sexta-feira, 11 de março de 2016

2h/semana?!? Não brinquem comigo!

Hoje ouvi na rádio enquanto conduzia para o trabalho, que graças aos eletrodomésticos o número de horas dedicado pelas mulheres a tarefas domésticas diminuiu de 57h/semana para 2h/semana.

Ora....basta ser  mulher para saber que isto só pode estar errado....
Acredito nas 57h/ semana e ainda assim, sem coisas de ligar à corrente parece-me pouco.

2h/ semana???
Estaria igualmente mal se fosse 2h/ dia!

Senão veja-se:

Ontem entrei em casa, pousei a carteira numa cadeira na cozinha.
Guardei a louça lavada.
Lavei a suja.
Sujei outra para adiantar sopa, o que significa descascar e cortar legumes.
Varri.
Tirei roupa do estendal.
Tirei outra da máquina.
(Só nisto foi-se 1h.)

Mentalmente fiz uma lista de compras que passei depois ao papel.
Tinha esperança de ainda as conseguir fazer.
Para o jantar ainda há só sopa....que falta passar.
Fiz o jantar.
Dobrei roupa.

Onde vão já as 2h....
E nem incluí aqui o tempo dedicado às filhas...
Isto só num fim de tarde...

E no fim das tais 2 horas e picos ainda falta guardar a louça lavada.
Lavar a louça suja.
Ainda há mais roupa para dobrar e arrumar.
Ou seja, 2h depois parece tudo na mesma e as compras ficaram-se pela intenção no papel.

Here we go again!
2h/semana...
Não brinquem comigo!!!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Há sorrisos que ninguém me tira!

Pode ser difícil de entender...

Porque não se deitam cedo.
Porque madrugam para provas ao fim de semana.
Porque muitas vezes jantam quando deviam estar a meio do primeiro sono.
Porque vão treinar com dores nos pés, no pescoço, nas costas.

Mas é assim.
Apaixonaram-se.
E diz-se "Quem corre por gosto não cansa".
A ginástica é a paixão delas. O que as move.
É ali que passam muitas horas. Que alimentam amizades para a vida num salutar convívio.
Partilham angústias, medos, incertezas, lágrimas e também os momentos mais felizes!
Organizam o tempo de modo a dar para tudo. Fazem opções.
Aprendem num mundo que também é delas, a ser, a estar, a cair e a levantar a cabeça.

Era mais fácil se se deitassem mais cedo, se houvesse menos correrias, menos stress, mais tempo, menos irritações, mais fins de semana livres, mais tempo para pequenos nadas.
Sei que é esta paixão que dita o ritmo dos dias, como se fossem elas a mandar.

Para mim, ser mãe é (também) isto. Acompanhar as paixões.
Posso estar muito errada. 
Mas estou bem comigo assim.

Fico a torcer nas bancadas. Vibro com as alegrias. Compreendo os desalentos e frustações.
Encolho o coração, sustenho a respiração, fecho os olhos.
Estou lá.
Talvez me canse. Talvez afinal também corra por gosto.
Perguntam-me se não me falta o ar quando as vejo de cabeça para baixo, sem nenhuma parte do corpo a tocar chão firme. Ou porque raio treinam se estão lesionadas. Ou porque vão a uma prova que implica faltar às aulas. Ou se não serão horas a mais, ou se não afeta os estudos...
Só me ocorre responder que faz parte. Faz parte do desporto que escolheram e da dedicação que lhe entregam.

Passei a perceber o que é uma circular, uma ordem de passagem, os diferentes escalões, e já começo a ficar perita na localização de alguns pavilhões desportivos deste Portugal. 

A minha maior paixão são elas.
Por isso são elas que me movem.
Tudo tem o seu tempo.
Por agora é assim.
Os sorrisos que lhes vejo no olhar ninguém me tira!
Sou uma sortuda!



quinta-feira, 3 de março de 2016

Depois dá nisto!

O pai chega a casa e propõe um "negócio".
Nós lavamos a loiça e ele paga o jantar.
A I, responde que não pode ser...Tem teste amanhã e prefere ficar a estudar e não perder tempo a ir jantar fora.
Palpita-me que vai sobrar para mim fazer o jantar e ainda lavo a loiça por cima...

Educamos filhos para serem responsáveis depois dá nisto!!


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A professora primária

Esta noite sonhei com a minha professora primária.
Só tive uma naqueles quatro anos.
A Irmã Catarina.
Sonhei com um fim.
Um fim que, em sonhos, se diz dar vida.

Acordei a lembrar momentos felizes.
Acordei com vontade de lhe agradecer tantas memórias que me fazem sorrir...

O dia em que recebi uns rebuçados porque fiz uma leitura de um texto muito bem.
O dia em que senti que o sol queimava a pele numa experiência que fizemos com uma lupa.
O dia em que fizemos esculturas em gesso.
Às vezes ela faltava e deixava o quadro cheio de trabalhos e tarefas.
Os campeonatos de tabuada rapazes vs raparigas.
Chamava-me Sofia porque havia outra Cláudia. Sófia às vezes, por brincadeira e dizia sempre que era a capital da Bulgária. Eu achava piada.

E é por tantas destas memórias que "A professora primária" nos marca para sempre.
Podemos vir a ter mais uma série de professores pela vida fora, e apesar de muitos ficarem na memória, serão raros os que ficarão no mesmo pé de igualdade.
Lembro-me do nome completo dela. Da cara. Do cabelo. De onde era.
Usava óculos e um fio com uma cruz.
Hoje apetecia-me abraça-la e dizer que a tenho sempre num cantinho especial do meu coração.
Tenho saudades do carinho com que nos sorria, do olhar que abraçava.
Hoje queria dizer-lhe que fui feliz naquela escola.
Obrigada Irmã Catarina por ter lá estado enquanto eu crescia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Mãe Fada....mas pouco!



Tenho uma dúvida.
A partir de que dente deixa de haver fadas?
Há o primeiro dente que cai. A magia do momento.
Cá em casa já caíram 2 primeiros dentes. 2 de cima, 2 de baixo...
E depois desses vieram muitos mais....
À I já não caiem dentes.
Perdi a conta de em quantos dentes caídos vai a R. Ela também.
Ela já sabe que a Fada nem com muitos pozinhos traria moedas e livros pesados para debaixo da almofada...
Eu pensava que as Fadas cessavam funções depois dos incisivos...mas já vamos nos pré molares.

Mas eu sou uma Fada desleixada...
Se tivesse nascido para ser Fada usaria pozinhos de perlim pim pim para bem mais do que pôr presentes debaixo das almofadas.

Eu como Mãe Fada me confesso.

Há dentes espalhados pelas gavetas da casa....por muito sinistro que isto possa soar...mas é suposto as Fadas levarem os dentes com elas, e de madrugada não há muita paciência para guardar tudo em caixinhas devidamente etiquetadas.
Receio que só com testes de ADN vou distinguir o 1º dente de cada uma...e não há nada de mágico nisto!
Já perdi um dente que andava guardado na carteira assim tipo lembrete. Não resultou.
Já me esqueci de recolher o dente e trocar por uma moeda ou livro e tive que mentir e dizer que a fada nessa noite se calhar tinha tido muito trabalho....e isto na fase em que a Fada era verdadeira!
(shame on me)

Mas também ninguém tem culpa que os dentes comecem a abanar de manhã e nem esperem pelo dia seguinte para cair! Nem uma Fada do mais trabalhador que exista consegue um 100%!

A R chegou a ter 2 dentes em espera para a Fada.
E agora a história repetiu-se.
30/12 caiu um. Guardei-o na casa de banho.
Este Domingo caiu outro. Ela guardou-o na mesinha de cabeceira.
Volta e meia ouço a pergunta "Mãe, achas que posso pôr o dente hoje?!"....
Normalmente a pergunta chega tarde e a más horas.
Tomara que a culpa fosse mesmo da Fada...
Assim é mesmo só minha.

Ontem, perguntei se ela queria pôr o dente debaixo da almofada. Só um.
De olhinhos a brilhar tirou o da mesinha de cabeceira, embrulhadinho num pedaço de papel.
Disse-me: "Diz à fada para não deitar o papel fora, ok? E para não se esquecer..."

Eram 2 e tal da manhã quando acordei e me lembrei que tinha uma tarefa extra para esta noite.
Mãe - Fada.
Retirei o papel, coloquei um pequeno presente.

De manhã, ela não acordou mais cedo com a excitação de ver o que a fada deixou.
Aliás, nem se lembrou. Eu, a mãe, também não.

É quase hora de almoço.
O mais certo é que a empregada ao fazer as camas, tenha achado alguma estranheza no que estava debaixo da almofada e tenha guardado num sítio qualquer, apenas lógico para ela.

E logo desta vez, que a Mãe - Fada não se esqueceu....


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo...


.... ou também pode ser gato escondido com o rabo de fora...

Sobre algo que eu duvidei que fosse verdade...

R - Oh mãe eu quando me estou a rir é porque não estou a mentir!
Eu - Ai sim? Então e quando estás a mentir?
R - Quando estou a mentir não me rio.
Eu - Acho que não era isso que querias responder....Não seria mais "Mas mãe eu NÃO minto"?!...

Fez-se luz no cérebro dela e quando percebeu que foi apanhada foi a gargalhada geral.
Depois jurou por entre muitos risos que nunca mente. Fiquei na dúvida.
Ai esta miúda vai-me dar tanto trabalhinho!


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Domingo, 14.

Chove.
A cidade está em todos os telejornais não por boas razões.
O rio vai fora do seu leito e já fez muitos estragos.
Todo o dia assim. Sem sinais de melhoras.
Céu carregado. Segundos de sol seguidos de trovoada e granizo forte.
O cesto da roupa está cheio à espera de melhores dias.
Saímos só para espreitar os estragos do temporal mesmo à porta de casa.
Caíram árvores. Está muito vento. Desta vez frio. Talvez pela primeira vez este ano.
Íamos comer um gelado mas desistimos ao primeiro arrepio.
Trocamos por waffles.
Havia ginástica ao pé de casa. Fomos espreitar.

Voltamos ao aconchego.
O pai tinha ido correr.
Li, na companhia de uma manta.
A I fez-me um chá. A mais nova deitou-se ao meu lado.
Adormeci. Ela não.
A gata mudou-se de uma cadeira para a cama, talvez sem nunca sair do estado de sonolência.
Acordei tarde, a pensar que devia ir tratar do jantar.
Demorei a assimilar esta ideia.

Ele disse, vamos jantar fora às 20h.
Sem perguntas.

As perguntas fiz eu.
Hoje? Em dia dos namorados? Não estará tudo cheio?
As miúdas acham que é brincadeira. Eu também ainda fiquei desconfiada.

Mas lá fomos, os quatro em dia dos namorados.
Surpresas em dia de temporal.