quarta-feira, 19 de março de 2014

Alice (s)

Alice.
A do país das maravilhas.
No espaço de uma semana, respirei Alice.
(talvez sejam sinais....dos que só eu percebo, ou apenas os queira ver e entender como tais...guardo-os por isso, aconchegados)

Comecei por ser transportada para o mundo da Alice, mas com gente real e felizmente não precisei de cair por um buraco. Conheci pessoas extraordinárias e um sítio mágico. Adorei pequenos pormenores.





Depois outra Alice apareceu num cartaz.


Esta foi a 1ª ida ao teatro à noite para as meninas, o que fez toda a diferença na excitação com que encararam esta aventura. "Às 9h30?!?!? Da noite?!?!??!"

Peça com muitas mensagens misturadas com apontamentos humorísticos que arrancavam gargalhadas às meninas, depois de algum suspense (para a mais nova, receio diria) inicial.

A I percebeu que havia mensagens para retirar, embora algo confusas.
A R gostou mais de umas personagens do que outras. Dizia algumas falas no final. E gostou.
Relembramos várias vezes o famoso "Cortem-lhe a cabeça!".

Expliquei-lhes que as mensagens passavam por:

o tempo. ter tempo. desperdiçar. aproveitar.
realidade ou sonho
esquecer ou lembrar
escolher o sonho ou o real
tomar decisões

Havia frases, como:
"Ás vezes de uma má escolha sai uma bela história"

E a famosa pergunta, "Quem és tu?"

E então eu própria percebi que nunca tinha realmente pensado nesta história....nunca lhe tinha retirado tanto sentido....mesmo tendo visto o filme.

Nunca li o livro.
Não era das minhas séries de desenhos animados preferidas, embora ainda tenha bem na memória a voz da mãe que chamava a menina que só fazia disparates e conversava com coelhos de relógio de corda, que destruíam canteiros de flores, enquanto se servia chá às senhoras bem postas, no jardim.

Algo que me diz que o vou ler agora.
Há horas para tudo. Nada acontece por acaso.
De repente, tudo faz sentido. Ou só sou eu que quero que faça...

terça-feira, 18 de março de 2014

"A rapariga que roubava livros."


A I perguntou se podia ver este filme.
Li o resumo da história. Paralelamente à parte da menina e dos livros, havia a parte da guerra real que levou vidas e de vidas dentro da guerra. A segunda guerra mundial, tão longe em tempo, para quem vive em 2014, noutro século.
Ocorreu-me que podia ser demasiada realidade para 11 anos, mas por outro lado....porque não?!

A R de 7, para quem as legendas são ainda muito rápidas, lá ía deitando um olho e perguntando o que se passava quando alguma cena do filme lhe despertava mais interesse ou curiosidade.

No resumo não dizia que a morte era o narrador.
A mesma morte que, friamente, não faz distinção de quem leva.

Teve impacto.
Uma história fantástica, dentro de uma realidade demasiado cruel, que despoletou  muitos porquês.
Porquês para os quais não temos resposta...nem nós nem ninguém...
Marcou.
Emocionou.
Deu muito que pensar.



Há histórias que marcam. Facilmente encaixam na lista dos melhores filmes.
Ainda me lembro do impacto do "Clube dos poetas mortos", embora fosse mais velha que a I.
Assim olhando para trás, não me lembro de nenhum outro que tenha tido o mesmo impacto, por volta daquela idade.

Sei que este vai ficar na lista dela.
Fiquei com vontade de ler o livro. E ela também.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Esquecimentos


Faço uma cruz na mão para me lembrar que não me posso esquecer de alguma coisa.
Depois não me lembro porque fiz a cruz....e fico a olhar para ela a pensar "Será que era importante?!"....

Conheço quem tenha alguns rituais para se lembrar das coisas.
Pôr objetos em sítios diferentes, post it´s em locais estratégicos, ter bolsos específicos para certos fins e coisas assim.
E isso traz-me algum consolo....pelo menos não me acontece só a mim.
Na carteira se me decido por dividir as coisas pelos diversos bolsos e secções com fechos e molas, depois não me lembro em qual estão as chaves do carro, as do trabalho, o telemóvel, etc....
Mais vale mesmo tudo ao monte!

Gosto de blocos, agendas, listas. E com isto me oriento (ou melhor, tento).
Ainda assim se não abrir a agenda... lá vai tudo....
Talvez tenha mesmo que aderir aos eletrónicos para alertas do que tenho para fazer.

Dou comigo a fazer na mão não uma cruz, mas as iniciais do que não me posso esquecer.

Muito neurónio queimado junto com as pestanas.

Dou comigo de repente a conduzir numa rotunda e numa fração de um segundo não me lembro para onde quero ir. Ou noutras alturas não sei como já estou em determinada rua....e nem sei como lá fui parar.
Abro a porta do frigorífico e não sei o que ía buscar.
Procuro o cartão multibanco, mas entretanto já o tirei da carteira e tenho-o na mão.
Vou às compras. A intenção é trazer uma única coisa. Trago montes delas menos o que ía comprar.
Olho para o ecrã do computador e não sei que pasta ía abrir.
Vou para fazer o registo biométrico no trabalho e em vez disso dirijo-me ao multibanco. Ambos são por código, talvez seja disso....

E o pior....
- Mãe só agora é que me vens buscar?!
- Então, só estás à minha espera há 5 minutos!
- Mãe, eu neste dia saio 1 hora mais cedo.....

(e cai-me tudo.....afinal não acontece só aos homens....não estava habituada a que existissem horas de saída diferentes...e ainda não havia telemóvel para me ligar....)
Já foi há mais de um ano, mas ainda me aperta o peito esta lembrança.
Sei que fiquei eu pior que ela. Sei que não foi grave, ela estava na escola.
Mas eu esqueci-me naquele dia.
Não era uma rotina. Não havia post it. Não tinha cruz na mão. Não vi o horário.
E nunca pensei que me acontecesse...

Talvez ainda recupere a minha organização mental, quando tiver tempo.
Escapadelas. Férias. Tempo. Descanso. Precisam-se!




sábado, 15 de março de 2014

Semear



É preciso semear para colher. Sempre me fez muito sentido esta imagem.

Mas não basta semear.....

Também é preciso regar, cuidar, deixar entrar o sol, tirar as ervas daninhas...

Faz sentido. Faz sentir.



sexta-feira, 14 de março de 2014

"Bruxa bruxinha entra no jogo"

Há uns tempos a R pediu-me uma corda para saltar.

Já tinha tido uma, mas ainda não tinha aprendido a saltar. Depois a R cresceu e a corda não.
Justificava-se a compra. E numa feira de artesanato comprei uma destas. Achei giras e pelo menos as pontas não são de madeira (que acho sempre que vão levar com aquilo na cabeça...ou nas pernas.....principalmente quando se lembram de juntar as cordas para fazer uma maior....).





Confesso que nunca pensei que a moda pegasse.
Estava enganada. Assim que veio o sol pediu para a ir buscar à garagem.
Uma das bonecas já se descoseu de tanto uso.

Começou até a levá-la para a escola.

Fez-me recordar os tempos de escola primária em que comprava elásticos de 5 metros para caber eu e mais umas quantas amigas a saltar ao mesmo tempo. Sabia aquelas cantorias todas e os passos mais elaborados. Treinava em casa com o elástico preso às costas de cadeiras, no sotão. Muito sofreram os meus pais com tanto salto!

Hoje ao entrar na escola da R, estavam 3 meninas a saltar à corda. Reconheci a lenga lenga na cantiga.....
"Bruxa bruxinha entra no jogo...
...dá uma volta
levanta a saia
põe a mão no chão
põe a mão no coração...
 ...e salta fora!"
 
A R também sabe a cantoria toda.
Já do elástico não sabe bem as regras e os passos rebuscados.
Mas há dias saiu-lhe um num jogo da MEO (ele há coisas....uma operadora a oferecer elásticos de saltar....boa!)....e ficou curiosa. Tenho que ver se me lembro ou se pesquiso na net "Como saltar ao elástico - anos 80".

Mas hoje gostei de ver e de ouvir.

E era com tantos destes jogos que passavamos os recreios:

Saltar à corda
Jogar ao elástico
Macaquinho do chinês
Mata
Escondidas
Berlindes
Prego
Eixo
Cabra cega
O rei manda
Bom barqueiro
Pedreiro e carpinteiro
O sete
O lencinho
Mamã dá licença? 
Saltar com 3 pausinhos no chão em que ía alargando a distância entre eles (não sei como isto se chama)


Afinal, brincam!
E não é que gostam destes jogos simples, baratos, práticos, que estimulam o convívio, que fazem transpirar, que fazem rir e onde até se aprende a fazer batota. Faz parte!
Precisam só é de os conhecer...
Tenho que ir arranjar a corda!




quinta-feira, 13 de março de 2014

Rua!!!!



Está tão bom tempo para brincar lá fora!
Para desenhar ao ar livre....
Para apanhar pedrinhas e conchas...
Para 15 minutos de sol....
Para correr no recreio...



Sabes que estás ultrapassada quando:



- A tua filha de 11 anos identifica uma cantora de quem nunca tinhas ouvido falar, e cuja cara nunca tinhas visto. "Oh mãe é a Taylor Swift" - QUEM?!

- Ambas as tuas filhas trauteiam músicas que desconheces.

- Quando mudas para a M80, trauteias sozinha no carro e elas olham uma para a outra com aquele ar:
"A mãe enlouqueceu!". Então se o pai trautear também....pronto, segue-se o olhar "Quem são estes?!".

- Dizes à tua filha mais nova "A tua pele é tão macia!" e ela responde "A tua já não é tanto"....

- Tiras uma Selfie com elas, e só gostas de ver as tuas filhas na foto.

- Já percebem mais de tecnologia do que tu e dás contigo a perguntar como se faz qualquer coisa na TV ou no ipad..... "Dá cá o comando mãe, que eu faço!"

- Entras numa loja de roupa assim mais para o jovem (mas não infantil) e olham-te como se perguntassem o que estará esta senhora a fazer nesta loja, e só tens vontade de dizer "Ando a ver roupa para a minha filha."

- Quando começam perguntas com "No teu tempo..." ou "Quando eras mais nova...."

- Um negativo de uma fotografia se torna um mistério e só por si merecia um episódio de uma série tipo CSI, tal é o ar fantasmagórico das imagens que lá aparecem.....(Incrível como reconhecíamos pessoas nos negativos!)

- Quando lhes perguntas se alguém de quem estão a falar é novo, e elas respondem "Não, é assim mais ou menos como tu...."

- Existem "Bolos de Fraldas" e tu não sabes o que é! Ou seja, ou as minhas crianças já são muuuuuuito crescidas ou isto passou-me completamente ao lado!

                            (isto é um Bolo de Fraldas, para quem está desatualizada como eu - também há para meninos)


Talvez não seja ultrapassada. Talvez seja só mais madura.
E já agora acho que mesmo que existisse há uns anos teria dispensado o Bolo de Fraldas....