É um bocadinho difícil para a R despegar-se de alguns dos seus pertences.
Não gosta de se separar de livros que já não lê, de calçado ou roupa que já não lhe serve. Pelo menos daquelas que como ela diz "Tem boas lembranças".
Na arrumação do quarto dela, tento que ela se desfaça de alguns bens materiais, numa esperança de destralhar. É uma tarefa sempre complicada...ou ela não gostava mesmo das coisas e aí não há problema, o que é raro....ou então quer guardar tudo para mais tarde recordar....e recordar...e recordar.
No top das coisas que ela quer guardar para todo o sempre está um fato de banho de elásticos peganhentos com a lycra a desfazer cujo destino seria lixo....mas ela descobriu a tempo e lá ficou em standby porque "tinha muito boas recordações dele".
Nesta tarefa de negociação que desgasta qualquer mãe sugeri que ela desse a outras crianças uma mala da Hello Kitty que ela já não usava muito até porque já nem é muito fã desta personagem.
Respondeu: "Oh mãe, essa não..."
Mas porquê R? Mais uma coisa a ocupar espaço....(e mais meia dúzia de rebéu béu beus numa tentativa de argumentação que eu sabia iria cair a qualquer momento).
R - "Essa não queria dar porque foi a Mia que me ofereceu."
Ela costuma lembrar-se quem lhe ofereceu as coisas, mas costuma ser ou a avó, ou a tia, ou o primo, ou amigos... e costuma ser também motivo para não as querer dar, porque acha sempre que a pessoa iria ficar triste se soubesse.
Não sei como a R se lembra de ter sido a Mia a oferecer-lhe aquela mala, no dia que fez 4 anos.
A Mia, é uma amiga minha. Era, talvez seja a palavra certa. Deixou-nos 1 ano e uns meses depois desse dia.
À R não consegui responder. Apanhou-me de surpresa. Esperava qualquer resposta, menos esta.
Estava preparada para argumentar...mas calei-me.
Sorri-lhe e disse que então só ía lavar a mala e guardar.
Fui ver as fotografias dos 4 anos da R. Eu achava que não tinha fotografias da Mia.
Afinal há coisas que eu também quero guardar.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Verdadeiro
Não sendo frequente dou comigo a dizer "Vá ponham-se lá aí para a foto!" ou "Dêem lá um abraço!" e nestas alturas ouço o costume "Oh mãe, agora não!" e recebo em troca sorrisos forçados ou caras de frete e até já ouvi que isso eram abraços fingidos e se era só para a foto não tinha piada nenhuma.
Não era natural.
Elas têm razão. E eu que sou fã de fotografia já devia saber que não vale a pena insistir.
Tento apanhá-las desprevenidas e mesmo assim tende a ser tarefa cada vez mais difícil, quer juntas quer em separado.
Apesar da quase constante implicação entre elas....dita normal entre irmãs, e sendo a diferença de idades sempre igual, certo é que o grau de tolerância depende da idade em que cada uma delas está. Neste momento diria que estamos no pico do atrito.
12 anos vs 9 anos é uma combinação quase explosiva.
Mas depois há uns instantes verdadeiros.
Dos que vejo e guardo para mim. Dos que me enchem o peito de orgulho e me fazem a mãe mais babada do planeta. Dos que não são ensaiados. Dos que me deixam de lágrima ao canto, mesmo já depois ao ver as fotografias, mesmo agora enquanto escrevo.
Naturais.
Desta vez tinha a máquina a jeito.
Um abraço sentido e verdadeiro.
Para guardar para a vida.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
"E os meninos?"
Ao acordar.
R - Onde são os países onde há mais crianças a morrer à fome?
Eu - Alguns países em África...
R - Muitos?
Eu - Sim...e outros como agora no Nepal, onde houve o tremor de terra e que ficaram muitas crianças sem pais...
R - Gostava tanto de os trazer para casa...
E é assim que a R anda há uns dias.
Sempre que não lhe apetece mais o que tem no prato pergunta se eu vou deitar fora ou guardar.
Diz que é para "não gastar comida".
"E os meninos, mãe?"
Por ela trazia para casa os sem abrigo, as crianças com fome, as que vivem em instituições...
Ainda hoje fala na Mariana que conheceu em dezembro de 2013 e nunca esqueceu.
Sempre achei que se o meu percurso tivesse sido outro, que não o de ser mãe estaria algures numa ação de voluntariado por esse mundo fora.
Bem, talvez não o soubesse desde sempre, mas agora sei que sim.
Por isso entendo-a até ao tutano.
Ao ponto do aperto no peito por achar que não faço nada para mudar...as crianças com fome continuam lá, sem pais, sem condições, sem ensino...e nós por cá nas nossas rotinas aparentemente alheios a isso... Também eu tenho vontade de as trazer para casa, de lhes dar colo.
Será que fazemos mesmo tudo o que podemos?
A R é capaz destes pensamentos profundos e do coração ao mesmo tempo que é capaz de ser do mais exigente sobre a posição do puxo no cabelo ou sobre a cor do pão para o lanche....
Como todos nós...suponho...
R - Onde são os países onde há mais crianças a morrer à fome?
Eu - Alguns países em África...
R - Muitos?
Eu - Sim...e outros como agora no Nepal, onde houve o tremor de terra e que ficaram muitas crianças sem pais...
R - Gostava tanto de os trazer para casa...
E é assim que a R anda há uns dias.
Sempre que não lhe apetece mais o que tem no prato pergunta se eu vou deitar fora ou guardar.
Diz que é para "não gastar comida".
"E os meninos, mãe?"
Por ela trazia para casa os sem abrigo, as crianças com fome, as que vivem em instituições...
Ainda hoje fala na Mariana que conheceu em dezembro de 2013 e nunca esqueceu.
Sempre achei que se o meu percurso tivesse sido outro, que não o de ser mãe estaria algures numa ação de voluntariado por esse mundo fora.
Bem, talvez não o soubesse desde sempre, mas agora sei que sim.
Por isso entendo-a até ao tutano.
Ao ponto do aperto no peito por achar que não faço nada para mudar...as crianças com fome continuam lá, sem pais, sem condições, sem ensino...e nós por cá nas nossas rotinas aparentemente alheios a isso... Também eu tenho vontade de as trazer para casa, de lhes dar colo.
Será que fazemos mesmo tudo o que podemos?
A R é capaz destes pensamentos profundos e do coração ao mesmo tempo que é capaz de ser do mais exigente sobre a posição do puxo no cabelo ou sobre a cor do pão para o lanche....
Como todos nós...suponho...
sexta-feira, 17 de abril de 2015
De coração
R - "Dás uma moeda aquele senhor? Era cego mãe, viste?
A mãe - "Não reparei. Só tenho moedas grandes. Gastei as outras no estacionamento."
Continuamos a nossa volta. Parei na pastelaria. Tomei um café.
Regressamos pela mesma rua.
R - "E agora, já tens moedas mais pequenas? Podemos dar ao senhor? Tenho tanta pena dele..."
Podíamos, mas ele não estava no mesmo sítio e o tanto que a R lhe queria dar uma moeda fez-me dar a volta ao quarteirão. Estava noutra esquina. Sim era cego. A R tinha vergonha de lhe dar a moeda na mão. Mas deu. Ele agradeceu e ela ficou feliz.
E eu fiquei a pensar que, se não fosse ela, talvez me passasse despercebido.
E fiquei a pensar no café que tomei, e na conversa sobre as moedas grandes e pequenas...
E no grande coração com que todos nascemos, e em que parte do caminho ele se torna aparentemente mais pequeno, por vezes até invisível, mesmo continuando lá.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Afinal somos Mães todos os dias....
"O dia da mãe não é só num dia específico, é todos os dias porque as mães são para sempre.",
escrito pela minha I no dia seguinte ao Dia da Mãe, para mim....
E como tal, apesar da data oficial ter sido a 4 de maio, nunca é tarde para aqui guardar alguns dos tesouros que tenho. Diria dos maiores tesouros que tenho. Talvez não interessem a mais ninguém. Mas mãe babada é assim. Não resiste a partilhar estes mimos, mesmo que ao resto do mundo não digam nada.
Os da R, que apesar de no inglês ter pintado um "Shhhh, Mum is sleeping" para eu pendurar no quarto, já prometeu não respeitar o sinal! Tal como eu esperava....
Os mil Adoro-te que leio e ouço todos os dias.
Os mimos da I.
Uma vasinho de tomilho limão que adoro! Para cozinharmos juntas!
Uma almofada feita no maior dos segredos.
Um cartaz "Não entrar" esteve na porta do quarto apenas dirigido a mim, enquanto duravam estas sessões de costura e o tomilho apanhava sol. Contou com a cumplicidade do pai para as compras dos materiais que precisava. E guardou o segredo até estar pronta.
Impossível não babar com estes mimos.
Afinal o investimento no atelier de costura deu os seus frutos!
E o que mais me enche o coração é que elas me conhecem tãaaaaaaaaao bem!
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