quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Tolerância dos 100 ao 0



"Tolerância" - Muito difícil de gerir...

Por vezes desce dos 100 aos 0 em 3 segundos.....tipo pipoca, prestes a explodir à mais pequena agitação.

Depende de tanta coisa.

Despertares repentinos;
O alvoroço das manhãs;
O "quero levar qualquer coisa para a escola" e faltam 5 minutos para tocar;
Tempo contado;
Afinal chove e não sei do guarda chuva;
Onde estão as chaves de casa;
Afazeres pendentes;
Jantar por fazer;
Respostas de "mas"....
Ter que dizer tudo 3 vezes;
Ninguém ouvir;
.....
....
....

Acho que "Organização" tende a ser diretamente proporcional à "Tolerância".
Tenho tudo organizado logo sou mais tolerante. Organização no sentido de orientação.
Não se trata de uma casa imaculada, onde não se notam vestígios de gente pequena, nem de fogões que brilham, mas de orientar rotinas....
Daí que uma mãe precisa de tempo. Precisa de se orientar e de orientar o que a rodeia.
O tempo faz toda a diferença neste disparo dos 100 aos 0.....
E como gostava de ter mais tempo, para raramente chegar à tolerância 0.....

Bem, talvez tolerância 100 nunca exista....pelo menos para mim.
Detesto barulhinhos irritantes e contínuos, como tilintares, clicks de tampas de canetas, tamborilar de dedos em superficies metálicas ou outras, portas a bater, sons de TV alta, tudo a falar comigo ao mesmo tempo....por isso nestes casos já não parto dos 100....

E depois há dias.....
Há dias que estamos bem connosco e com o mundo, e aí, sou mais tolerante aos sapatos no tapete da sala, ao prato esquecido na mesa, à mochila estendida na entrada de casa....
Provavelmente nestes casos, o nosso comando e ordem até é mais facilmente cumprido.
Não sai um " Vai já tirar daqui os sapatos", mas um "Olha, porque estão os sapatos no tapete?", e resulta sempre melhor...para ambas as partes.

Ter tempo para mim, para fazer o que gosto, para elas, para me orientar, faz-me tanta falta!
Havia com toda a certeza menos dedos apontados....

Precisava de um dia off! Aí um por semana chegava....








terça-feira, 12 de novembro de 2013

Flashback



Hoje recuei no tempo 30 anos....

Descobri um amigo da escola primária. Digam o que disserem do facebook....não fosse "ele" de quantos e quantas não voltaríamos a saber nunca mais....

Tinhamos todos entre 6 a 10 anos (eu entre 5 e 9), não havia telemóveis, nem emails, por isso não nos era possível manter contacto. Alguns continuaram estudos juntos, outros separaram-se logo no ciclo. Descobri que uma amiga desses tempos idos entrou na UC no mesmo ano que eu, tirou o curso na mesma cidade, embora noutra faculdade e nunca nos encontramos...

Certo é que me encheu o dia e eu que hoje estava numa de tradições de S. Martinho, castanhas e jeropiga, não consegui fugir deste reavivar de memórias....

De amigo em amigo, já somos alguns e criamos um grupo dos alunos da Irmã Catarina Falcão Miguel, a minha professora primária.

Estamos aqui de volta do passado, de memórias que estavam tão lá guardadas no sotão, partilhamos fotografias e já me ri tanto! Partilhamos o facto de entrarmos todos nos "enta" este ano. Fantástico como nos lembramos de tantos nomes, tantas caras e histórias. Uns mais mudados que outros, mas facilmente reconhecíveis.
Dou comigo a pensar que me lembro mais destes meus colegas do que muitos do ciclo e até do liceu (vá em terminologia nova, será 2º e 3º ciclo). Hoje chamaram-me Sofia. Já não "ouvia" há muitos anos. Na altura para além dos colegas da escola, e da professora, só o meu pai e avô paterno me chamavam assim também. Depois, fiquei Cláudia.

Algumas recordações ficam para a vida, às vezes estão é arrumadas à espera de voltarem ao de cima.

Fui remexer no baú. Encontrei meia dúzia de fotografias, e o mais giro foi ver as minhas filhas a tentarem identificar a mãe! Acertaram à 1ª em todas as fotos (bom, quase todas!).

"Oh mamã, eras tão fofinha!"
"Olha aqui nesta foto tinhas o meu sorriso!"

Quem se atreve a encontrar-me?!?! :)
E quanto ao assunto turmas grandes?!? Na 1ª classe eramos 31!









segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Best mum?


O que eu duvido disto...

Mas em dias como o de hoje, depois de mais uma festa..... Mais uma festa mas para a mesma menina.
Um bolo (o segundo)
Amigos (muitos)
Parabéns (em casa, na ginástica , na escola, hoje....)
Bowling (um sítio novo)
Algazarra (a do costume)
Animação (como convém).
Confusão (qb)
Sorrisos ( e gargalhadas)
Abraços sinceros (de grandes amigos)
Lembrarem-se de quem faltou.

E estava terminada mais uma festa...




Quando de repente dou comigo com 6 meninas e 1 menino de 11 anos, para jantar, mais as duas internas da casa. 9!
Estou de longe, na cozinha e enquanto imagino quanto comerão estes 9 esfomeados, vá 8, que a minha mais nova quase não conta...? ouço os planos para a brincadeira seguinte: "Quarto escuro". Acho que todos que conheço da minha geração jogaram a isto..... Sorrio.

E pronto, instalam-se risos, gritos, mais alaridos e algazarras, portas a bater, sons de felicidade e amizade.
Jantam. Descubro que sim, que estavam esfomeados, ou então sou uma brilhante cozinheira!!
Comem com tempo contado, já a aproveitar o jantar para decidir a próxima brincadeira.
Descobrem que se atrasaram em 2 minutos e já nem dá tempo para a segunda dose de bolo!
E lá vai tudo em debandada! Mais uma moeda mais uma voltinha!

Depois vão saindo um a um, a casa vai ficando mais silenciosa e suponho que os vizinhos agradecem.

Num destes vai e vem para a porta da entrada cruzei-me com a I no corredor. Recebo um abraço apertadinho, ainda com uns amigos cá por casa e vindo do nada ouço baixinho:
"Obrigada mamã! És a melhor!" e "Obrigada por teres paciência!".

Ocorre-me que no meio das tantas dúvidas que me assaltam, muitos pensamentos sobre o que faço bem, menos bem, sobre quantas vezes perco a cabeça, quantas levanto a voz, quantas respondo mal.....talvez esteja a fazer muito de bem e de bom.

Li uma vez algures que o facto de questiornarmos é meio caminho andado.
Quem não se rala não questiona.

Não sou perfeita. Não sou a melhor mãe. Mas sou "The Best Mum" para estas duas!
Pelo menos elas acham que sim!
Mas eu vou continuar a questionar...de cada vez que bebo um chá.

sábado, 9 de novembro de 2013

Perdas



Perdas são perdas ponto.
Sejam mais perto mais longe, mas sentem-se como uma falha no correr natural das coisas. Quebram rotinas, alteram outras e o nosso mundo fica mais pobre.

Hoje recordo um senhor, que conheço desde os meus 9-10 anos....
Brinquei com os filhos dele, as minhas meninas brincam com os netos dele.
Estranhamente criaram-se laços. Digo estranhamente porque é um senhor do mês de julho. Só estavamos com ele nesse mês, e sempre no mesmo ambiente, férias e praia. Mas foram 30 julhos....

Sempre teve sorrisos e elogios de boas vindas. Sempre me disse que " elas são as meninas mais bonitas da praia". Sempre o via agarrado ao seu jornal, a trautear uma ou outra música.

Hoje uma das minhas meninas disse-me:
"Oh, era tão simpático! E agora com quem vamos ver o outro senhor a jogar as damas?"
É para elas também uma perda, é o pai de alguém, o marido, o avô, de quem elas conhecem bem.

A praia da Póvoa ficou hoje mais pobre.
O próximo julho será diferente.
Até sempre Sr. Armindo.


Estou certa que esta geração continuará com o jogo das damas....





Fins de semana KO


Sexta feira à noite costumava ser o momento mais desejado da semana, aquele que antecede todo um fim de semana e ainda nem é sábado! Significava TEMPO LIVRE!




Quando se tem crianças esta sensação desparece a um ritmo alucinante....
As crianças têm o dom de adivinhar os dias em que não têm escola e parece que se organizam internamente para acordar mais cedo. Em dias de escola é preciso arrancá-las da cama, e aos fins de semana abrem a pestana a horas impróprias para pais e mães.

Depois como se o acordar cedo não bastasse fazem questão de nos acordar a nós, e já de pilhas carregadas, só falta estarem de malas feitas para partir. Ainda estamos a interiorizar que é mais cedo que o costume e já se ouve "Onde vamos hoje?" ou " O que vamos fazer hoje!"

Depois esta fase passa, já dormem um bocadinho mais, mas ainda assim apenas 1 (repito 1 ) dia destes dormiram até horas decentes (depois das 10h), chegando a acordar depois dos pais!!!!

Nos restantes dias, confesso que já regularam o relógio interno para dormir mais do que em dias úteis, mas fazem questão de vir avisar que já acordaram e de perguntar se podem ir para a sala.....5 minutos depois se podem ligar o computador e 6 minutos depois se podem comer mais alguma coisa, e 3 minutos depois se podem trocar de sofá, ou mudar de almofada....enfim, tudo serve para ver se a mãe já se dignou a fazer-lhes companhia!

E os fins de semana deixam de ser nossos, deixam de ter o nosso ritmo, deixam de ter "hoje não faço jantar", deixam de ter "vou dormitar no sofá toda a tarde a fazer zapping", eu diria que deixam de ser descanso e passam a ser alucinantes!

Confesso que por vezes ao domingo à noite quando muita gente pensa "argh, amanhã é segunda feira", eu sorria um bocadinho por dentro, e pensava "amanhã já respiro"!

Mas dentro do alucinante.....tornam-se cheios!!!
Cheios de momentos que nunca existiram antes, de apreciar coisas simples, de me surpreender com o que inventam, de pipocas no sofá....e também de outros que nos fazem perder a cabeça, daqueles que parece que nos viram de pernas para o ar...



Geralmente chego a domingo à noite cansada....mas secretamente feliz!

....mas faz tudo parte do ser uma família de 4!





sexta-feira, 8 de novembro de 2013

De cama em cama



É frequente acordar fora da minha cama.

Isto porque de noite, ouço vozes que me chamam e me transportam para outros quartos, em modo meio off, no lusco fusco das luzes de presença.

Já me aconteceu acordar e estranhar a posição da porta do quarto, de tal forma que até já me escapou que lá estava e acertei-lhe em cheio com a cabeça.Noutras alturas abro os olhos e começo a questionar onde estou, porque vem a luz de outra direção, para onde fugiu a casa de banho, porque a janela mudou de sítio e demoro um bocado a perceber onde fui parar e como? E não sou sonâmbula, mas isto da maternidade se nos dá super poderes por um lado, por outro afeta a capacidade de discernimento às 4 da manhã!

Por vezes nem me lembro bem porque fui parar a outra cama, o que mais estranho acho ainda......será que o meu subconsciente de mãe inventa modos de chamamento que os restantes comuns mortais não ouvem?!?

São 11 anos, com uma percentagem muito pequena de noites dormidas por inteiro. Chegou a haver alturas em que o meu sono não chegava a entrar no modo que me permitia sonhar e estranhei a primeira vez que voltei a sonhar após longos meses.

Passadas as fases de bebés, havia os xixis na cama, os xixis na sanita, as tosses, os vomitados, o aconchegar porque se destapam, o bruxismo (ranger dos dentes), o ressonar, o falar sozinha, os sonhos maus, o "pensar em coisas boas", o "fica aqui só um bocadinho", o "tenho sede", o "queria leite"....e por aí fora....
Chegava a pensar que preferia que acontecesse tudo numa noite só, porque quando a que mais chamava dormia bem, era estranhamente a outra que adotava esse papel...acho que gostam de ver a mãe entretida.

Em 11 anos, ainda acho estranho quando acordo de manhã e penso:
"Hoje não me levantei a meio da noite!"

E eu que gosto tanto de bem dormir, pelo menos um número de horas considerado aceitável!




 Não diria que resolve tudo, mas que me deixa mais retemperada, lá isso deixa!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quem não tem cão caça com gato....


.....e quem não tem gato caça com porquinho da índia!


Cão estava fora de questão. Cão em apartamento implica passeios ao ar livre para satisfazer necessidades biológicas em horas incompatíveis com o meu horário biológico.

Gato. Lutei e votei a favor, mas ganhou o senhor da casa por causa justa: alergia. Umpf!

Restavam outros pequenos seres, mas menos interativos, o que não me fascinava nada e não convencia as meninas.....não se dá colo a peixes, tartarugas, passáros e mais do género. Gosto, mas como complemento.

Hipótese seguinte: Hamster. Confesso que não estava muito convencida mas quase disposta a sujeitar-me a ter cá em casa um ser pequeno e agitado e ver as minhas meninas mais felizes.

Dou a mão à palmatória e à ideia do pai de oferecer então um Porquinho da Índia.....acho que ou era isso ou eu rapidamente enfiava um gato lá em casa e apelava à caridade!

E assim chegou o Nico, à nossa família, que não tem nada de porco, nem veio da Índia.


Ainda estamos em fase de conhecimento mútuo.
Ele terá que se mentalizar que não é uma casa pacata a nossa.....

Mas já recebeu colo(s), já fez xixi no casaco da mais velha, no tapete da entrada, no chão da sala.....
Acho que nesta parte o pai vai perceber que um gato se ensina.....o Nico não sei, não tenho grande esperança....mas confesso que o bicho já conquistou corações.

É oficial, o nosso agregado aumentou. Será que posso requerer abono?