta, peso e medida.
Nunca tinha ouvido "Mas tu tinhas prometido!" ....até um dia destes...
E não era uma coisa que não comprei, ou um sítio que não fomos, ou algo que me esqueci de fazer....era na base dos comportamentos. Das (minhas) faltas de paciência, das (minhas) respostas tortas, dos (meus) revirares de olhos....
Costumo apregoar que ação gera reação, não fosse eu das ciências.
Sendo que, a ação, são crianças (as minhas), a reação sou eu.
E nem sempre a reação é adequada ou proporcional à ação.
Aqui fica, para mim: "Se não vais cumprir não prometas!" ou melhor "Promete, mas cumpre!"
Na onda do para me lembrar...
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Ela voltou
Notas de mim para mim ou de mim para quem quiser:
- Antes do verão não tenhas pensamentos do tipo: "Bem, está na hora de guardar casacos muito quentes, golas altas, cachecois, pijamas quentinhos e botas"
- Caso tenhas pensamentos destes, nunca passes à ação!
- Paralelamente a esta ação, não vás buscar a roupa de verão, sandálias e afins das meninas. Facilmente perceberás que não tens espaço para tudo e a partir desse momento todos os dias perguntarão se podem vestir calções!
- Não tentes mudar a natureza das coisas. Quando chove chegamos sempre atrasados (vá-se lá saber porquê.....só isto dava uma tese!)
- Não deixes que te tirem os guarda chuvas de locais estratégicos no carro.
- Não troques os aquecedores por ventoinhas!
- Quando tiveres ideias para passear, arriscar por arriscar, aposta no Sul! Mesmo que chova abdicas do cachecol.
- Por muito que te tentes mentalizar que é só chuva e que faz falta e tal, a verdade é que atrapalha e impede algumas atividades outdoor com (e sem) crianças.
- Eu bem disse que não devíamos esperar tanto da Primavera....
10ºC
Chuva
24 de abril
Pelo menos o índice UV é baixo.
Um bom dia!
- Antes do verão não tenhas pensamentos do tipo: "Bem, está na hora de guardar casacos muito quentes, golas altas, cachecois, pijamas quentinhos e botas"
- Caso tenhas pensamentos destes, nunca passes à ação!
- Paralelamente a esta ação, não vás buscar a roupa de verão, sandálias e afins das meninas. Facilmente perceberás que não tens espaço para tudo e a partir desse momento todos os dias perguntarão se podem vestir calções!
- Não tentes mudar a natureza das coisas. Quando chove chegamos sempre atrasados (vá-se lá saber porquê.....só isto dava uma tese!)
- Não deixes que te tirem os guarda chuvas de locais estratégicos no carro.
- Não troques os aquecedores por ventoinhas!
- Quando tiveres ideias para passear, arriscar por arriscar, aposta no Sul! Mesmo que chova abdicas do cachecol.
- Por muito que te tentes mentalizar que é só chuva e que faz falta e tal, a verdade é que atrapalha e impede algumas atividades outdoor com (e sem) crianças.
- Eu bem disse que não devíamos esperar tanto da Primavera....
10ºC
Chuva
24 de abril
Pelo menos o índice UV é baixo.
Um bom dia!
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Em dia mundial do livro
Gosto de livros que me prendem desde a primeira página. Alguns desde a primeira frase.
Uns conquistam-me pelo título.
Outros pelo resumo.
Raramente só pela capa.
Alguns foram apresentados por amigos e ficaram.
Prendem-me os livros que não consigo pousar.
Que apetece devorar de fio a pavio.
Que entram para a realidade. Dos que interrompem as nossas rotinas, como se a história não estivesse lá à nossa espera. Aos que apetece voltar.
Empanco nos livros que me obrigam a reler parágrafos, de onde saio para os meus pensamentos com facilidade, longe da história que o livro conta.
Um livro tem me conquistar até ao fim do primeiro capítulo (dou-lhe esta oportunidade).
O último que comprei deixou-me esse gosto amargo. Enganei-me. Gostava do título, do resumo e até da capa. Mas está lá pousado....e já tentei vários capítulos. Talvez tenha que o começar de novo, com outro estado de espírito, ou numa outra circunstância.
Sempre tive um fascínio por livros, livrarias , bibliotecas, papelarias.
Cheguei a acalentar o sonho de ter uma livraria. Adorava o cheiro do papel dos livros novos, as prateleiras repletas de lombadas. Achava talvez que pudesse ler enquanto trabalhava.
Engraçado como nos lembramos de certossonhos pensamentos da infância, mas sabemos agora que não lhes demos a devida importância, ou não lhe atribuímos sequer um grau de possibilidade.
Sei que gostava das páginas em branco que os livros têm. Paranoías.
Lembro-me de o meu pai me ter dito uma vez, quando eu comentei "Este livro tem tantas folhas brancas!": "Mas não são para escrever!"
Sim, talvez fosse isso. Folhas brancas sugeriam uma infinita possibilidade de as preencher!
Talvez por isso prefira livros em papel.
Não consegui aderir às novas tecnologias, mas reconheço-lhes as vantagens. Principalmente no que respeita ao peso e volume que um livro (ou mais) ocupa na bagagem.
Gostava de ler mais.
Geralmente um livro de fio a pavio só acontece uma vez por ano. Em férias.
O resto do ano, andam pousados na mesinha de cabeceira mas raramente os abro.
Talvez esteja destinada a ler só em férias.
Gosto que as minhas meninas lhes tenham tomado o gosto.
Que os livros façam parte da bagagem e da mesinha de cabeceira.
Uns conquistam-me pelo título.
Outros pelo resumo.
Raramente só pela capa.
Alguns foram apresentados por amigos e ficaram.
Prendem-me os livros que não consigo pousar.
Que apetece devorar de fio a pavio.
Que entram para a realidade. Dos que interrompem as nossas rotinas, como se a história não estivesse lá à nossa espera. Aos que apetece voltar.
Empanco nos livros que me obrigam a reler parágrafos, de onde saio para os meus pensamentos com facilidade, longe da história que o livro conta.
Um livro tem me conquistar até ao fim do primeiro capítulo (dou-lhe esta oportunidade).
O último que comprei deixou-me esse gosto amargo. Enganei-me. Gostava do título, do resumo e até da capa. Mas está lá pousado....e já tentei vários capítulos. Talvez tenha que o começar de novo, com outro estado de espírito, ou numa outra circunstância.
Sempre tive um fascínio por livros, livrarias , bibliotecas, papelarias.
Cheguei a acalentar o sonho de ter uma livraria. Adorava o cheiro do papel dos livros novos, as prateleiras repletas de lombadas. Achava talvez que pudesse ler enquanto trabalhava.
Engraçado como nos lembramos de certos
Sei que gostava das páginas em branco que os livros têm. Paranoías.
Lembro-me de o meu pai me ter dito uma vez, quando eu comentei "Este livro tem tantas folhas brancas!": "Mas não são para escrever!"
Sim, talvez fosse isso. Folhas brancas sugeriam uma infinita possibilidade de as preencher!
Talvez por isso prefira livros em papel.
Não consegui aderir às novas tecnologias, mas reconheço-lhes as vantagens. Principalmente no que respeita ao peso e volume que um livro (ou mais) ocupa na bagagem.
Gostava de ler mais.
Geralmente um livro de fio a pavio só acontece uma vez por ano. Em férias.
O resto do ano, andam pousados na mesinha de cabeceira mas raramente os abro.
Talvez esteja destinada a ler só em férias.
Gosto que as minhas meninas lhes tenham tomado o gosto.
Que os livros façam parte da bagagem e da mesinha de cabeceira.
terça-feira, 22 de abril de 2014
16-52 - Grandes conquistas
A alegria das coisas simples.
As conquistas que, parecendo pequenas, têm tanto de grande.
A felicidade estampada no rosto!
Há imagens que falam por si. Contam histórias. Trazem sorrisos.
Esta, para mim, é uma delas!
E é por estas e por outras destas imagens que este desafio vale a pena!
Momentos que talvez ficassem guardados apenas na memória.
E este "separar pela primeira vez a gema da clara" vai arrancar (ainda mais) sorrisos daqui a uns tempos.....eu sei que vai!
E esta foi a primeira gema de oito de um Pão de Ló, do qual nada sobrou para contar a história.
Páscoa não se faz sem Pão de Ló, e já que não havia o de lá, da minha terra, fizemos dois de Ló.
Marcharam à velocidade da luz!
A R afinou a técnica com 16 gemas separadas!
As conquistas que, parecendo pequenas, têm tanto de grande.
A felicidade estampada no rosto!
Há imagens que falam por si. Contam histórias. Trazem sorrisos.
Esta, para mim, é uma delas!
E é por estas e por outras destas imagens que este desafio vale a pena!
Momentos que talvez ficassem guardados apenas na memória.
E este "separar pela primeira vez a gema da clara" vai arrancar (ainda mais) sorrisos daqui a uns tempos.....eu sei que vai!
E esta foi a primeira gema de oito de um Pão de Ló, do qual nada sobrou para contar a história.
Páscoa não se faz sem Pão de Ló, e já que não havia o de lá, da minha terra, fizemos dois de Ló.
Marcharam à velocidade da luz!
A R afinou a técnica com 16 gemas separadas!
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Do frasco ao livro
E o projeto "Gratitude jar" transforma-se em livro!
Não lemos os papelinhos no primeiro dia do ano como era previsto.
Mas ficaram guardados nos seus frascos à espera..
À espera que nos (me) lembrássemos (lembrasse) deles....
A fase seguinte do projeto já estava pensada, faltava passar à ação.
Finalmente juntaram-se os materiais, com a lembrança e a vontade, numa tarde sem graça.
Cartolinas coloridas; Papel com padrões; Carimbos; Autocolantes; Marcadores; Tubos de cola e mais do que houvesse!
Desdobraram-se os papelinhos, separaram-se por meses e organizaram-se por dias.
Afinal a tarde não chegou para tanto que fazer (sempre são quase 365 papelinhos para cada uma).
E o que nos rimos a ler?! E as recordações reavivadas de momentos que já não nos lembrávamos?!
O mais fantástico foi as meninas gostarem tanto do projeto que queriam afinal repetir em 2014....
E só pelo que se divertiram a recortar, colar e decorar já valeu a pena!
A I já pensa nos projetos para 2015. Talvez outro como este. Talvez de fotografias...
Para já ainda está em páginas soltas.
Mas vai passar a livro! Só falta encadernar!
E sei que vai ser um sucesso!
(pelo menos cá por casa)
domingo, 20 de abril de 2014
O mundo, as galochas, e casamentos!
A R costuma várias vezes dizer, escrever, desenhar, o quanto gosta de mim.
Para demonstrar que é tanto costuma falar em infinitos, mil infinitos, ir à lua e voltar, planetas, e outros que tais do universo e que demonstram o tanto tanto!
Uma noite destas ao deitar disse que gostava de mim "até ao mundo das galochas".....aqui confesso que me baralhei....
Galochas?!?
Bem, tinha estado a chover, mas galochas era muito finito para demonstrar o habitual tanto tanto .
Fez-se luz!
Seria "Galáxias?!"
"Isso mamã!"
"Gosto de ti até ao mundo das galáxias!"
Bem escusado será dizer que depois da gargalhada geral, agora todas as noites temos o "Gosto de ti até ao mundo das galochas!" . E é tanto tanto!
Ficou a nossa imagem de marca. Adoro!
Na Sexta Feira Santa, ao deitar, que é quando mais se lembra destas coisas disse-me:
"Gosto mais de ti do que quando eu tiver o meu namorado.
Nem que seja o rapaz mais giro do mundo....
Mas ainda não é agora! Calma!
A mana é que está quase a casar mãe."
E pronto!
Vou preparar o enxoval!
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