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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Um livro a meias

Geralmente é em férias sem elas que consigo ler um livro. Quem sabe até dois.

Em viagens com elas, nem que sejam férias cá dentro, costumo carregar um livro, nunca dois, e raramente o abro. Elas já estão mais crescidas, mas ainda assim não consigo descansar os olhos nas páginas de um livro e deixar-me absorver. Foram muitos anos a tê-las sempre debaixo de olho, ao perto e mais ao longe....ver quando vão molhar os pés, quando vão encher o balde, quando fazem castelos de areia, quando mergulham na piscina a ainda nadam mal, quando vão comprar um gelado....Além disso há as constantes conquistas que querem mostrar e o "mamã olha!...o pino, o mergulho de cabeça, o cabelo na frente da cara"... torna-se uma constante tão presente que às vezes já nem são elas a chamar e eu olho na mesma!
São anos de vícios que uma mãe não abandona facilmente. Depois finalmente quando elas se deitam, o sono vence e o livro fica adiado, pousado na mesa da cabeceira, isto se chegar a sair da mala.

Desta vez, além do livro que cada uma de nós levou para Veneza, o best seller deste verão foi também na bagagem. O êxito de vendas mais rápido de sempre dizem os especialistas.
Comprei a 1ª edição em junho. Vai na 8ª!

Começamos a ler em conjunto. A designação de "thriller arrepiante" cativou-a. A mim também.
Acompanhou-nos nas viagens de comboio, ao deitar e no avião.
Líamos em conjunto e em silêncio nas viagens, e em voz alta, vez à vez, quando estávamos só as duas. A mim dava-me o sono mais vezes. Ela continuava a leitura sozinha e depois não conseguia conter o desenrolar do enredo e queria adiantar partes da história.

"A rapariga no comboio" foi também uma companhia de viagem.
Ao abrir descobrimos que a rapariga se chamava Rachel. Achamos curioso. Sorrimos.
Começamos a lê-lo no comboio Bolonha-Veneza.
O mais giro era partilhar com ela a vontade de passar ao capítulo seguinte, o trocar de olhares quando o enredo dava uma volta, as conjeturas sobre o que iria acontecer, ou a quem, ou como....
Acho que nunca tinha lido um livro de crescidos a meias.

Talvez seja algo que nunca esqueceremos.


sábado, 8 de agosto de 2015

Balanço de uma viagem mãe & filha

Afinal era eu a mãe.
Sempre que lhe perguntava qualquer coisa, ou começava uma frase por "nem sei..." ela dizia " Não sei, a mãe és tu!".
Estou habituada a partilhar decisões. Onde vamos agora, onde almoçamos, jantamos aqui ou acolá, sentamos na esplanada, valerá a pena ir a este ou aquele museu...
Nunca tinha feito uma viagem sendo a única adulta.
Desta vez era só eu a liderar, e ela agarrava-se à segurança das minhas decisões.
O calor trouxe-lhe algumas tonturas e tensão baixa, mas competia-me a mim desvalorizar, dizer que era normal, parar para beber água, não perguntar mil vezes se ela se sentia bem (tentei pelo menos).

Percebi que tinha que transmitir segurança.
Não podia levar muito tempo a perceber onde eram as linhas, ou a duvidar em voz alta qual seria o comboio, ou o barco.
Ensinei-a no metro a escolher o sentido, e como se vão vendo as paragens.
No aeroporto, a descobrir a porta de embarque no painel de informações.
Na estação, a comprar bilhetes nas máquinas de venda automática e a ver os horários dos comboios.
Nos restaurantes, a olhar primeiro para a ementa antes de decidir por um ou outro.

Ela ouviu sempre tudo em inglês, italiano, italianês...
Foi percebendo tudo. Atreveu-se a falar noutra língua. Tomou-lhe o gosto. Sentiu-se turista.

Ficam sem imagens alguns momentos...como a noite em que dormimos de toalha na cabeça, a tapar as orelhas, porque a I viu uma barata....no meu pescoço!
Isto depois de termos ido à receção e estarmos a traduzir no google de português para italiano o nome de alguns insetos. E foi na parte das imagens que a I descobriu um bicho parecido ao que patinhou pelo meu pescoço. Descobrimos que barata é um scarafaggio, que centopeia é millepiedi ...e ficamos por aqui. Foi o suficiente para o senhor da receção ir de lanterna na mão procurar a barata por cada recanto do quarto. Abanou cortinas, levantou tapetes, espreitou debaixo da cama, arrastou móveis....Meia hora depois e sem barata à vista deixou a lanterna connosco.
Só nos restava lavar o cabelo. A barata nunca mais se viu.

Com adultos amigos ou como casal, parámos para uma cerveja ou um café, que pode demorar mais do que 15 minutos. Com crianças, ou pré adolescentes, parámos numa esplanada para descansar e recarregar baterias, mas não há lugar ao "aboborar". Acaba-se a garrafa de água e está na hora de levantar e ir.

Quando vi as fotos da I percebi que ela viu coisas que eu não vi. Pormenores que lhe chamaram a atenção. Éramos duas ali, mas havia dois em casa. Ela tirava fotos para depois mostrar à irmã...coisas do tipo como se chamam em Itália os gelados "Olá", as ambulâncias e a recolha de lixo em forma de barco. Escolheu souvenirs. Comprou massa para cozinhar para o pai em Portugal.

Foi sem dúvida alguma uma grande companheira de viagem.
Tenho a certeza que o bichinho de viajante está lá....Mea culpa.
Depois de algumas dúvidas iniciais sobre irmos só as duas....só sei dizer que esta viagem é nossa.
Não sei se algum dia repetiremos uma viagem só as duas.
Talvez sejam elas a viajar as duas juntas.
Talvez viagem com amigas de mochilas às costas.
Afinal, eu sou a mãe.
Mas Veneza já ninguém nos tira.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Diário de Bordo - Veneza - dia 6

21 julho
O regresso.

Último pequeno almoço. Vista Canal Grande. Decoração veneziana. Música clássica.
Gourmet qb. Demasiado para a I.
Companhia inesperada na janela. Gaivota.
Aqui também se ouvem, a lembrar que estamos pertinho do mar.
Últimos bilhetes de comboio comprados.

Ciao Venezia.
E como diria em qualquer viagem:
Keep calm and zucchera la giornata










Diário de Bordo - Veneza - Dia 5

20 julho

Eu sei que a varanda da Julieta mais famosa não é verdadeira. Um palácio medieval de Verona foi utilizado para representar a "Casa di Giulietta" devido à semelhança entre o apelido da família que lá vivia, Dal Capello e o apelido da família da Giulietta do Romeo, Capuleti. Há quem diga que a trágica história de amor de Shakespeare terá um fundo de verdade. Sendo ou não, não me choca que Verona seja o palco de uma casa arranjada para parecer a da história, que tenha uma varanda onde se faz de conta que Giulietta escutava as promessas de amor do seu amado Romeo.




É como ir à Disney (atrevo-me a comparar!)...também é o mundo do faz de conta baseado em histórias. É também uma forma de não deixar morrer uma das histórias mais famosas de sempre, adaptada centenas de vezes a cinema, teatro..

Há uma tradição que diz que quem tocar na mama direita da estátua que representa a Giulietta, terá sorte nos amores ou encontrará o amor verdadeiro. E faz-se fila....não vá o diabo tecê-las...se bem que a história da moça pode representar um grande amor, mas não é lá grande exemplo de sorte...

E assim, não podíamos deixar de ir a Verona.
Junto à casa e um pouco por todo o lado abundam as juras de amor expressas nos inúmeros cadeados. A cidade tem tentado combater o facto dos enamorados escreverem nas paredes do arco que dá acesso ao pátio da casa.....em vão. Disponibilizaram até autocolantes numa tentativa de substituir as canetas, mas a moda não pegou. Eu e a I deixamos um papelinho colado pelo nosso amor mãe & filha e por esta viagem.
Não escrevemos na parede....aliás a parede já nem tem um milímetro livre...



Almoçamos um belo dum Risotto di porcini em cama de queijo parmesão e uma Carbonara. A verdadeira da Carbonara! Sem natas e com ovo. Nunca se lembrem de em Verona pedir Carbonara sem ovo! Nem de perguntar se fazem carbonara com outra massa que não esparguete!
O empregado ía tendo um colpaso nervoso quando nos ouviu perguntar se podia ser sem ovo.... Começou a gesticular em italiano "Spaghetti! Carbonara! Uovo! Pancetta! Eco!"....pronto pronto, traga lá com ovo!


Casa - feito
Varanda - feito
Estátua - feito (pelo sim pelo não)
Ficou de fora a visita ao suposto túmulo. Não é preciso fantasiar tanto vá!

Um crepe com nutella para recarregar baterias.
Prontas para regressar a Veneza.

Chegamos mesmo a tempo de encontrar uns amigos portugueses mesmo ali em frente à Ponte dos suspiros!!! Um grande momento! Depois da selfie fomos percorrer mais umas ruas até San Marco.
Já conhecemos alguns cantos à cidade!






Subimos ao Campanile di San Marco para as últimas vistas. Agora de outro ângulo.
Estávamos lá em cima enquanto a cidade se despedia do dia.
O sino marcou as 21h, como todos os dias, indiferente ao barulho que fazia.





E depois da última badalada tivemos que descer. A tempo do dourado na Basílica e do som do violino.



Encontramos uma Osteria para o nosso último jantar. Mesas com toalhas aos quadrados vermelho e branco. Para mim isto é Itália!



Acabamos a noite a ler junto ao canal, mesmo ali pertinho da Ponte de Rialto.
Momentos que não se explicam.



sábado, 1 de agosto de 2015

Diário de Bordo - Veneza - Dia 4

19 julho

Murano. 40ºC à sombra.
A ilha do vidro. Uma mini Veneza.
Não há como fugir a uma incursão por algumas lojas da especialidade e assistir ao vivo ao manuseamento da sílica quente até se transformar nas mais variadas figuras em vidro colorido.
Tal como a nossa Marinha Grande, mas com características muito próprias, nos desenhos minuciosos, floridos e coloridos.
As minhas fotografias de Murano continuam no tal cartão de memória a fazer companhia às do fogo de artifício...
Mas a minha I já não larga a máquina (não sei a quem sai) e captou algumas imagens para mais tarde recordar...




Burano.
A ilha que eu mais queria ver. Ver e fotografar.
Talvez seja muito menos falada e conhecida que Murano, mas tinha-a debaixo da retina há algum tempo. Não me passava pela cabeça que era perto de Veneza. Foi uma surpresa quando ao planear a viagem a reconheci. Por pouco me escapava!
Fiquei rendida ao colorido das casas ainda antes de ir.  Conta-se que se deve ao facto dos pescadores mais facilmente encontrarem a casa quando chegavam à ilha de madrugada. Cada um pintava a sua casa de uma cor diferente.
Foi a meio desta visita que mudei o cartão da máquina. Salvam-se algumas.
Burano é conhecido pelas rendas, trabalhadas de forma igual às famosas rendas de bilros de Vila do Conde.
Continuava o calor.
Demorávamos mais numa sombra, num crepe com os pés virados para o canal, numa ou noutra casa colorida, numa esplanada com água fresca.


 (Não podia faltar a ginástica!)







Faltou Torcello, mas ainda a vimos do barco.
Passeios a pé debaixo de sol abrasador chegavam por hoje. E ainda nos faltava San Marco.



Mais um vaporetto para regresso a Veneza mãe.
Teríamos que mudar de "linha" em Fondamente nuova para chegar a San Marco.
Desistimos da ideia do vaporetto e fomos a pé.
Afinal, este é um dos encantos de Veneza...as ruas estreitas, onde tocamos em ambos os lados com a ponta dos dedos, as pontes, as pequenas praças, os canais interiores e a vida tal como ela é....
Alguém disse que estar em Veneza significa a certa altura andar um bocadinho perdido. Mas nunca estamos verdadeiramente perdidos. Mais volta menos volta damos com o Grande Canal ou com uma placa sinalizadora para os spots mais famosos. Ou isso ou seguimos as resmas de turistas.






( A sério?! Mais uma torre inclinada? Juro que não é da foto! Só se for ilusão ótica...)

E assim devagarinho, a saborear estes recantos fomos saindo deste lado de bairro onde as italianas idosas refilam porque não nos desviámos do caminho e alguns italianos gesticulam alto enquanto outros pintam...e entrando na zona com mais reboliço.
Quase sem dar por isso estávamos de frente para a ponte mais falada, a dos Suspiros. Os suspiros não são dos enamorados como pensava, mas dos prisioneiros que por ela se arrastavam em tempos idos.


Estávamos em San Marco. Ao fim do dia, quando as multidões começam a diluir-se.
A melhor hora.






Fomos ficando até ao pôr do sol, até se acenderem as luzes.
Giudecca continuava do lado de lá. Linda e ainda com ar de festa.





Fomos apanhar as malas para voltar a mudar de hotel. Agora para outro bairro: San Polo.
Mas ficava bem por aqui.
A I também.