terça-feira, 11 de agosto de 2015

Um dos dias mais aguardados do ano é....

Um dos dias mais aguardados do ano é a chegada dos livros para o próximo ano letivo.
Mesmo que seja em agosto....e que falte ainda 1 mês e tal.
É uma pesada caixa de cartão onde cabem todas as esperanças num novo ano que por aí há-de vir.
Enquanto esperamos pelo novo ano, a caixa, essa, já chegou!

Quase tem direito a um cortar de fita em jeito de inauguração.
Pelo menos é precisa tesoura.
É um ver quem abre a caixa primeiro e de quem são estes ou aqueles livros. Claro que  o peso dos livros aumenta na mesma proporção que o da responsabilidade, daí que os livros da I ocupam mais de 75% do pack para 2015/2016. Voam papéis e plásticos, para encanto da mais recente aquisição da família , que também vibrou com a chegada da caixa e que ganhou um brinquedo novo!

É um misto de excitação para ver como serão as capas, pelas capas adivinhar as matérias, o cheiro a novo...isto leva numa fração de segundos à antecipação de como irão ser os cadernos, que dossiers vão escolher e à vontade que o regresso às aulas seja já amanhã.
Compreendo-as. Eu também era assim e por isso sei que lá para inícios de outubro já terá passado.

Já há mochilas à venda mas finjo que nem vejo.
Em Londres há quem diga que em pelo menos uma loja já é Natal.

Mas ainda não me apetece pensar em nada disto.
Não quando os livros do ano letivo anterior ainda estão dentro das mochilas.
Não quando ainda quase nem usei chinelos de dedo.



Um domingo só assim.

Ontem foi mais um dia deste agosto.
Daqueles de ficar sem sair.
Daqueles em que até podia chover para não me sentir obrigada a sair só porque é verão e está calor.
É que ficar em casa parece estranho...parece e é, já que se passa o ano a desejar férias e dias de sol...
Foi-se adiando um sair num domingo de agosto. Algures por aí confuso.
Os poucos planos foram ficando em banho maria, alterados, e por fim, anulados.
O dia acabou por ficar resumido à cozinha.
As miúdas foram comprar uns ingredientes, fecharam a porta, tudo quase no maior dos segredos, e chamaram para o lanche. Esmeraram-se.

(Podia ter sido só assim. Um domingo caseiro de pura lanzeira. Mas há que acrescentar a parte menos romântica deste filme: os vários momentos em que se pegam por tudo e por nada, em que moem, em que nos rondam a sondar se já não vamos à piscina, ou ao rio, ou algures, em que vêm canal Disney até eu já não aguentar as vozes esganiçadas das dobragens, em que não há entendimento sobre qual o filme a ver, em que uma prefere cinema outra nem por isso, em que não sabem o que fazer. No fundo instala-se uma espécie de Febre da Cabana, muito contagiosa por sinal!)

Impávida e serena, vai-se mantendo a gata.
Eu bem tento, mas ainda não consigo.





segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O meu não querido mês de agosto

Agosto não me é querido.
Quer dizer, não gosto de agosto por cá.
Há quem diga que a cidade fica vazia, que fica tudo mais calmo, menos trânsito, menos filas para tudo....que é uma maravilha. Adoram cá ficar e aproveitar o mês para trabalhar em sossego.

Posso dizer que detesto?!
Detesto que fique tudo fechado.
O café, a mercearia, o quiosque, o talho...
Detesto que apesar de haver menos trânsito haja mais indecisos, lentos, pouco desenrascados e os que fazem pisca para um lado e viram para outro.
Hoje ía um clássico à minha frente. Também ele numa mota clássica.
Ocupava toda a faixa da direita. Sentia-se de certeza o melhor condutor do mundo com o seu capacete anos 50. Depois são os que não sabem onde estacionar...de facto há mais por onde escolher.
E há os que aparentemente não levam as mãos no volante mas pelos vistos esperam ir nas mãos de Deus.

Acho que as pessoas que ficam por cá andam todas mais carrancudas. Atendem com menos simpatia. Suspiram pela chegada das férias ou suspiram porque já acabaram.
E eu suspiro porque é agosto.
O calor lá fora empurra-me para dentro de casa.
Instala-se a vontade da sesta, a acompanhar o ritmo da gata da casa.
Queria estar noutro sítio mas sem ser preciso ir. Porque ir, significa longe.
Há fumo no ar, a marcar o dia de ontem. A lembrar que ainda bem que nem fomos à praia fluvial.
Hoje voltou a ficar muito calor. Está vento.
Pedem-me piscina, mas eu ficava-me pela sesta e pela tentativa de pôr a leitura em dia, em jeito de preguiça.

Espero ansiosamente pelo meu querido mês de setembro.


domingo, 9 de agosto de 2015

Decisões decisivas


R - "Mãe, que dia é hoje?"
Eu - "Domingo"
R -  "Não. O dia!"
Eu - 9
R - "Daqui até ao fim do mês não vou querer comprar mais gomas, brinquedos ou outras coisas"
Eu - "Muito bem! Então porquê?!"
R - "Para poupar dinheiro para irmos à Disney para o ano..."

É assim que se começa.
Estabelecer prioridades...



sábado, 8 de agosto de 2015

Balanço de uma viagem mãe & filha

Afinal era eu a mãe.
Sempre que lhe perguntava qualquer coisa, ou começava uma frase por "nem sei..." ela dizia " Não sei, a mãe és tu!".
Estou habituada a partilhar decisões. Onde vamos agora, onde almoçamos, jantamos aqui ou acolá, sentamos na esplanada, valerá a pena ir a este ou aquele museu...
Nunca tinha feito uma viagem sendo a única adulta.
Desta vez era só eu a liderar, e ela agarrava-se à segurança das minhas decisões.
O calor trouxe-lhe algumas tonturas e tensão baixa, mas competia-me a mim desvalorizar, dizer que era normal, parar para beber água, não perguntar mil vezes se ela se sentia bem (tentei pelo menos).

Percebi que tinha que transmitir segurança.
Não podia levar muito tempo a perceber onde eram as linhas, ou a duvidar em voz alta qual seria o comboio, ou o barco.
Ensinei-a no metro a escolher o sentido, e como se vão vendo as paragens.
No aeroporto, a descobrir a porta de embarque no painel de informações.
Na estação, a comprar bilhetes nas máquinas de venda automática e a ver os horários dos comboios.
Nos restaurantes, a olhar primeiro para a ementa antes de decidir por um ou outro.

Ela ouviu sempre tudo em inglês, italiano, italianês...
Foi percebendo tudo. Atreveu-se a falar noutra língua. Tomou-lhe o gosto. Sentiu-se turista.

Ficam sem imagens alguns momentos...como a noite em que dormimos de toalha na cabeça, a tapar as orelhas, porque a I viu uma barata....no meu pescoço!
Isto depois de termos ido à receção e estarmos a traduzir no google de português para italiano o nome de alguns insetos. E foi na parte das imagens que a I descobriu um bicho parecido ao que patinhou pelo meu pescoço. Descobrimos que barata é um scarafaggio, que centopeia é millepiedi ...e ficamos por aqui. Foi o suficiente para o senhor da receção ir de lanterna na mão procurar a barata por cada recanto do quarto. Abanou cortinas, levantou tapetes, espreitou debaixo da cama, arrastou móveis....Meia hora depois e sem barata à vista deixou a lanterna connosco.
Só nos restava lavar o cabelo. A barata nunca mais se viu.

Com adultos amigos ou como casal, parámos para uma cerveja ou um café, que pode demorar mais do que 15 minutos. Com crianças, ou pré adolescentes, parámos numa esplanada para descansar e recarregar baterias, mas não há lugar ao "aboborar". Acaba-se a garrafa de água e está na hora de levantar e ir.

Quando vi as fotos da I percebi que ela viu coisas que eu não vi. Pormenores que lhe chamaram a atenção. Éramos duas ali, mas havia dois em casa. Ela tirava fotos para depois mostrar à irmã...coisas do tipo como se chamam em Itália os gelados "Olá", as ambulâncias e a recolha de lixo em forma de barco. Escolheu souvenirs. Comprou massa para cozinhar para o pai em Portugal.

Foi sem dúvida alguma uma grande companheira de viagem.
Tenho a certeza que o bichinho de viajante está lá....Mea culpa.
Depois de algumas dúvidas iniciais sobre irmos só as duas....só sei dizer que esta viagem é nossa.
Não sei se algum dia repetiremos uma viagem só as duas.
Talvez sejam elas a viajar as duas juntas.
Talvez viagem com amigas de mochilas às costas.
Afinal, eu sou a mãe.
Mas Veneza já ninguém nos tira.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Diário de Bordo - Veneza - dia 6

21 julho
O regresso.

Último pequeno almoço. Vista Canal Grande. Decoração veneziana. Música clássica.
Gourmet qb. Demasiado para a I.
Companhia inesperada na janela. Gaivota.
Aqui também se ouvem, a lembrar que estamos pertinho do mar.
Últimos bilhetes de comboio comprados.

Ciao Venezia.
E como diria em qualquer viagem:
Keep calm and zucchera la giornata










Diário de Bordo - Veneza - Dia 5

20 julho

Eu sei que a varanda da Julieta mais famosa não é verdadeira. Um palácio medieval de Verona foi utilizado para representar a "Casa di Giulietta" devido à semelhança entre o apelido da família que lá vivia, Dal Capello e o apelido da família da Giulietta do Romeo, Capuleti. Há quem diga que a trágica história de amor de Shakespeare terá um fundo de verdade. Sendo ou não, não me choca que Verona seja o palco de uma casa arranjada para parecer a da história, que tenha uma varanda onde se faz de conta que Giulietta escutava as promessas de amor do seu amado Romeo.




É como ir à Disney (atrevo-me a comparar!)...também é o mundo do faz de conta baseado em histórias. É também uma forma de não deixar morrer uma das histórias mais famosas de sempre, adaptada centenas de vezes a cinema, teatro..

Há uma tradição que diz que quem tocar na mama direita da estátua que representa a Giulietta, terá sorte nos amores ou encontrará o amor verdadeiro. E faz-se fila....não vá o diabo tecê-las...se bem que a história da moça pode representar um grande amor, mas não é lá grande exemplo de sorte...

E assim, não podíamos deixar de ir a Verona.
Junto à casa e um pouco por todo o lado abundam as juras de amor expressas nos inúmeros cadeados. A cidade tem tentado combater o facto dos enamorados escreverem nas paredes do arco que dá acesso ao pátio da casa.....em vão. Disponibilizaram até autocolantes numa tentativa de substituir as canetas, mas a moda não pegou. Eu e a I deixamos um papelinho colado pelo nosso amor mãe & filha e por esta viagem.
Não escrevemos na parede....aliás a parede já nem tem um milímetro livre...



Almoçamos um belo dum Risotto di porcini em cama de queijo parmesão e uma Carbonara. A verdadeira da Carbonara! Sem natas e com ovo. Nunca se lembrem de em Verona pedir Carbonara sem ovo! Nem de perguntar se fazem carbonara com outra massa que não esparguete!
O empregado ía tendo um colpaso nervoso quando nos ouviu perguntar se podia ser sem ovo.... Começou a gesticular em italiano "Spaghetti! Carbonara! Uovo! Pancetta! Eco!"....pronto pronto, traga lá com ovo!


Casa - feito
Varanda - feito
Estátua - feito (pelo sim pelo não)
Ficou de fora a visita ao suposto túmulo. Não é preciso fantasiar tanto vá!

Um crepe com nutella para recarregar baterias.
Prontas para regressar a Veneza.

Chegamos mesmo a tempo de encontrar uns amigos portugueses mesmo ali em frente à Ponte dos suspiros!!! Um grande momento! Depois da selfie fomos percorrer mais umas ruas até San Marco.
Já conhecemos alguns cantos à cidade!






Subimos ao Campanile di San Marco para as últimas vistas. Agora de outro ângulo.
Estávamos lá em cima enquanto a cidade se despedia do dia.
O sino marcou as 21h, como todos os dias, indiferente ao barulho que fazia.





E depois da última badalada tivemos que descer. A tempo do dourado na Basílica e do som do violino.



Encontramos uma Osteria para o nosso último jantar. Mesas com toalhas aos quadrados vermelho e branco. Para mim isto é Itália!



Acabamos a noite a ler junto ao canal, mesmo ali pertinho da Ponte de Rialto.
Momentos que não se explicam.