quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Cada Natal um livro
Já sabem que um livro é uma companhia.
Começaram desde pequeninas a tê-los por perto, mesmo muito antes de saberem o que eram letras e muito menos que as mesmas formavam palavras.
Gostavam de ver as ilustrações, ouvir histórias, de saltar páginas com bruxas más, de chegar depressa à última página para logo a seguir voltar à primeira, de abrir janelas mágicas, de colar autocolantes, de fazer festinhas a páginas com animais fofinhos, de ficarem deslumbradas com páginas cintilantes, de decorarem rimas e sons divertidos, e mais tarde da descoberta da leitura, geralmente acompanhadas de adultos.
Todos os anos por esta altura lhes dou um livro, geralmente sobre Natal, histórias de inverno, na neve, à lareira, e por essa razão conseguimos este ano embrulhar 24 livros para fazer o advento do Merry Reading.
Este ano não foi execção. Um livro para cada uma. Um com janelas e surpresas cintilantes outro para mais crescidos com alguns valores por lá metidos, de onde sai uma moral da história.
Seria o ideal para estes dias de chuva, mas nem sempre se lembram deles.
Do conforto de uma manta num recanto e a companhia de um livro. Eu gostava!
Geralmente nestes dias de chuva e vento em que não dá vontade de pôr pé fora de casa, é quando por natureza não sabem o que fazer, andam pelos cantos, chateiam-se uma à outra, implicam com tudo e todos, não sabem inventar nada para se entreterem, tudo parece uma seca, os filmes são sempre os mesmos, as séries repetidas e até os brinquedos novos do Natal parecem ter anos de existência.....
Preferiam a companhia de amigas para brincar.
Mas no primeiro dia do ano está tudo entregue às suas tradições e famílias.
Estranhamente (para mim) muitas vezes não sabem aproveitar a companhia uma da outra.
E lá dou comigo a inventar para entreter. Para tentarem estar um bocadinho entregues a elas, para se habituarem a imaginar o que fazer, porque continuo a pensar que sem a presença de um adulto não acham piada a nada....
.....e depois lá mais para a noite, já tarde, então lembram-se deles.....para ler antes de dormir, e às vezes lá ouvem, "E porque não se lembraram de ler mais cedo?!?!"
Ainda assim, vale a pena mantê-los por perto.
Já se habituaram à sua presença. Gostam de os requisitar, das estantes da Ludoteca com tantos por onde escolher. De vaguear a ver capas e livros nas livrarias. De passar do ouvir histórias para o ler!
A mais nova gosta de ler para alguém. Ou de ouvir de alguém. Ainda não descobriu o ler para ela.
A mais velha já lê sozinha e muito, e gosta de partilhar o que leu. Já lhes entende a companhia.
Que o hábito fique.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Outras Lapónias
Todos os anos vamos sonhar....acordadas.
Há sempre muito para ver, tanto para fazer e delícias para provar!
Já conhecemos a Terra dos Sonhos há 3 anos, mas vale sempre a pena!
Para lá dos portões é um mundo à parte, cheio de contos, de magia, de música, de aventuras e de Natal.
Até o senhor das barbas é quase real! (talvez seja o verdadeiro!)
E ainda vimos o Rodolfo, que afinal só fica com o nariz vermelho mais pela noite.
E nao é que fomos à Lapónia! Mais depressa do que pensava!
Já só falta a Lapónia lá longe, a da neve verdadeira!
Mas para já, esta serviu!
domingo, 29 de dezembro de 2013
No rescaldo do Natal
Dezembro é um mês estranho. Frio e cinzento, mas cheio de cor!
Passa a correr! Todos os anos tenho a mesma sensação, vai-se num piscar de olhos.
Começa dia 1 com os primeiros preparativos, a àrvore de Natal, enfeites, luzes. A casa fica mais acolhedora, revestida a sonhos e desejos de meninas ansiosas.
Depois passamos dias a ouvir músicas alusivas à época em qualquer superfície comercial enfeitada desde outubro!
São as listas de compras.
Pensar nas pessoas que gostamos e queremos mimar.
São os muitos afazeres e correrias, que adoro!
E de repente, puf, chega-se a dia 24, à típica agitação do dia, à confusão do desembrulhar, e está quase no fim, o mês, e as natalices!
Dia 25, é dia de regressos.
E pronto, lá entramos naquela semana, rescaldo do Natal, antevisão do ano novo e sabemos que até aos Reis ainda é vindima......e temos na mesma a àrvore de natal, as luzinhas a piscar, e os chocolates para ir comendo, mas já estamos forrados da doçaria do Natal.
Estão as meninas de férias.
É uma semana a meio gás.
Adiam-se os trabalhos de casa.
Alijeira-se o ritmo.
São os brinquedos na sala, à espera de serem descobertos.
São restos de papel de embrulho amassado a colorir o cesto do papel para reciclar.
São as constantes solicitações para brincar e jogar.
São os restos dos doces.
E aquela vontade de ficar por casa, a aboborar, a devorar filmes de natal, aconchegadas em mantinhas.
Começam outras listas, outros preparativos, estes para despedir do ano velho e acolher o ano novo!
Continuo a achar que as mães deviam ter férias natalícias....
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Agora falta a Lapónia!
O Natal tem mais magia quando há crianças.
Também é mais mágico quando elas acreditam no Pai Natal.
E esse reinado de magia está a terminar....
A I soube a verdade este ano. Até há pouco acreditava com muita força.
Nunca dava conta do desaparecimento de ninguém, no entanto os presentes apareciam como por magia.
Os embrulhos e as etiquetas eram sempre diferentes e assinados pelo Pai Natal. Chegou mesmo a ver o nariz vermelho do Rodolfo a piscar à janela, enquanto este e demais supostas renas sobrevoavam os céus para pousar na próxima chaminé (aí até eu quase acreditei!). Para além disso, o Pai Natal aparece com as renas no telejornal, e o telejornal dá notícias verdadeiras, certo?!?
Depois, todos os filmes de Natal, levam a que se acredite e sonhe que é verdade! Terminam quase sempre a convencer os mais céticos de que o senhor das barbas é real e consegue dar mesmo a volta ao mundo numa noite, haja tempestade de neve, avarias no trenó, renas constipadas, rainhas do gelo maléficas e tudo e tudo!
Mas este ano, para ela o mistério terminou.
Embora o Natal seja uma época festiva e de família reunida, para a I este ano perdeu aquele sabor mágico do algo inexplicável.....do "será que o Pai natal me vai trazer o que pedi?!"....
A R suspeita, desconfia e questiona. Mas a I queria que ela acreditasse nem que fosse só mais este ano! Para que fosse ela a ajudar a criar magia para a irmã....então lá engendrou forma de dizer que o Pai natal escolhe um continente por ano onde vai ele próprio e nos restantes continentes são os pais que o substituem. Este ano calhou a Europa, e por isso é mesmo ele a entregar as prendas!
Não estou certa da R ter caído na conversa, mas ficou a magicar....
Ainda assim, enviaram cartas ao Pai Natal, limparam a lareira, a R colocou etiquetas nas meias, uma por cada criança, e esperou....entretida pela irmã, para que não notasse rebuliços estranhos ou embrulhos esvoaçantes pela casa.
E aconteceu tudo como sempre. Os presentes apareceram lá, sem que ninguém tivesse desaparecido.
E o Pai Natal trouxe o que pediram...e os sorrisos esses não falham!
Ao chegar a casa descobrimos um filme natalício na RTP2.
Terminamos a noite, a ver o Fred Claus, irmão do verdadeiro Nicholas Claus!
e a R lá ficou outra vez um bocadinho baralhada.....então afinal, é o Pai Natal?!
Ainda assim creio que este foi o último Natal com a magia do acreditar com toda a força....
Agora falta-me levá-las à Lapónia....
Gostava mesmo de fazer um visto nesse item da minha lista de "TO DO"...
Se calhar vou pedir ao Pai Natal! ;)
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Dar de nós
Na onda do "Tu estás feliz eu estou feliz", e agora que acabou o 1º período, devo dizer que para além de feliz por estares feliz, estou orgulhosa.....
Estou feliz e orgulhosa pelas minhas duas meninas, claro!
Mas no 6º ano o ritmo é outro, a escola é outra, os professores são muitos, há o fantasma que lhes paira todo o ano dos exames finais e depois de um 5º ano de adaptação e ainda assim muito bom, estou Orgulhosa porque....
o teu empenho deu frutos, e principalmente os frutos que querias!
o conseguiste sozinha
embora diga que és despistada, és responsável e atinada
já sabes organizar o teu tempo, o teu estudo
afinal sabes que és capaz
acreditas em ti
te manténs tu própria
E principalmente porque disseste que o teu objetivo para 2014, é melhorar, mas mais ainda, ajudar uma colega de turma a quem não correu tão bem, a subir as notas para que não chumbe de ano.....e isto sim, faz-me sentir que és especial, muito!
No meio de tantas dúvidas sobre a mãe que sou, do que faço certo ou errado, sinto-me feliz por ver que os valores estão lá plantados. Tenho meninas de coração grande! Talvez esteja a fazer alguma coisa bem...
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Tesouros bem guardados
Fomos ao teatro numa viagem especial.
E esta viagem levou-me a outras viagens, às da minha memória, ao meu tempo de menina, numa espécie de máquina do tempo em imagens, sabores e cheiros.
Do lado materno:
O azeiteiro que aparecia à porta da casa a buzinar
A ida à missa primeira com a minha avó Cila, a pé, ainda com o orvalho da manhã
Os bolinhos de arroz com salsicha
O pão torrado no forno a lenha barradinho com planta
A senhora com o peixe à cabeça: "Cila queres sardinha?" e que eu costumava imitar
Tomar banho no tanque
As coleções das caricas do frisumo
Esperar por garrafas vazias de vinagre para ir atirar água aos carros que passavam (ou obrigar a avó Cila a desencantar outro recipiente para pôr o vinagre e libertar as garrafas)
Ir buscar água à fonte
O maravilhoso pão com ovo estrelado e açucar
Fazer comidas com o que havia no quintal, couves e terra dava um ótimo caldo verde imaginário
Aprender a tricotar
As ervilhas de cheiro
Os amores perfeitos
Ficar à janela a ver os mascarados do entrudo a passar.
Dar comida aos coelhos
Brincadeiras e arrufos de primos
As pratas de chocolate que o meu avô Berto comprava, coloridas, com caravelas que eram retiradas meticulosamente para não rasgarem e colocadas dentro de livros lisinhas.
A ida ao quelhas ou à Ti Canda para as compras
Ir apanhar lenha e cada um ter o seu próprio feixe e levá-lo à cabeça
A expressão da minha avó "Muito riso pouco juízo"
A lenga lenga que o meu avô fazia nos dedos das mãos: "Pico pico sarapico...."
A roupa a corar
As peles dos coelhos transformadas em tapetes
Atirar caroços de fruta para o quintal, que deram árvores anos depois!
Adorava ver a minha avó a escovar o cabelo prateado e a fazer o puxo rematado com um gancho.
O meu avô usava chapéu sempre que saía de casa
Vestia sempre roupa quente mesmo sendo verão
Para estes avós era (e sou para a minha avó) a Cláudinha
Do lado paterno:
O cheiro a graxa quando o meu avô Domingos concertava sapatos
O meu avô a fazer a barba no fundo de corredor.
Os assados no forno da avó Lídia.
O arroz na púcara com cebola
A lareira
A minha avó chouriça, porque era assim que o meu avô a chamava
A minha avó a chamar o meu avó para a mesa quando ainda nem tinha posto o arroz a cozer
As conversas dos crescidos à lareira
As anedotas do meu avô
As pinhas a abrir em frente à lareira na noite de Natal e comer os pinhões ainda mornos
O tacho de ferro preto a cozer o bacalhau na lareira
As prendas nas botas na manhã do dia 25
Os pintaínhos em caixas com lâmpadas para terem calor
Depenar codornizes
Lavar roupa no tanque
Ouvir o sino da igreja de quarto em quarto de hora
Os meus tios quase da minha idade
As compras no Tomás
Brincar pendurada na cobertura que havia no quintal
O Datsun azul claro do meu avô
As calças com furinhos do cigarro que mantinha no canto da boca e do qual lá ía caindo a cinza.
Os apertos de mão especiais do meu avô, porque tinha 2 dedos dobrados
Para este avô era a Sofia
A minha avó e as suas gargalhadas de rir até chorar
Durante anos não tiveram telefone, muito menos telemóvel.
Só havia 1 canal, depois 2 e bem mais tarde TV a cores.
A vida tinha outro ritmo. Outro sabor.
Nada disto, ou quase nada ficou registado em fotografias. Mas enquanto me lembrar serão sempre os meus tesouros.
Tenho a sorte de ainda ter as minhas avós e de recordar com muito carinho o meu avô Berto e o meu avô Domingos.
E não fui a única a viajar no tempo hoje....
A I também viajou ao deitar.
Lembrou a Bisavó Jú, o Bisavô Berto.
Disse que gostava de ter conhecido mais bisavós...
Concluímos que é bom recordar, mesmo que tenham partido.
Acabamos por rir de memórias. É bom relembrar, ainda que seja com saudade....
E sentiu-se sortuda por ter 4 avós e 2 bisavós!
E já tem as suas próprias memórias e desta vez, mais fotografias a acompanhá-las!
E esta viagem levou-me a outras viagens, às da minha memória, ao meu tempo de menina, numa espécie de máquina do tempo em imagens, sabores e cheiros.
Do lado materno:
O azeiteiro que aparecia à porta da casa a buzinar
A ida à missa primeira com a minha avó Cila, a pé, ainda com o orvalho da manhã
Os bolinhos de arroz com salsicha
O pão torrado no forno a lenha barradinho com planta
A senhora com o peixe à cabeça: "Cila queres sardinha?" e que eu costumava imitar
Tomar banho no tanque
As coleções das caricas do frisumo
Esperar por garrafas vazias de vinagre para ir atirar água aos carros que passavam (ou obrigar a avó Cila a desencantar outro recipiente para pôr o vinagre e libertar as garrafas)
Ir buscar água à fonte
O maravilhoso pão com ovo estrelado e açucar
Fazer comidas com o que havia no quintal, couves e terra dava um ótimo caldo verde imaginário
Aprender a tricotar
As ervilhas de cheiro
Os amores perfeitos
Ficar à janela a ver os mascarados do entrudo a passar.
Dar comida aos coelhos
Brincadeiras e arrufos de primos
As pratas de chocolate que o meu avô Berto comprava, coloridas, com caravelas que eram retiradas meticulosamente para não rasgarem e colocadas dentro de livros lisinhas.
A ida ao quelhas ou à Ti Canda para as compras
Ir apanhar lenha e cada um ter o seu próprio feixe e levá-lo à cabeça
A expressão da minha avó "Muito riso pouco juízo"
A lenga lenga que o meu avô fazia nos dedos das mãos: "Pico pico sarapico...."
A roupa a corar
As peles dos coelhos transformadas em tapetes
Atirar caroços de fruta para o quintal, que deram árvores anos depois!
Adorava ver a minha avó a escovar o cabelo prateado e a fazer o puxo rematado com um gancho.
O meu avô usava chapéu sempre que saía de casa
Vestia sempre roupa quente mesmo sendo verão
Para estes avós era (e sou para a minha avó) a Cláudinha
Do lado paterno:
O cheiro a graxa quando o meu avô Domingos concertava sapatos
O meu avô a fazer a barba no fundo de corredor.
Os assados no forno da avó Lídia.
O arroz na púcara com cebola
A lareira
A minha avó chouriça, porque era assim que o meu avô a chamava
A minha avó a chamar o meu avó para a mesa quando ainda nem tinha posto o arroz a cozer
As conversas dos crescidos à lareira
As anedotas do meu avô
As pinhas a abrir em frente à lareira na noite de Natal e comer os pinhões ainda mornos
O tacho de ferro preto a cozer o bacalhau na lareira
As prendas nas botas na manhã do dia 25
Os pintaínhos em caixas com lâmpadas para terem calor
Depenar codornizes
Lavar roupa no tanque
Ouvir o sino da igreja de quarto em quarto de hora
Os meus tios quase da minha idade
As compras no Tomás
Brincar pendurada na cobertura que havia no quintal
O Datsun azul claro do meu avô
As calças com furinhos do cigarro que mantinha no canto da boca e do qual lá ía caindo a cinza.
Os apertos de mão especiais do meu avô, porque tinha 2 dedos dobrados
Para este avô era a Sofia
A minha avó e as suas gargalhadas de rir até chorar
Durante anos não tiveram telefone, muito menos telemóvel.
Só havia 1 canal, depois 2 e bem mais tarde TV a cores.
A vida tinha outro ritmo. Outro sabor.
Nada disto, ou quase nada ficou registado em fotografias. Mas enquanto me lembrar serão sempre os meus tesouros.
Tenho a sorte de ainda ter as minhas avós e de recordar com muito carinho o meu avô Berto e o meu avô Domingos.
E não fui a única a viajar no tempo hoje....
A I também viajou ao deitar.
Lembrou a Bisavó Jú, o Bisavô Berto.
Disse que gostava de ter conhecido mais bisavós...
Concluímos que é bom recordar, mesmo que tenham partido.
Acabamos por rir de memórias. É bom relembrar, ainda que seja com saudade....
E sentiu-se sortuda por ter 4 avós e 2 bisavós!
E já tem as suas próprias memórias e desta vez, mais fotografias a acompanhá-las!
sábado, 14 de dezembro de 2013
No place like home
"Vocês são a coisa mais importante que eu tenho na vida"
Esta miúda não pára de me surpreender...e derreter....
R, 7 anos, ao deitar, referindo-se à nossa família.
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