quinta-feira, 17 de abril de 2014

15-52 - Raros Momentos


Pode parecer simples.
Dois copos de tinto a acompanhar um belo de um caril.

Mas é na verdade raro.
Raro.
Estranho.
Não o caril, mas o conjunto.

De tão raro e estranho, as meninas perguntam logo....
Copos tão grandes?!
Vinho?!
Estranham mais o vinho que o caril.

Raros são os momentos em que estando 4 à mesa, conseguimos dizer 3 palavras sem ser interrompidos.
Uma frase inteira então seria caso para estranharmos nós.

2 copos de pé alto retirados ao armário
2 dedos de conversa
2 copos de água
4 à mesa.
Histórias que se atropelam
Histórias que se misturam
Reboliço
Família

Pode parecer calmo.
Pode parecer simples.
Talvez não seja calmo.
Talvez seja afinal simples.





Em busca da paciência perdida

Frequentei alguns (2 ou 3) cursos pré-parto na minha (primeira) gravidez.

Como dar o 1º banho; como vestir; segurança...
Tinha tempo...
Bem, deve ser de facto a melhor altura para ir a algum curso, já que podemos levar a criança connosco, não temos que ir levar ou buscar ninguém a escola e/ou atividades, o jantar pode esperar, não há grandes horários....no fundo não há grandes logísticas (nós nessa altura é que não sabemos ainda).

E depois?
Acabam-se os cursos. (Na verdade vai havendo alguns, muitos até,....mas creio que raramente se lembram que o público alvo precisa de sítio onde deixar as crianças. Ora aqui está um nicho de mercado: Cursos/Workshops de parentalidade positiva ou algo parecido, com serviço de babysitter! Vale?!)

Cada mãe conhece o seu filho melhor que ninguém.
Já lhe adivinha os pensamentos.
Reconhece-lhe os olhares, as expressões que contam mais que a boca.

Mas ao mesmo tempo, falta o Manual!
Assim como aquele que vem com qualquer equipamento.
O como fazer em caso de...;
Os vários tipos de erro...;
A quem recorrer quando...;
...
E o pior é que nas crianças não há luz de aviso se que alguma coisa vai mal!
Talvez alguns danos sejam irreversíveis!!

E quando chegam os vários tipos de ares, não estamos preparados (eu não estava, pelo menos).
Só os esperava daqui a um par de anos, próprios dos "teens"
E é com estes ares que testamos os nossos limites, a paciência....e é difícil!
Li algures que o 1º passo para o sucesso nisto dos teens é : Paciência!

UI! Vai correr mal.....é que essa está assim para o acabadote.

Olhando para trás talvez lidasse melhor com os vários tipos de choro!
E nessa altura estava fresca que nem uma alface nestas coisas da maternidade! Lembro-me até de me dizerem que não entendiam como eu tinha tanta dessa da paciência....


Ainda não sou mãe de teenager....mas para lá caminho a passos largos.
Começam agora outro tipo de dúvidas.
Mantém-se no entanto o mesmo tipo de perguntas...

Como fazer?
Que dizer?
Quando agir?

Procuram-se cursos para reposição da paciência perdida.
(Urgente)


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Bonança


E o que uma mãe gosta mais de ouvir quando tem as filhas doentes?!?!?

"Mãe tenho fome!"

Ora aqui está.
Depois da tempestade vem a bonança.
Deslumbra-se logo um horizonte mais claro.
Sinal de que passou a nuvem negra.
Levanta-se o alerta laranja.
Vislumbra-se uma noite dormida.
(Mas o melhor é não falar demais para não agoirar)

E o que menos gosto de ouvir?!
"Tenho fome mas não sei o que hei-de comer...." (Isto falando de lanches ou snacks)

Hoje estamos assim.
Acalmaram corridas à casa de banho e parece que as conversas com a barriga surtiram o seu efeito.

Se eu fosse uma mãe prendada, quer dizer, mais prendada ainda, apresentava um pratos destes.



Ou então fazia um de cada e dizia "Qual te apetece agora querida?!"...
Mas não...

Dou comigo a ser mazinha pouco simpática e paciente....e a dizer "Então e eu é que sei o que tu queres comer?!" . 
Geralmente dirigido à mais nova. Felizmente só uma tem esta particularidade.

Pronto, tenho este ponto fraco. Não gosto de enumerar listas do que há em casa para comer.
Já cá vive há uns anos.
Já sabe o sítio às coisas.
Não escondo nada nos armários.
E apesar de já chegar às coisas ou de saber arrastar cadeiras, eu juro que ía buscar de bom grado o que lhe apetecesse...

E pior, por vezes depois da lista enumerada não lhe apetece nada afinal!
Talvez por isso me tenha cansado das listas, ainda que verbais.
Eu chego a pensar que ela gosta de me ouvir dizer o que há, mas para aí à terceira hipótese já nem está a ouvir...
E quando o que lhe apetece é a única coisa que não tenho em casa?!?!

Desafios....






terça-feira, 15 de abril de 2014

"Director of operations"


Hoje a inspiração vem deste filme....
Tenho 11 anos de experiência neste trabalho, o mais duro do mundo.
Aquele que não trocava por nada !

O mais exigente de todos os trabalhos...

Responsabilidade a tempo inteiro.
Exige uma seleção criteriosa de conhecimentos.
Particular atenção aos detalhes.
Sem folgas.
24h de serviço personalizado e permanente em todas as etapas do desenvolvimento do projeto.
Descanso dependente de terceiros.
Empenho constante.
Dedicação.
Digerir críticas.

Garantir qualidade, conforto e comodidade, em horário alargado.
Ter como objetivo a perfeição.
Tratar de peças originais (únicas), desde a inspeção à manutenção. Neste caso a vasta gama de acessórios é apenas para exterior.

E ainda assim amar!

Como em qualquer trabalho há a parte das queixas...nunca estamos bem....
ando cansada; já não sei o que fazer; gostava de ter mais tempo livre; preciso de férias; tenho a cabeça feita em água; abusam da minha boa vontade; não me respeitam; fazem de mim criada....

Mas há uma parte que difere de todos os outros trabalhos:
Neste, quando estamos longe, queremos logo voltar.
Instalam-se as saudades.
Não sabemos viver sem ele.

É de todos o mais compensador.
O reconhecimento é constante.

Enquanto o vírus se encarrega da limpeza das condutas até à reposição do estado original da peça, há que garantir o minímo impacto no ambiente envolvente.
Agir em conformidade com exigências de reciclagem.
Cuidados na seleção de materiais ecológicos.
Limpeza (Lavagem manual), desinfeção e hidratação.
Garantir eficiência do consumo.
E em caso de necessidade, acompanhamento pessoal a áreas de intervenção externa, incluindo transporte, espera e regresso ao domicílio.

Neste momento, e após um dia difícil para os dois outorgantes deste contrato sem termo, tenho necessidade de:
Substituição das baterias. Alinhamento de um ou dois eixos. Instalação de gancho de reboque.

Já a peça, encontra-se apta com restrições....
Salvo especificação em contrário, está em bom estado.

Aguarda-se em alerta (espero que esta noite só amarelo pálido) que volte rapidamente ao original!





segunda-feira, 14 de abril de 2014

Alerta laranja


Mãe em estado alerta. Sob aviso laranja.
Dores de barriga assombram a noite. Possibilidade de trovoada.
Perspectivas de febre, por vezes forte. Pequenas subidas de temperatura, com máximas a atingir os 38ºC.
Forte agitação.
Períodos de humor muito nublado estendendo-se gradualmente à mãe, até ao início da manhã.
Previsão de necessidades de água, não sob a forma de precipitação.
Condições favoráveis à ocorrência de idas à casa de banho durante toda a noite.
Descidas da temperatura máxima. Vento fraco.
A exigir acompanhamento permanente.

E com este estado alerta em tempo presente, posso traçar o perfil, a carta e gráficos de observação da noite. Monitorização ao minuto.
Mas não me apetece. Faltam-me imagens satélite.
Já as imagens radar e a alteração da corrente fazem prever uma manhã difícil. E só tenho coragem para fazer previsões a curto prazo.

Atinge-me um estado generalizado de ter testemunhado vários fenómenos numa noite só.
Índices de sono reduzidos. Risco de paciência afetada. Oscilação entre estado normal e de extremos, com variações bruscas. Séria probabilidade de afetar a navegação. Sem recursos. Sem  lista de medidas a tomar.

Mas sei que o que tenho agora não tinha  há 11 anos.
E há 11 anos quando dizia que estava cansada não sabia bem o que a palavra queria dizer na sua verdadeira essência....Usava-a fora de contexto. Noutra escala. Com outras medidas.
Peço desculpa à palavra cansada.


Ainda assim, fazendo o ponto da situação e em jeito de balanços, não trocava estes 11 anos por nada!
(Dispensava só as noites em estado alerta laranja)

domingo, 13 de abril de 2014

Pára...



"Nos momentos mais desafiantes com o teu filho - pára. 
Deixa o momento criar um espaço entre a tua emoção e a tua reação.
Há quem diz que é nesse espaço que se encontra a liberdade.
Nesse espaço de liberdade, olha para o teu filho da mesma forma que olhaste a primeira vez que o 


Gostava tanto de ser capaz....
De encontrar esse "Pára", esse "Espaço"...
De mudar a reação, ou talvez anulá-la.

De, nesses momentos de desafio, olhar da mesma forma que olhei da primeira vez...
Nunca experimentei...mas parece-me boa ideia...

A tentar num próximo desafio....que deve estar para breve!




sábado, 12 de abril de 2014

Dava para lá viver.....quase!


A prometida reflexão sobre as migalhas no carro:

Ele há coisas que quem tem cromossoma Y nunca irá entender...

Eu gosto de ter no carro coisas de que posso vir a precisar só noutra estação do ano, ou que até nem nunca precise. Mas sei que estão ali. É assim uma espécie de seguro de saúde ou de vida....

Tenho uma amiga que na mala do carro tem sempre um guarda sol e um guarda chuva. Eu entendo-a. Também é Cláudia, pode ser disso....Eu acrescentava mais alguns básicos a esta pequena lista.

Mas sempre que o carro cai nas mãos do senhor cá de casa, pronto.
Tudo o que estava na mala sai.
Tudo o que está dentro do carro acaba num saco na garagem (chego a descobrir isto meses depois!)
E depois, estou eu a contar com uma muda de roupa para alguma das meninas, um casaco extra, o guarda chuva, e nicles!
Geralmente só me apercebo que falta quando preciso, o que me irrita solenemente....
Já a ele, o nível de irritação oscila entre o número (e tipo) de migalhas. O limite foi uma casca de banana. Compreendo-o....

Na minha perspetiva o carro não é para ser bonito.
É para ser funcional, prático e estar equipado com as minhas necessidades básicas, que obviamente não coincidem com as dele.

"Andas a preparar-te para viver no carro? É que cada vez estão lá mais coisas?!?" - Logística de mãe, é isso. Coisas que só cromossomas XX, e de preferência mães de menores de 12 entendem...

"Mas porque elas hão-de comer dentro do carro?!"  - Porque assim não choram; Porque vão entretidas; Porque é a única forma de lancharem a tempo de chegarem à ginástica....e era capaz de me lembrar de mais algumas razões....

Se passo lá tanto tempo nas voltas e voltas é natural que seja a minha segunda casa...
No final de uma semana com fortes alterações climatéricas, podíamos ir à feira fazer negócio. 

Talvez o carro só por si precise de um "quarto da tralha"!

Nota: Os vestígios de pastilha elástica no banco do condutor não são da minha responsabilidade. Também estiveram agarrados às minhas calças...e pior que tudo ninguém (NENHUMA DAS TRÊS) comeu pastilhas elásticas!!