terça-feira, 5 de abril de 2016

Uma a riscar da lista!


Este kit de escavação podia ser bom para praticar a paciência, para entreter pelo menos uma horita. Tinha potencial para isso! Seriam 2 euros muito bem empregues. Só que não.
Depois de descobrir a pata do dinossauro, começou a puxar por ela como quem espera que o resto venha agarrado e pronto.
A arte de escavar, pincelar e ir descobrindo devagarinho o que estará debaixo de muitas camadas de pó não foi feita para quem quer o dinossauro inteiro, em vez de o completar juntando "peças"...
Agora entendo também a falta do fascínio por puzzles.
Espanta-me como não lhe terá ocorrido atirar o pedaço de gesso ao chão, apesar de ter batido com ele na mesa várias vezes....suponho que até lhe ocorreu...
Lá está, às vezes sabemos à partida que certas profissões não serão para nós.
Arqueologia não será o forte dela.
A bem da própria arqueologia e da recuperação intacta de objetos, fósseis, vestígios...


domingo, 3 de abril de 2016

Mesmo aqui ao lado


Tínhamos planos para escapadela a dois.
Decidimos mudar.
De um dia para o outro estávamos os quatro no carro de malas prontas.
Destino: Gredos, Espanha. Caminhada na neve.
Há quem pense que nos aventuramos muito, mas a maior aventura seria mesmo o número de horas no carro com a R...
A tradição é rumar a Sul pela Páscoa. Nós rumamos a Este, ao País vizinho.

Chego a pensar que as minhas miúdas são as únicas que passam a vida a queixar-se.
Ele é o número de horas da viagem. A falta de músicas no telefone. A posição no banco do carro.
Querem saber o que vamos fazer no dia seguinte. Onde? Quando? Como?
Ora está muito frio. Ora aquece de repente.
Ora é muito a subir. Ora a bota magoa. Ora a camisola faz comichão.
Depois cai o bastão, as luvas molham-se e o cabelo não cabe no carapuço.
...



Reparo na aparente descontração dos espanhóis que nos rodeiam. Levam os miúdos às costas, uns andam na neve de sapatilhas e todos molhados...Até papa fazem para bebés, sentados numa rocha.... Sei que pouco tempo depois dei comigo a pensar e a verbalizar que se calhar para a próxima mantínhamos o plano inicial de escapadela a dois... Eu sei, não se diz...Respiro fundo.
Eu sei que não são as únicas. E afinal somos uns sortudos por elas nos quererem acompanhar e preferirem ir do que ficar no sofá.

Quando a paisagem se tornou mais branca, as queixas diminuíram e o entusiasmo subiu de tom.

 
 

 


Em cima da ponte, algures na "senda da laguna grande" pai e I seguiram em frente até à lagoa. Eu e R voltamos para trás. Eles dormiriam num refúgio na montanha. R ainda achou que poderia ir também....mas desta vez ainda não. A partir deste momento e até ao início da tarde do dia seguinte não teríamos contacto com eles.






(O refúgio está na imagem, logo ali a seguir à grande lagoa congelada)


De volta ao carro, ainda deu para brincar, saltar ao eixo e perder uma bota. Jogamos ao ABC fotográfico, que se revelou muito difícil nestas paragens, apelando à criatividade.




Após esta decisão sensata de não levar a R até ao refúgio (se bem que eu cá acho que ela teria conseguido) e já no hotel, caiu pelas escadas abaixo....Quer dizer, poupamos a rapariga a uma caminhada mais longa e depois duas negras, uma em cada canela. Ao menos ficou só por aqui...

É inevitável não pensarmos sempre nos outros dois de nós. Será que chegaram bem? A I terá gostado da caminhada? Será que ficou muito cansada? É o que dá a dependência da tecnologia na facilidade de contacto a cada instante, mas sem rede nada a fazer...



Eu e a R ficamos pelo descanso. Pelo bocadillo gigante, pelo caldo que não é bem sopa, por umas tapas com tempero a mais para ela. Mas não se queixou mais. Disse até que por ela estava tudo bem. Petiscou amendoins, à lareira, a fazer festas a uma gata e com saudades da nossa.



Acordamos mais tarde que o previsto.
Tivemos de estacionar mais longe do que no dia anterior. Mais 500m na caminhada, por estrada. Dia mais quente. Sol aberto. Menos agasalhos. Mais gente.
Quase às 13h tivemos notícias deles e eles nossas. Já não iríamos até à ponte.
Acenamos quando os vimos. A R foi a correr como se não os visse há dias e dias.
Queria contar tudo. A I também.

Foi tempo de escorregar em saco, de batalhas de neve, de mudas de roupa.
Acho sempre que as minhas são as mais barulhentas...que berram e fazem demasiado alarido... Mas era talvez por serem as únicas a falar português.




A fome chegou e uma esplanada para "alagartar" pareceu o melhor. E foi. Mas pouco depois parecia Verão e o Sol lá nos fez mais corados. Havia protetor solar, mas lá está....ora fica peganhento, ora não gostam do cheiro... O Wifi (leia-se úífi, em espanhol) deu para ligar à Terra e tentar saber se as notas já tinham saído.


A paisagem apelava ao descanso. Ao repouso. Ao silêncio. Mas não tenho miúdas dessas.
Decidiram pintar, tarefa à qual dedicaram uns valentes 15 minutos, sempre numa grande animação. Tal, que afugentaram uns vizinhos do sol...

Ainda deu para uns passeios ao entardecer, antes de dar o dia por encerrado.
Sempre com muita alegria e energia.
Antes assim!



sábado, 2 de abril de 2016

Curtas de Março

Março teve uma quinzena recheada de eventos gímnicos.
Mas ainda deu tempo para:
 
 
Apreciar o início da Primavera. Ela anda aí embora meio escondida.
Descansar, ainda em modo Inverno.
Redescobrir recantos da cidade.
Aventuras e diversão em família.
Encontrar preciosidades. Uma joaninha na neve e um esquilo atrevido.
Novos desafios.
Ouvir e falar outra língua.
Conhecer novas cidades.
Admirar Património.
 
Tanto tanto.













segunda-feira, 28 de março de 2016

Domingo de Páscoa no calendário


Domingo de Páscoa no calendário.
Dia caseiro.

Adivinhava-se descanso apesar da noite nos ter roubado uma hora e da manhã ter começado com umas compras.
Ovos de codorniz caíram da porta do frigorífico para se partirem no chão. Alguns salvaram-se para o jantar.
Assei pela primeira vez batata doce roxa, que acompanhou pato e não cabrito.
Almoçamos os quatro juntos.
O Pão de Ló saiu queimado por cima mas delicioso por dentro.
Fiz um leite creme em tacinhas individuais.
Estendi três máquinas de roupa. O Sol e o vento não escolhem se é Páscoa!
Dobrei meias.
Vimos fotos e pequenos vídeos da mini incursão por Espanha em família. Rimos.
Enrosquei-me no sofá com as meninas a ver o filme da Heidi. Intemporal.
Comemos amêndoas.
Colamos fotografias nos cadernos do nosso Projeto 52.
Dormitei antes do jantar.
Jantamos os quatro juntos.

A Páscoa já não é o que era, pelo menos aqui pela cidade, mas eu cá gostei muito do nosso domingo a cheirar a primavera e com as montanhas a entrarem pela casa adentro.



sábado, 19 de março de 2016

Pai para todas as horas

O Pai da casa 

Anda nisto da paternidade vai para 13 anos. 
Finge-se de forte mas lá no fundo é um coração de manteiga.
Tem dias em que lhe dá a preguiça, noutros perde a paciência, e nem sempre é perfeito.
Mas é o pai para todas as horas.

É radical.



Incentiva e incute confiança.




Ajuda-as a chegar mais alto e alargar horizontes.



Dá-lhes segurança.



Dá colo quando o cansaço vence, embora diga que não.




Ajusta as velas porque não pode mudar o vento,




Faz tudo por elas, mesmo que implique ver princesas que nem conhece...



Tem que aturar miúdas em lojas de souvenirs. Não é fácil!



Orienta




Ajuda a superar medos.




Ensina a ver as coisas de várias perspectivas.



Até deixou de ser alérgico só para termos um gato!



É um pai chato, pouco dado a brincadeiras, exigente nas regras.
Sabe que se educa pelo exemplo.
Tal como demonstra a imagem abaixo.
;)


sexta-feira, 18 de março de 2016

É a tempo inteiro

Eu, a mãe

Compro cartolina cor azul. Azul oceano.
Enquanto ela está na ginástica acabo de recortar os continentes que ela desenhou e pintou. Só porque sei que ela vai chegar tarde e cansada. Ajudo na parte da colagem.
Sei que fez um trabalho em grupo sobre os rios. Ajudei a procurar imagens para imprimir na loja mais próxima. Sei que sempre que se enganavam em vez de corretor tapavam o engano com corações pintados a caneta.
Sei que lhe falta um trabalho em 3D sobre as Serras de Portugal.
Sei que escreveu poemas e que os vai ler às outras salas.

Ela contou-me que o José Saramago escreveu um único livro para crianças. "Porque achava que não sabia escrever para elas, sabias?". Ela quis pôr isso na biografia sobre ele, porque era uma coisa diferente do que se encontrava nas pesquisas.

Carrego a mochila para a escola e depois da escola.
Sei em que dia há educação física e é preciso ir de fato de treino.
Sei o dia em que é preciso levar lanche da manhã e da tarde.
Sei o que ela gosta para o lanche.
Sei os dias dos testes.
Explico-lhe que Londres não é um País, e que o Brasil não fica na África.
Fico apreensiva porque é véspera de teste...porque ela parece perdida no planisfério...
Ela conta-me, super feliz, a nota que teve.
Enquanto faço a sopa ajudo a decorar um poema para dizer no dia seguinte.

Recebo mensagens da mais velha.
Diz-me as notas que recebeu.
Sei que precisa de uma fotografia para um trabalho de EV.
Gosta de mostrar os trabalhos que faz.
Sei os dias em que tem aulas de tarde.

Partilham nervos, frustações, desilusões e também as conquistas e as alegrias.
Marco reuniões na agenda. Sei o horário de atendimento aos pais. Quer dizer, tenho isso apontado.

Os filhos andam connosco todo o dia.
Vão dentro do coração e no pensamento para o trabalho. Para todo o lado.
Carrego os tais nervos, as frustações, os medos e as dores, como se fossem meus.
Sorrio com as conquistas e alegrias com um orgulho que só mãe entende.

Não consigo deixar de ser mãe das 9h às 17h.
Não é possível desligar dos filhos...
Ser mãe é a tempo inteiro... mesmo quando o tempo não é inteiramente passado com elas.


18 Março 2012
Encontrei esta foto hoje....dia 18 Março...4 anos depois.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Um longo Sábado. Nervos e emoções à mistura.

Sábado foi dia de mais uma prova de ginástica para as miúdas da casa.
Os nervos andavam a pairar...a noite foi mal dormida e de despertar de noite.
Às 5h30 fritei panados para a mais velha. O pai levou-a ao autocarro do clube às 6h20.
Cascais era o destino.
Às 9h liguei o forno para fazer pizzas para a mais nova.
Pouco tempo depois tinha a cozinha cheia de fumo e uma labaredas dentro do forno. Nunca tal vi.
Ao tirar as pizzas do forno caíram "de cara no chão"...

Já chegava de azares não?
Toca a instalar pensamentos positivos!

10h tudo a postos para sair.
Raquel desce e vai ter com o pai ao carro.
Volta a subir.
"Mãe não precisas de descer já....o pai vai mudar o pneu...está furado"

A sério?!?
Pelos vistos a positividade não estava a ser muito eficiente....

Lá arrancamos às 11h sem pneu suplente, rumo a Cascais...esperando que o azar não viesse connosco.
A Raquel chegou a tempo.
Almoçamos os dois numa esplanada num dos primeiros dias com cheiro a Primavera.
Tudo a compor-se.


E seguiu-se a prova de ginástica.
Saímos do Sol, para uma pavilhão para as ver, para nos verem, porque é importante, pelos tais sorrisos que ninguém me tira.
Os nervos delas estavam também em mim.
Ainda me lembrava do forno, da pizza no chão na cozinha, do pneu furado...
Esperava que tudo lhes corresse bem...

Chegou a vez da Inês e da sua volante, a risonha F.
Os quase 2 minutos de esquema voam...e não me lembro se sequer respiro.
Correu bem, mas um segundo a menos levou a uma penalização na nota final.
É mais do que o mínimo definido mas talvez não chegue para passar à fase seguinte. Importa que deram o melhor, que fizeram um grande esforço para chegar aqui, que ultrapassaram nervos e dores e encararam todos com um sorriso.


E no fim de tudo foi a vez da Raquel e do par, o simpático L. Quase a última a fazer prova.
Uma espera de fazer crescer nervos.
Por trás dos sorrisos e aparente descontração havia medos para gerir. Fantasmas de outros dias para deixar para trás das costas.
Nas bancadas, entre o respirar fundo e o suster a respiração passaram mais 2 minutos.
O barulho das bancadas anunciou o final dum esquema feliz.
Seguem para o Nacional, num 1º lugar.


E o que mais gosto de ver?!
Estes momentos de cumplicidade entre ginastas, colegas, amigos, que nunca lhes sairão da memória. Acredito que sejam laços que ficam para a vida.



E mais ainda?!
Abraços de irmãs.
Como este em que a Inês vai ao encontro da Raquel para lhe dar os parabéns.
Vocês são lindas miúdas!

O dia estava no fim.
Chegamos a casa cansados mas sem mais histórias com azares para contar.
Elas chegaram bem, depois duma animada viagem de autocarro com a equipa.
Um bocadinho de desalento pela I não estar tão feliz como queria....mas feliz pelas tantas outras vitórias alcançadas!
E é por tudo isto que se ganha sempre.