terça-feira, 16 de junho de 2015

Desentediar


1º dia de férias. Das grandes.
Das que nunca mais chegam, mas depois cansam.
As dos dias compridos, das saudades dos amigos, das idas à praia.

Acompanhei este 1º dia que começou já tarde. Sonos pesados pelo ritmo imposto nos últimos dias.

De manhã um arrufo entre irmãs levou ao desligar da TV para todo o dia.
Antevisão de um tédio insuportável.
De manhã ainda existiu como alternativa tablet e telefone.
Depois do discurso habitual "No meu tempo brincávamos a isto e aquilo; Líamos; Desenhávamos; Vocês nunca sabem o que fazer; Não aproveitam o que têm; Parece que não sabem estar em casa; Não se sabem entreter sozinhas; Ao menos arrumem o quarto....",  dei férias ao digital.

Férias sem amigos de carne e osso também não têm metade da graça...ainda por cima sem TV e afins.
Convidaram uma amiga. Muniram-se de mantas e toalhas e ala para o jardim.
Uns minutos depois fartaram-se da ginástica... "Mãe, podemos brincar com balões de água?"

Olha, e porque não!?
Reuniram o material necessário e foi animação garantida.

Material: alguidares, recipientes mais pequenos, balões de água, esguichos, guarda chuvas, água


Dica: Só o encher dos balões é metade da diversão, principalmente se a torneira tiver pressão....


Depois foi dar largas à imaginação.
O banho foi garantido, apesar da proteção dos apara águas.
Tédio??
Esse ficou bem longe desta tarde.
Isto do desentediar pode ser mais fácil do que parece.

Pena eu não ter os mesmos dias de férias... e nem importava que algum tédio os acompanhasse...


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ex colegas


A mais velha hoje teve um jantar.
Encontro de EX colegas da escola primária!!!!
Combinaram num encontro de EX colegas do Jardim Infantil, pais e educadores.

Quando ela me disse que era giro um jantar de colegas da primária e que tinham falado sobre isso eu concordei e achei uma ótima ideia, longe na minha inocência de achar que era entre eles.
Afinal eles é que são ex-colegas....

Combinaram tudo. Dia. Hora. Sítio. Convidaram a Ex Professora.
Lá foram.

Como é que eu não hei-de ter cabelos brancos??

E no conforto do lar a certa altura começo uma frase com um Ah, é verdade... e a mais nova atira:

"Lembraste-te que tens outra filha foi?"

(Isto deve ter sido por causa do meu lado esquecido a juntar à estranheza de faltar por cá a irmã)




                                                                Foi assim há 7 anos...
                                                       É normal que já tenha ex-colegas.

domingo, 14 de junho de 2015

Frases que ouço por aí....muito perto de mim

5) "Se ainda a Bimby desse banho às crianças enquanto eu faço a sopa..."


Enquadramento:

Sobre esta máquina, robot, eletrodoméstico, o que seja que lhe chamam, haveria muito a dizer.
Fica para um dia destes, que o sucesso da dita merece uma escrita só para ela.
Para já, adianto que fora de Portugal, o fenómeno Bimby não se instalou como cá.
Aliás, talvez em muitos países não seja sequer visto como algo a adquirir na maioria das casas e é até ridicularizado o seu uso.
A minha casa talvez seja das poucas que não tem uma.
Qualquer dia deixa de ser uma casa portuguesa com certeza.

No outro lado do mundo, falou-se neste estranho sucesso da Bimby, num País em crise...
Foi uma das conversas mais hilariantes que tive sobre este robot de 5ª geração como se auto apresenta.

Transmitia o que ouço por cá sobre as suas vantagens e digo a frase mais dita por todos os que têm o pack Bimby & Crianças, "A Bimby faz a sopa enquanto dou banho às crianças."

E então veio a resposta para a gargalhada geral:
 "Se ainda a Bimby desse banho às crianças enquanto eu faço a sopa..." 

Autoria de amigo de amigos de longa data, num País fantástico, gastronomicamente surpreendente e onde não há necessidade de maquinetas destas.
Do outro lado do mundo.



sábado, 13 de junho de 2015

Já nos Santos?


Logo a seguir a um maio de época alta entrou junho e não fosse o dia da criança  que marca o arranque e escapava-me.

Semana de testes globais para uma.
Últimos testes para outra.
Fins de semana de pouco descanso.

É o mês do evento do ano para as ginastas cá da casa.
Agora que se conhece o tema do Sarau colam-se cartazes.
Treinos.
Mais treinos.
Ver os esquemas das outras classes.
Muita dedicação.
Muita pizza.
Muita água fresca.
Muito calor.
Trovoadas de maio em junho.

Ensaio geral. Tranças que nem eram precisas.
A mais nova é a bola, a mais velha joga de verde, num jogo de futebol recriado em ginástica acrobática.
Últimos retoques.
Sonos alterados.
Cansaços.
Unhas a condizer com bola de futebol. Meias verdes a condizer com a camisola.

Sarau ginástica. Dia 1. Tranças exigentes.
Nervoso(s) miudinho(s). Ansiedades acalmadas por rímel e um brilhozinho nos olhos.

Sarau ginástica. Dia 2. Dia de Portugal. Mais tranças.
Aquecimento.
Um dedo contra a parede logo em cima de antiga lesão.
Corrida para buscar gelo.
Caça a comprimidos para as dores.
Incentivos de coragem.
Limpar lágrimas.

Correu bem! Sucesso!

Muda de registo.

Festa na escola da mais nova. Outra roupa. Outro papel. Outras cores.
Detalhes para uma Branca de Neve.
Esqueço-me sempre da sobremesa que é suposto levar ou das tralhas para as rifas.

E nisto é sexta feira, último dia de aulas.
Altura de acartar com o peso de um ano de fichas.
O dossier da mais velha deu o berro no dia certo.
Mais um ano letivo atrás das costas.

Caí em mim quando alguém disse que era noite de Stº António...
Já nos Santos Populares??

A partir de 2ª nem sabem o que fazer ao tempo livre!
Pelo menos ainda há treinos de ginástica!

Quanto a mim...
Mãe voluntária. Mãe fotógrafa. Mãe S.O.S. Mãe trabalha.
Mãe escada abaixo escada acima. Mãe leva jantar.
Mãe orgulhosa.
Mãe a precisar de férias ou de pires de caracoís!














sábado, 6 de junho de 2015

Constatações eficazes


Chegou o calor e com ele a busca repentina da roupa e calçado de verão, saltando por cima da de meia estação. Começo a ficar cansada desta transição de lãs para manga curta e de botas para sandálias. Não seria boa portuguesa se não me estivesse sempre a queixar do tempo.
Neste caso não será bem do tempo, que me habituo bem ao verão e chinelo, mas à logística e organização pessoal a que obriga esta coisa das alterações meteorológicas.
Nesta saga de repentinamente a R me pedir umas sandálias, sugeri que talvez alguma do verão passado lhe servisse, isto se as encontrasse!
Estes pedidos chegam normalmente às 8h50, quando a escola começa às 9h e as sandálias estariam possivelmente bem guardadas....

Felizmente que ela encerrou o caso por ali: "Mãe as do ano passado já são muito infantis".

E pronto, lá foi de sapatilhas.
Nada assim tão estranho para quem já usou galochas em pleno agosto!





quarta-feira, 3 de junho de 2015

Frases que ouço por aí ......muito perto de mim.


4) "Mãe, porque é que no talho nos dão um talão se não vamos trocar a carne?"

Enquadramento:
No talho da outra frase .
R e o seu poder de observação.
Nem só de desesperos vive uma mãe...


Desesperos

Sempre estranhei a fórmula mágica do copo de água com açúcar que resolve tudo nas telenovelas brasileiras.
Ontem decidi aplicar uma adaptação, já que água açucarada é coisa para complicar ainda mais qualquer estado de espírito e palato seletivo da geração mais nova da casa.
Mais um serão complicado.
Ansiedades e nervosismos antes dos testes globais.
Na mais nova. Sim, a mais nova....a de 9 anos, no 3º ano do 1ºciclo!!

"Eu não consigo"
"É muita matéria"
"Eu não percebo nada"
"Não sei nada das horas"
"E os litros?
"E os problemas?
"Eu vou ter insuficiente"
"Vai ser muito difícil"
"..."

E quem conhece a R sabe que isto é no mínimo estranho.

Esgotei todo o discurso do "Tu és capaz" e mais mil variações do "Está tudo bem"!

"Está tudo bem para ti mas não está para mim. Tenho muitos nervos. É que eu sou responsável!" disse-me.

Tentei de tudo. Que ela imaginasse esquemas de ginástica, um montão de coisas boas, coisas felizes.
Beijinhos, abraços, festas e mimos.
O sono chegava mas ela afastava-o.
Ela dizia-me não chores mãe. Mas ela é que chorava.
Ela pediu desculpa. Expliquei que não estava chateada.
O sono molda o discernimento.
Não vale a pena insistir na mesma tecla.
Decidi mudar de cenário.
Quarto dos pais.

E numa tentativa de imaginar o que mais poderia fazer, para além do leite morno bebido aos soluços, ocorreu-me a água milagrosa das novelas. Açúcar à parte.

Copo de água
Açúcar em colher (nesta fase a lavagem dos dentes a seguir ficou em 2º plano)
Mais água
Um xixi
Mais água.
Adoro-te
Eu tb.

Tiro e queda!
1 da manhã para R. Finalmente a dormir.

Mãe de coração apertado. Não consigo vê-la assim, em desesperos.
2 da manhã. Pão com nutella.
Escovamos melhor os dentes amanhã.

Por onde anda a minha miúda decidida, segura e confiante?
Amanhã é Estudo do Meio.
Global.
Espero que não seja preciso mais águas e açúcares.
As dores de barriga já começaram na parte dos anfíbios e palpita-me que pioram nas raízes fasciculadas!