sábado, 12 de abril de 2014

Dava para lá viver.....quase!


A prometida reflexão sobre as migalhas no carro:

Ele há coisas que quem tem cromossoma Y nunca irá entender...

Eu gosto de ter no carro coisas de que posso vir a precisar só noutra estação do ano, ou que até nem nunca precise. Mas sei que estão ali. É assim uma espécie de seguro de saúde ou de vida....

Tenho uma amiga que na mala do carro tem sempre um guarda sol e um guarda chuva. Eu entendo-a. Também é Cláudia, pode ser disso....Eu acrescentava mais alguns básicos a esta pequena lista.

Mas sempre que o carro cai nas mãos do senhor cá de casa, pronto.
Tudo o que estava na mala sai.
Tudo o que está dentro do carro acaba num saco na garagem (chego a descobrir isto meses depois!)
E depois, estou eu a contar com uma muda de roupa para alguma das meninas, um casaco extra, o guarda chuva, e nicles!
Geralmente só me apercebo que falta quando preciso, o que me irrita solenemente....
Já a ele, o nível de irritação oscila entre o número (e tipo) de migalhas. O limite foi uma casca de banana. Compreendo-o....

Na minha perspetiva o carro não é para ser bonito.
É para ser funcional, prático e estar equipado com as minhas necessidades básicas, que obviamente não coincidem com as dele.

"Andas a preparar-te para viver no carro? É que cada vez estão lá mais coisas?!?" - Logística de mãe, é isso. Coisas que só cromossomas XX, e de preferência mães de menores de 12 entendem...

"Mas porque elas hão-de comer dentro do carro?!"  - Porque assim não choram; Porque vão entretidas; Porque é a única forma de lancharem a tempo de chegarem à ginástica....e era capaz de me lembrar de mais algumas razões....

Se passo lá tanto tempo nas voltas e voltas é natural que seja a minha segunda casa...
No final de uma semana com fortes alterações climatéricas, podíamos ir à feira fazer negócio. 

Talvez o carro só por si precise de um "quarto da tralha"!

Nota: Os vestígios de pastilha elástica no banco do condutor não são da minha responsabilidade. Também estiveram agarrados às minhas calças...e pior que tudo ninguém (NENHUMA DAS TRÊS) comeu pastilhas elásticas!! 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Quando fico a matutar....

Na sala de espera das Urgências do Hospital Pediátrico, dou comigo a olhar em volta.
Não há muito mais a fazer...
A imaginar o que levou aquelas pessoas ali.
Que dores terão os seus meninos.
Porque é que às vezes estão 4 adultos para uma criança.
Sei lá, tudo o que me vem à cabeça.

(Faz-me lembrar uma senhora sábia nas palavras, que imaginava  histórias complexas sobre as famílias que almoçavam em mesas vizinhas num qualquer restaurante. Uma avó que não era minha)

Pais e mães entediados pela espera. Semblante carregado. Preocupações.
Miúdos corados pela febre. Irrequietos. Choraminguices. Queixumes.
Em contraste, crianças cheias de energia vs pais esgotados.
(Chego a pensar que os pais têm "pior aspeto" que as crianças e que estão no hospital errado)

Havia uma mãe que não queria que a filha dormisse.
Isto ao mesmo tempo que eu dizia à minha para dormir.
Ouvia a dizer "Eu dou-te colo mas não podes dormir!"
(Isto do não dormir só associo aqueles acidentes em que se tenta manter a pessoa desperta para manter a consciência...)
Não me parecia o caso. Fiquei a pensar porquê. Vá-se lá entender. Até a R estranhou...

Havia uma senhora e uma criança (não sei se mãe e filha). Com elas estava um senhor de mais idade (talvez avô ou talvez o senhor que as conduziu até lá).
Só sei que enquanto todos os outros íam vigiando, mimando, lançando olhares preocupados, pondo a mão na testa para ver a evolução da febre, dando colo, adoptando posições terríveis nas cadeiras para que as crianças dormitem enquanto esperam, andando para cá e para lá de filhos nos braços, mudando de posição para aguentar as dores nas costas.....
...ali havia algo de estranho....não havia olhares de lado uma para a outra, nem colo, nem cumplicidade, nem mimo, nem uma festa no cabelo, nem sequer palavras de conforto, a não ser uma pergunta da menina "Posso tirar o casaco?" e um aceno positivo de resposta.

Essa menina, demasiado bem comportada na cadeira, olhava para as outras crianças e mães.
Àquela hora (1h30) todas já dormiam ao colo ou encostados à mãe ou pai....reparei então que a menina inclinou a cabeça na direção da senhora (talvez numa tentativa de se encostar). Não obteve reação....a tal senhora continuava de braços cruzados a olhar em frente para o relógio, ou a mexer no telemóvel.
A preocupação era evidente, mas com o tempo....o tempo que ía demorar, as horas, o regresso, o transporte. Nunca tirou o casaco.
Tirando a pergunta da menina, nunca mais falaram.

Fiquei a matutar...

Quando as chamaram, a senhora levantou-se e foi, sem olhar para trás.
A menina seguiu-a. O senhor desapareceu.
Vi-as sair do consultório. Senhora à frente. Menina a segui-la.
Esperavam à porta pelo transporte.
Falavam, mas não ouvia o que diziam.
Estavam frente a frente. Sem contacto físico.
Senhora de braços cruzados.
Menina com a mão na garganta. Parada, às 2 da manhã, de pé....à espera.

Fiquei a matutar...

Podiam não ser mãe e filha. Mas ainda assim fiquei inquieta...
Neste tempo, enquanto matutava, a R dormiu no meu colo.


A importância dos embrulhos

Ora quando ofereço uma prenda gosto do detalhe do embrulho.
Não é só um papel qualquer.
Chego a desembrulhar coisas que vêm prontinhas a oferecer das lojas e a fazer outro embrulho.... (paranoías).

O Dia do Pai já lá vai....mas ontem ao selecionar fotografias, encontrei esta.




Um dos presentes oferecidos pela R no dia do Pai deste ano.
Lembro-me que na altura perguntei "Quem é que escolheu o papel de embrulho?" 
E acho que ela disse que tinham utilizado papel de revista, mas fez-me um ar do tipo "o que é que isso interessa?!"....
Ok, reciclar, papel de revista, muito bem.....mas na prenda para o pai, no dia do pai.... esta parte de uma revista, ainda por cima em destaque....não deixa de ser caricato....

Claro que a R nem pensou nisso, mas eu reparei e o pai também!

Talvez o embrulho elevasse muito a fasquia quanto ao conteúdo...ou iludisse sobre o mesmo.
De facto o conteúdo não tinha nada a ver, mas o pai gostou!
(Digamos que neste caso eu teria mudado o papel de embrulho....)




quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ser mãe é ...

ou melhor.... também é...

- Cortar as unhas e descobrir no dia seguinte que faltava cortar duas.
- Estar preparada para ter migalhas no carro....e não estranhar. (só esta parte do carro merece per si uma futura reflexão)
- Tentar não rir enquanto se faz cara séria de algum disparate acabado de presenciar.
- Dar beijos, abraços, mimos, mesmo apenas uns minutos depois de ter estado "irritada".
- Saber quando adormecem só pela mudança na respiração e expressão.
- Ficar ao ao lado delas a dormir
- Acordar na cama delas.
- Ouvir "Adoro-te" tantas vezes e tão sincero.
- Dizer "Adoro-te" tantas vezes e tão sincero.
- Abdicar de longas noites de sono profundo.
- Acordar ao minímo "Mamã".
- Não dispensar luzes de presença (a bem dos meus dedos mindinhos e canelas das pernas)
- Entrar numa loja e ir direta à secção de criança.
- Andar às compras sozinha e quando ouço "mamã" olhar para trás (parecem sempre as minhas).
- Sentar à mesa para jantar, pegar nos talheres e nesse exato momento ouvir "Fiz cocó..." (sim, isto quer dizer que a R já tinha saído da mesa, assim que se sentou, para ir ao WC. E também quer dizer que lhe dá mais jeito chamar do que agir)
- Estar a secar o cabelo e a tirar água em excesso das orelhas com um cotonete (Sei que esta prática de higiene pessoal não é aconselhada pelos otorrinos, mas eu vá-se lá entender não os dispenso)....e acabar nas urgências....e como tal ter que lhes dar razão.
- Saber que encontrar um par de meias no bolso do casaco não é assim tão estranho (mesmo que sejam usadas).
- Apanhar sustos da ordem de magnitude do quase enfarte quando se ouve um estrondo em casa, seguido de choro, ou talvez pior, seguido de nada!
- Estar na urgências com uma filha e preocupada (também) com a que ficou em casa (não sozinha claro!).
- Baralhar os dias em que cada uma tem ginástica.
- Ter o corpo num lado, e o pensamento noutro.
- Também saber pedir desculpa.
- Também admitir erros.
 ...
...e tanto mais, que bem vistas as coisas nos (pre)enchem os dias (umas vezes mais que outras!)



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Cursos de mãe

Uma queixa de uma súbita dor de cabeça na R.
Tão súbita como o meu não a um quadrado de chocolate (após 2 rebuçados).....
Seguem-se alguns breves minutos de queixumes e lágrimas.
Parece que a súbita dor de cabeça está mesmo chateada com a falta do chocolate.

Eu - Olha vamos lavar e vestir o pijama que vais ver que já passa....Também deves estar muito cansada.
E fomos. Nada como água morna, limpar as lágrimas e vestir o pijama na cama da mamã.
R - "Já estou melhor mamã. E doía mesmo a sério!"

Ficamos assim abraçadas um bocadinho no mimo.
Foi-se a dor de cabeça e o chocolate passou a leite morno antes de ir dormir.

R - "Mamã, tiraste um curso de Mãe?"
Eu - Não há cursos para ser Mãe.
R - "Então como sabes ser Mãe?"
Eu - (segundos de pausa sem reposta) Não se aprende....as pessoas sabem ser mães....(Será?! Deviam não é?!)
R - "Algumas se calhar não sabem..."
Eu - E achas que eu sei? 
R - "Sim, és uma boa mãe."

Quanto a isso não sei. Não tenho a mesma certeza.
Mas sei que certas dores vão embora com a nossa disponibilidade, atenção e mimo.
Hoje foi o caso.
Precisamos tantas vezes dos abraços apertados umas das outras.
A história do beijinho na ferida (bactérias à parte) resulta mesmo....e isso não vem em nenhum manual de instruções.




terça-feira, 8 de abril de 2014

14-52 "Cachinhos da Páscoa"

Trazem-me recordações de infância, de férias da Páscoa, de tradicões de aldeia.
Adoro a cor, o perfume, e é para mim o claro anúncio da chegada da primavera, de dias amenos e das primeiras mangas curtas.

Chamava-lhes "Cachinhos da Páscoa".
Sabia que não seria o nome verdadeiro, embora nunca o tivesse questionado.....também há os Brincos de Princesa...por isso, porque não?!
Achava que aquela denominação chegava e era bem atribuída.

Todos os anos apareciam nos muros na casa da minha avó paterna (ou por lá perto).
Todos os anos o meu pai cortava um cachinho e andava com ele no carro até secar.
(Deve ser o único ambientador que o meu nariz aceita, talvez por ser natural)

Soube há muito pouco tempo que têm um nome, mas encontrei-o sem o procurar - Glicínias.

Apesar da Páscoa já não ser como era na minha infância, de certas tradições mudarem ou desaparecerem, estes serão sempre os meus "Cachinhos da Páscoa".

Felizmente a cidade está cheia deles!
Este ano parecem estar em todo o lado!



segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Brownies e Tarte de Maçã"


E assim foi um sábado de chuva.
A I está imparável na cozinha.

Não bastavam os Brownies ainda fez uma Tarte de Maçã ao estilo Vovó Donalda (daquelas que íam arrefecer para a janela na Banda desenhada)....mas fez mesmo tudo, incluindo a massa (nada de congelada ou pré-feita!)
Eu posso assegurar que estavam uma delícia.

(Só sei que se continua assim vou ganhar uns kilos extra)
Se estávamos agora a entrar no inverno estava feita! A cada tarde de chuva dois doces....