sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Nostalgia 2


E outro momento muito aguardado na minha infância, logo a seguir ao Festival da Canção, era.....

Dicas:
 - Este senhor era o apresentador.
(Se não souberem quem é, ou não se lembrarem do nome, não vale a pena ler o resto.)


 - Havia equipas de vários países da Europa.
 - Era apresentado em estrangeiro e cada apresentador traduzia em simultâneo.
 - Mostravam sempre imagens da cidade de cada equipa.
 - Era constituído por vários jogos, uns na água, outros com esponjas, materais escorregadios, tudo muito colorido.
- E antes do início de cada prova ouvia-se o inesquecível:
 Attention! Prêts? Piiiiiiii - O mais famoso apito da TV.


E finalmente a música do genérico!!
Quem adivinhou?!


JSF!
Isso, os Jogos sem Fronteiras!

E quem me veio falar disto ontem?!? A R.
Chegou a casa e perguntou se eu conhecia uns jogos em italiano que davam na TV em 1996...Não cheguei lá.
E depois mostrou-me na RTP memória.

Mas eu não os via em 1996. Nesse ano acabei o curso na faculdade. Mas lembro-me de os ver nos anos 80 e até de num ano ter sido filmado no Algarve e haver vestígios de esferovite nas férias de verão em Vilamoura.
Ficávamos ali em frente à TV a torcer por Portugal e eu ficava sempre com vontade de participar ou de dar mergulhos numa piscina.
Agora ao olhar para a RTP memória achei tudo muito estranho....
Ouvia-se o Eládio Clímaco a falar e sempre o italiano como voz de fundo. A R nem conseguiu acompanhar a tradução. O júri apitava em francês. A confusão completa. Depois a memória que tenho é de muita cor e achei tudo muito descorado. Elas não vibraram nada com o meu entusiasmo a recordar os júris e as regras do jogo e a parte das imagens das cidades dos diferentes países.
Lembro-me de me divertir imenso. De achar os jogos animados, uns até bem difíceis!
Mas ao vê-los agora foi assim um pouco desenxabido.
Elas estavam a achar um bocadinho seca. Principalmente a mais velha....

Verdade verdadinha....até eu já não achei a mesma piada.
Mas foi bom recordar! Ainda me lembrava da música!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Das tripas coração

Tenho saudades de mim.
De me ouvir rir com vontade.
De estar comigo.
De respirar fundo.
Do silêncio que vem de dentro e traz a paz com ele.
De pôr os pensamentos em dia ou de passar um dia sem pensar.
Até me fartar de mim.

Cansei-me de ver vir ao de cima o pior que há em mim, direcionado a quem merecia o melhor.
É como se constantemente fosse posta à prova mas não passe no teste...ou nem sequer tente fazê-lo.

Falho.Todos os dias.
Falho porque já não tento. Não com todas as forças.

Ouço conversas nas mesas do lado.
De outras vidas que passam ao lado da minha.
Vários assuntos ...mestrados, empregos, arborismo, relações, recordações de infância, tatuagens, receitas de saladas.... alguns palavrões à mistura...
Estas decorrem à sombra.
Ao sol, estão turistas a beber copos de vinho verde fresco e canecas de cerveja. Não os ouço.

Nunca estamos bem.... quando chove queremos sol.....mas procuramos a sombra quando ele chega.

Ouço-as rir nas brincadeiras na água.
Arrependo-me do meu cansaço, da minha falta de paciência, da irritabilidade na voz e no olhar.
Do que digo todos os dias e me satura ainda antes de abrir a boca...."Está quieta; Senta-te direita; Tira os dedos da boca; Fala mais baixo; Apanha as coisas do chão; Baixa o som da TV; Cala-te um bocadinho"...

Do pouco esforço para o dizer de outra forma, já que ficar calada não é ser mãe.
Imagino que elas também se cansem. Que percam a paciência. Que se irritem.
A primeira vez que ouvi um "chata!" quando virei costas, estremeci. Caiu-me o coração aos pés.
Em tempos ouvi que mãe que é verdadeiramente mãe é chata. Mas ser A chata custa.
Custa porque cansa. Seria mais fácil fingir que não vejo. Fingir que não oiço.
Mas aí sim, falharia.

É nesta bipolaridade que assenta uma mãe.
Respirar fundo por falta de paciência, para logo a seguir respirar fundo de culpa.
Precisar de espaço e logo a seguir de abraços apertados.
Num dia encher o fogão de amor em forma de tachos e panelas de sopa e noutro dia nem sequer querer cozinhar.
Talvez seja por fazer das tripas coração que há dias de não poder com uma gata pelo rabo.

São precisas tragédias fora de nós para pensarmos na sorte que temos.
No que tem valor. No que vale a pena ser dito. No tempo que voa e se perde.
Para que se instale a certeza que o todo esforço vale a pena.
Que o cansaço talvez seja bom sinal. Sinal desse esforço.

Para me lembrar que elas merecem sempre o melhor de mim. Ainda que tente e falhe.
Para não esquecer que eu também preciso do melhor de mim. Sem falhar.


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Fomos ao cinema

A I falou-me num filme que estava no cinema.
Um que eu nunca tinha ouvido falar.
Um filme francês.
Ela tinha visto o trailer e achou que a história poderia ser gira.
Hoje foi o dia.
"A Família Bélier" 

Família; amor; seguir sonhos; escolhas; laços; decisões; voar...Com alguma comédia e emoção à mistura.
Sim, gostamos muito.



domingo, 30 de agosto de 2015

Altos voos

Um dia levei a R a ver um sarau de ginástica, onde participava uma amiga.
Esteve sempre muita atenta, sem nunca o sono lhe diminuir o entusiasmo.
Logo ali, disse-me que queria fazer aquilo.
Pediu para a inscrever. Tinha 4 anos. Estava mais que decidida.

A I já andava a falar nisso há uns tempos.
Naquele dia não viu o sarau, mas já sabia que queria. Decidida estava.

Uma nunca gostou dos collants e tutus do ballet, outra achava que se fosse ballet rítmico ainda vá...
Nunca foi a praia delas.

Inscrevi as duas na ginástica nesse ano.
Nunca mais quiseram sair.
A ginástica é a paixão.
Já lá vão 5 saraus como ginastas.

Está aí quase a arrancar mais uma época desportiva.

Aí vêm muitos desafios, medos superados, e mais conquistas!
Voem miúdas!
Estarei a ver!

(E eu que sempre achei estas coisas dos mortais engrupados, encarpados, flics, um bocadito perigoso...)



quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Nostalgia

Lembro-me do momento exato em que o meu pai me disse que tinha morrido o Carlos Paião.
Faz hoje 27 anos.
Não fixei o dia.
Mas sei que estava em casa dos meus avós paternos.
Sei que fiquei triste.

Hoje não me lembrei disso. Vi algumas homenagens nas notícias.
Reparei na data de nascimento, 1 de novembro 1957.
Não sei se já sabia que ele nasceu no mesmo dia que eu, ou se apenas não me lembrava.
Talvez fosse por isso que lhe tinha simpatia.

Gostava das músicas.
Na altura o Festival da Canção estava para nós como a Cerimónia dos Óscares para os americanos.
Era uma das noites do ano. O logotipo da eurovisão anunciava o início. Era dia para se jantar mais cedo só para estar tudo sentado em frente ao sofá a tempo e horas e não perder pitada.
Adorava a parte de apresentação dos cantores dos diversos países. Ficava fascinada com a língua, os lugares, as paisagens. Talvez isso tenha tido alguma influência no meu fascínio por viagens....nunca se sabe!

Lembro-me do Playback num desses Festivais. Das roupas coloridas. Da letra da música. De achar divertido. De torcer para ganhar.
Eu ainda nem tinha 10 anos.
Estava longe de saber que Portugal jamais ganharia Festivais....


O tempo passa mas as músicas vão ficando.
O Pó de arroz; A Cegonha; O Meia-dúzia.....
Tantos anos depois, ver as miúdas a cantar a Cinderela, a saber de cor a letra que eu já soube... (aposto que se começar a ouvir ainda sei)... deixa assim uma certa nostalgia no ar.

Frases que ouço por aí.....versão "Que leio" por aí.


7) "CUIDADO COM AS CRIANÇAS. Não esquecer que se tratam de animais selvagens."

Panfleto com mapa e regulamento do visitante, numa zona património florestal.
A tradução para inglês avisa para ter as crianças sempre sob vigilância pela mesma razão.


"Recordar é viver"

Hoje a I perguntou o que acontece aos animais marinhos quando morrem.
"Ficam por ali a boiar? Afundam?" 
Não sei. Nunca tinha pensado nisso.
Nem ela nem eu.
Presumo que sim, ficam ali, no mar.
Não se fazem funerais, não se enterram no quintal, não têm como destino a sanita, como os peixinhos de aquário...
Nunca parei para pensar o que acontece aos milhares de peixes mortos que dão à costa, ou às baleias.

Hoje li esta notícia . Morreu um dos golfinhos mais velhos do Sado.
Percebi então de onde tinha vindo a tal pergunta.

Lembrei-me que já os tínhamos visto.
Vasculhei aqui no arquivo. Setembro 2010. Quase 5 anos.
Naquele dia demoraram a aparecer.
Quando já tínhamos perdido a esperança e achávamos que pelo menos o passeio de catamaran tinha valido a pena, eis que nos brindaram com a sua graciosa e simpática presença.
Já não me lembro se algum dos que vimos era o patriarca.


É bom percorrer albuns nas pastas do computador.
Recordar as caras redondinhas, as mãos pequeninas...os sorrisos.
5 anos é muito tempo. 5 anos mudam-nos tanto.
Por dentro e por fora.