quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Cenas da "mai nova"

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Na padaria da vizinhança onde conhecem a R desde sempre.
- Esta miúda é esperta!
R - "E isso é bom ou é mau?!"

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Encontramos um biberão da água, dos tempos de bebé da R.
Quando o viu reparou que não estava completo.
- "Falta a teta." disse ela.
Eu - Não se diz assim. Não é teta...
Estava pronta a rectificar mas ela adiantou-se:
- "Ah já sei: Testículo!"
Eu - Tetina!!! - consegui responder depois de parar de rir.

*
Ao sair duma praia de areia fina, daquelas que requerem todo um processo de limpeza antes de vestir e calçar o que quer que seja em zona areia-free, a R disse "Depois mudo de roupa no tejadilho".
Fiquei a olhar para ela uns segundos... Tejadilho?!
- "Sim, ali em cima!" - e apontou para os passadiços de madeira.

*
Sempre foi perita em baptizar as coisas com nomes inventados por ela, principalmente algumas partes do corpo.
A última desta série são as "bochechas do rabo", para adivinhem lá?! Nádegas, pois está claro!



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Reciclar rolhas de cortiça


A ideia veio daqui, e achei o máximo!!!

Aproveitamos um 15 de agosto de ficar por casa, para fazer um quadro de cortiça verdadeiramente original.

Aqui fica como fizemos o nosso:

1 - Aproveitar as rolhas que havia por casa. Estas estavam guardadas num frasco, prontas a reciclar. São rolhas que saltaram em festas de aniversário, das garrafas do avô F, de jantares...



2 - Quem não tem rolhas, pode comprar....mas nunca pensei que fosse difícil...
Estas, em embalagens de 2 rolhas são duma loja chinesa, mas não têm metade do encanto de rolhas usadas. Sempre pensei que rolhas de cortiça se vendiam em sacos, às 100 ou mais, de cada vez! Mas sendo feriado nem deu para ir ver em lojas da especialidade (nem sei bem quais serão nos tempos que correm).



3 - Uma moldura à escolha. Retirar o vidro.



4 - Cortar as rolhas a meio! (Não precisam de uma faca tão grande mas a máquina da loiça estava a trabalhar!). Não é muito fácil, mesmo utilizando um x-acto, por isso o melhor é ser um adulto a fazer esta parte. Neste caso a R fez pose para a foto...



5 - Colocar cola para madeiras nas rolhas e aplicá-las na moldura a gosto.






6 -  Para dar um toque mais colorido, escolher as cores favoritas, neste caso partimos das cores primárias. Pintar a gosto.







Et voilá!
Quer dizer.....não está pronto ainda, mas a ideia é esta.

Não tínhamos rolhas suficientes.... e acho que as rolhas com marcas de vida ficam bem melhor do que as compradas. Adoro ver os furos do saca rolhas, as diferentes texturas e tamanhos, a cor do vinho tinto - enfim, são rolhas com história!
Aguardamos mais rolhas, até porque as miúdas também querem um para os quartos.
Vai servir para pôr os horários, bilhetes, fotos de amigos, recados...

Este, quando estiver pronto vai para a cozinha ou entrada para organização familiar e já para os arranques em Setembro.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Nico


De um dia para o outro perdemos o Nico. O nosso Porquinho da Índia.

E há dias assim.
Em que choramos as lágrimas todas.
As que se acumulavam de muitas feridas mas nunca saíram.
Chora-se o inesperado, a rapidez com que a morte chega e nos apanha de surpresa, a impotência perante ela, o querer fazer mais e não estar nas nossas mãos, as coisas que tomamos como certas, as batalhas perdidas, os vazios que incomodam, os silêncios que aparecem, outras perdas, fins.
Choram-se memórias, saudades que existem e outras que hão-de chegar.

Hoje o Nico tornou todas as perdas mais reais.
Lembrou que as famílias não ficam iguais para sempre.
Que afinal ser mãe é também não resolver tudo. Não lhes arrancar a dor. Sofrer por e com elas.
"Hoje todos fizemos a nossa parte", foi a frase que ouvimos da veterinária e que a Raquel repetia ao deitar.
É importante saber disto. Saber que não há culpa embora ela ande por aí à espreita. Como chegou ele ao estado de "critical care"?; como lhe cresceram tanto os dentes e não reparamos?; como ficou tão magro?; porque deixou de comer?...

Era só um porquinho da índia, mas esteve na nossa família quase 3 anos.
Teve direito a um desenho de boas vindas e a outro de despedida.
Chegou e partiu num dia 5.
Esperamos que tenha tido uma boa vida aqui connosco.







terça-feira, 2 de agosto de 2016

Água na boca


Quem lia os "Cinco" conhece bem as descrições das mesas de lanche, ou do conteúdo das cestas de picnic. Era de salivar, mesmo sem imagens e muito menos a cores!
Não pretendo fazer o mesmo. Mas ele há dias cá em casa de fazer crescer água na boca.

Aqui vai, assim à livro dos Cinco, mas em versão "True Colors".

"Uma destas noites as minhas meninas decidiram fazer juntas o jantar. Ou melhor, uma entrada e um prato principal. À Chef! A mais nova quis mostrar uns enroladinhos de massa folhada com fiambre e queijo ralado, que aprendeu a fazer na semana europeia da Qtª onde adora passar uns dias das férias de Verão. A mais velha, que este ano fez mais um curso de culinária, Chefs de Verão, fez o seu prato de assinatura: bifinhos de frango enrolados em bacon e recheados com mozarella, cogumelos e espinafres, servidos com tagliatelli e salada.
Hoje foi mais um desses dias. Encostaram a porta da cozinha e de lá só saíam aromas e sons de tachos e às vezes a mais nova, que vinha perguntar se preferíamos isto ou aquilo. Tivemos direito a baguette torrada com bacon grelhado, hamburgueres feitos em casa e recheados de queijo Cheddar, espinafres salteados, ovos estrelados e batatas fritas de palito. Tudo Top!"

Eu sei, eu sei.
Sou uma sortuda!!
Espero que esta vontade de cozinhar não seja só uma fase!
Acho que a mais velha tomou-lhe o gosto e a mais nova segue-lhe os passos.
A mim, e ao pai, nestes dias calhar a melhor parte: Provar! ..... logo seguida da pior: Arrumar a cozinha! (mas até neste aspecto já estão a melhorar!)










quarta-feira, 25 de maio de 2016

Foram 10!!

O dia 23 Maio já lá vai. 
O dia em que chegaram os dois dígitos! 
Duas mãos cheias para mostrar quantos anos tens. 
Parecem caídos do céu tal a rapidez com que apareceram.
Dez!


És uma sonhadora!
Pões paixão em tudo o que fazes.
A expressão "bichinhos carpinteiros" encaixa-te como uma luva.
Ris com vontade. 
Choras na mesma medida quando a vida não te corre de feição.
És exigente. Decidida. Desafiante. 

Apaixonada e apaixonante.
Impaciente.
Cativante.
Alegre.

És tu.
Luz e energia.
És Sol!

Foi um dia tão preenchido que ficou-te a sensação que acabou depressa demais.
Houve parabéns na escola, na pastelaria, em casa, na ginástica...e por ti havia parabéns a semana toda!
Parabéns minha R!
És maior do que pensas!
Parabéns!
Parabéns!

Nota: Se comprarem balões destes com hélio não esperem pelos 2 dígitos ;)






sexta-feira, 6 de maio de 2016

Rally paper


1 Rolha. 1 Alfinete. 2 Missangas. 2 Palinhas. 1 Cartolina quadrada. Tesoura.
Enquanto ela enumerava os itens a levar para a escola no dia seguinte, senti-me num rally paper. Quando era criança lembro-me bem dum em que uma das tarefas era arranjar um ovo cozido atravessado por uma agulha enfiada com linha preta.
Acho que muitas vezes os finais de tarde das mães são isso mesmo, autênticos rally papers!

As agendas e compromissos são as instruções em papel, a seguir meticulosamente sob a pena de ser penalizada em caso de falhas, acrescidas das mais variadas tarefas ao jeito de missão impossível, e no melhor tempo!

Ontem o meu rally paper incluiu levar a mais velha ao oftalmologista e conduzir debaixo do dilúvio que se abateu pela cidade. Reunir materiais para a escola da mais nova. E ainda...fazer um trabalho sobre um Planeta, em 3D!

O projeto do planeta andava em mente mas não concretizado.
Ouvi falar num prazo de 2 semanas....há 1 semana e pico. Achei que tínhamos tempo.
Ontem disse-me que podia ser para Segunda feira, mas que quem tivesse tudo pronto podia apresentar Sexta. E eu percebi que ela queria levar Sexta. Seja Sexta então!

Ela tinha as ideias. Faltava pôr em 3D.
Sai bola de esferovite meia esburacada do quarto da irmã. Saem tintas e pincéis do armário. Saem curiosidades e factos sobre o planeta escolhido: Marte. Saltam palitos coloridos da gaveta. Salta cola líquida, comprada momentos antes. E ainda, rectângulos de cartolina cortados à medida do texto.

E enquanto a carbonara se adiantava no fogão, Marte tomava forma na mesa da cozinha. Um buraco na bola de esferovite foi considerada uma cratera do planeta, e um rasgo passou a ser o leito de um rio, como evidência da possível existência de água em tempos idos. E assim se aprende...
"Ainda bem que não escolhi um planeta com aneís", disse ela a antever a dificuldade que seria juntar um anel ao projeto 3D.

Hoje, Sexta-feira lá foi ela pronta para a sua apresentação, com Marte protegido da chuva e um saco com os materiais necessários para fazer um cata-vento.

E o prémio do rally paper?
Sorrisos e brilhozinho nos olhos. A sensação de ter tudo pronto e a tempo.
E fiquei a saber que Marte tem a maior montanha de todos os Planetas, que por acaso é um vulcão desativado chamado Monte Olympus e tem duas luas, Fobos e Deimos.


sábado, 30 de abril de 2016

Duas fotografias na mesinha de cabeceira


Tenho duas fotografias na minha mesinha de cabeceira.
Uma só moldura.
Tenho duas filhas, uma com 13, outra a um mês dos 10 anos. Uma teen e uma tween.

Poderia dizer-se que cada foto é de uma das meninas. Recém nascidas.
Não.
As duas fotografias são da mais velha.
Têm 13 anos. Ela. A moldura. As duas fotografias.
A mesma recém nascida.

E o que responde uma mãe à sua filha mais nova quando esta pergunta
"Qual delas sou eu e qual é a mana?!"

Blá blá blá
É que quando nasceste já não se imprimiam tantas fotos....já havia cartões de memória e não rolos...as fotos estão todas no computador...
Isto é tudo verdade, mas terei desculpa?!

Pior mesmo é que esta pergunta já aconteceu há uns 2 ou 3 pares de anos.
Há fotos no meu quarto da mais nova, mas não na mesinha de cabeceira.
Já tinha tido tempo de imprimir e pôr uma foto de cada uma das minhas bebés na mesma moldura, não?!
Agora que estamos a entrar no mês em que a R faz 10 anos, talvez já imprima umas mais recentes....
E é assim que se vê o tempo a voar....

No tempo dos negativos sempre tínhamos as molduras mais actualizadas...ou tínhamos álbuns e gavetas cheios de fotografias. Agora são pastas no computador, que depois raramente vemos...
E para acrescentar ao anterior....a R ainda nem tem álbum de Batizado! Foi há 9 anos.

Em casa de ferreiro...